Publicidade

Vince Carter: Half Man, Half Amazing

Leonardo Costa Bordonhos · 4 min

Vê mais Bola na Rede no teu Discover Seguir no Google

Poucos atletas têm tantas alcunhas e são conhecidos por tantos nomes como Vince Carter. “Vinsanity”, “Air Canada” e “Half Man, Half Amazing” são apenas algumas das alcunhas de um jogador que, vezes e vezes sem conta, desafiou a gravidade com os seus ataques ao cesto.

Contudo, a carreira de Vince foi-lhe ingrata.

É o único atleta na história da liga que jogou em quatro décadas, tem a carreira mais longa da história com 22 anos ao mais alto nível, já vestiu a camisola de oito equipas diferentes, é visto por muitos como o melhor da história no capítulo dos afundanços dada a força, explosividade e suspensão que alcançava quando decidia atacar o cesto.

Venceu o prémio de Rookie do Ano em 1999, foi essencial para o crescimento do basquetebol no Canadá quando foi trocado para os Raptors, e chegou a vencer duas medalhas de ouro pelos Estados Unidos nos Jogos Olímpicos de 2000 e no Campeonato das Américas de 2003.

No entanto, Vinsanity dificilmente será lembrado como um dos grandes jogadores da história da NBA.

Quando se aborda o lugar de jogador A ou B na história de uma liga, há um exercício comum que ajuda a esclarecer quaisquer dúvidas: É possível contar a história desse campeonato sem mencionar tal jogador? Se a resposta for sim, então estamos na presença de um excelente atleta, mas que não está ao nível dos melhores ou não se destacou da forma necessária para ficar nos compêndios da modalidade.

Infelizmente, a resposta para a pergunta “É possível contar a história da NBA sem falar de Vince Carter?” é afirmativa.

Vejamos, Vince entrou na NBA e sempre se destacou pela sua capacidade atlética, de tal forma que o próprio afirma ser capaz de tocar no topo de uma tabela de basquetebol – que se encontra a aproximadamente três metros e meio do chão – nos seus anos de universidade e secundário. É um bom lançador da linha de três pontos e, ao longo da carreira, sempre se manteve saudável sem ter perdido muitos jogos devido a lesão.

Foi, juntamente com Tracy McGrady, fundamental para o basquetebol canadiano numa altura em que os Toronto Raptors estavam a entrar na liga e precisavam de um fator que os tornasse relevantes. Foi depois trocado para os New Jersey Nets, onde demonstrou todas as suas capacidades, mas mais uma vez nunca conseguiu atingir as fases finais dos playoffs.

Daí seguiram-se anos em Orlando – onde atingiu as suas primeiras e únicas finais de conferência, perdendo para Boston – e Phoenix, até chegar a Dallas – campeã no ano anterior. Mais uma vez, Carter atrasara-se e perdera a oportunidade de estar numa equipa capaz de vencer o título.

Os anos junto a Dirk Nowitzki confirmaram as suas capacidades enquanto lançador de três pontos, tendo lançado com uma eficácia de 39%, e foram o início de Carter enquanto sexto homem da rotação da equipa, o suplente mais preparado para entrar em campo e dar o seu contributo.

Dos Mavericks mudou-se para Memphis, passou por Sacramento, e chegou aos Atlanta Hawks, equipa que representava desde 2018 e onde assumiu um papel de veterano e mentor, utilizando a sua vasta experiência para guiar jovens como Trae Young.

A sua carreira tem sido repleta de momentos icónicos, desde o seu afundanço nos Jogos Olímpicos de 2000, onde saltou por cima de um jogador de 2.18m, o triplo que marcou frente aos San Antonio Spurs em 2014, ou, talvez mais icónico, o concurso de afundanços de 2000.

No entanto, olhando para estes 22 anos de carreira, a única coisa que realmente se destaca foram os seus ataques ao cesto, e essa, infelizmente, será provavelmente a única razão pelo qual será lembrado. Passou por várias equipas, mas a verdade é que o seu verdadeiro impacto foi apenas em Toronto, e mesmo assim muitos dirão que já foi ultrapassado por atletas como Kyle Lowry, Demar Derozan ou Kawhi Leonard.

Tudo indica que o jogo frente aos New York Knicks, a 11 de Março de 2020, foi o seu último jogo enquanto jogador da NBA. Aos 43 anos, e já sem a capacidade física com que anteriormente se destacara, o seu corpo já começa a ser incapaz de lidar com o esforço de uma época inteira. E, infelizmente, parece que Vinsanity não terá direito a um jogo de despedida, uma homenagem como merecia.

Não será dos melhores jogadores da história do basquetebol, mas sem dúvida que foi dos mais espetaculares.

Foto de Capa: Atlanta Hawks

Artigo revisto por Joana Mendes

Leonardo Costa Bordonhos

Redação Bola na Rede · ver artigos

Continua a ler

as mais recentes
Opinião

GP Estados Unidos: Kimi Antonelli a dois pontos do título

A CORRIDA: AINDA NÃO FOI DESTA, MAS KIMI ANTONELLI FEZ TUDO O QUE LHE COMPETIA NO FIM DE SEMANA DE AUSTIN Kimi Antonelli venceu este domingo o Grande Prémio dos Estados Unidos de Fórmula 1, com o título a ser apenas uma formalidade à espera de acontecer, que será provavelmente na ronda seguinte, no México, onde um nono lugar chega para assegurar o cetro.

Bernardo Figueiredo · 2 min de leitura
Ler a crónica
Benfica

O Açor não tem medo da Águia | Santa Clara x Benfica

«A nós compete-nos olhar para nós. Não é agradável olhar para a classificação. Quem não gostar de olhar, não olhe, e quem não sentir nada pode olhar.» Foi assim, lacónico, que Marco Silva abordou a já histórica sequência do FC Porto, de começar o campeonato com nove vitórias consecutivas. O Benfica está bem e recomenda-se, como ficou patente pela segunda parte feita em Nicósia na quinta-feira passada, mas entra, à condição, a oito pontos dos Dragões, no difícil desafio desta segunda-feira. «Já disse aos jogadores que temos de olhar para nós e ganhar os nossos jogos. A partir do momento em que preparámos a temporada, não previmos estar à frente ou atrás, sabendo que iríamos jogar muitas vezes depois dos nossos adversários, porque, competindo na Liga Europa, sabemos que isso vai acontecer. Não adianta gastar energia naquilo que não controlamos.» E, realmente, o Benfica tem feito a sua parte. Os recordes ofensivos sucedem-se e obrigam às comparações com Jesus e Eriksson, a estatística aproximando a actual equipa de outras, das que conseguiram conciliar nota artística e troféus. E, à boa maneira dos dois referidos, é na crista da onda que Marco Silva aproveita para dar ar do seu perfeccionismo e exigência - ainda mais impressionantes que as dinâmicas de futebol associativo: «Também gosto de sofrer poucos golos. Gosto de incutir nos jogadores a ideia de que não há ninguém que consiga atacar bem sem ter a capacidade de não sofrer golos. Fiquei muito satisfeito com o resultado frente ao Omonia, mas furioso com o golo sofrido. Quando recuamos tantos anos na história de um clube da dimensão do Benfica, que habitualmente é dominador e que teve grandes jogadores com grande capacidade ofensiva, é sinal de que estamos a fazer as coisas bem. Sempre foi meu objetivo que as pessoas sentissem que é o Benfica que está a jogar, independentemente de não sermos perfeitos, porque estamos muito longe disso. Sou o primeiro a dizer que há um caminho muito grande para percorrermos em todos os aspetos daquilo que queremos para o Benfica, mas estou satisfeito com a abertura e a abordagem dos jogadores, que querem sempre melhorar.»

Pedro Cantoneiro · 7 min de leitura
Ler a crónica

Newsletter Bola na Rede

Estamos a preparar a newsletter do Bola na Rede. Deixa o teu email e és dos primeiros a recebê-la. Sem spam.

Feito. Ficas na lista e avisamos-te quando arrancar.