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Recordar é Viver: O Europeu perfeito

Diogo Silva · 4 min

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Neste «recordar é viver», iremos evocar aquele que foi o maior feito nacional na modalidade. Já passou cerca de 1 ano, após a conquista do Europeu sub-20 divisão B, que deixaria todos os adeptos do basquetebol encantados com uma equipa que apresentou uma maturidade emocional incrível durante o torneio todo.

Depois de vários estágios/torneios, de modo a preparar o campeonato, as expectativas ficaram elevadas para a nossa seleção. A nossa seleção sub-20 derrotou seleções do calibre de Israel- atual campeã europeia sub-20 divisão A (que contava com Deni Avdija) ou seleções com maior estatuto na modalidade que Portugal (República Checa). A juntar a isto, Portugal tinha um grupo de atletas muito forte individualmente, onde detinha aquele que era o nome maior no Europeu Divisão B- Neemias Queta. O poste de Utah State, vinha de um NBA Combine e apresentava-se como futuro potencial jogador da NBA.

Curiosamente, não foi ele o maior destaque no final do campeonato, não obstante foi a peça mais importante no desenrolar do torneio.

Foto de Capa: FPB

A DUPLA DIFÍCIL DE SEGURAR

Rafael Lisboa atira de 3 após pick and roll de Neemias Queta
Fonte: FPB

Como referido, Portugal detinha um grupo muito forte individualmente. Apesar da excelente campanha de vários jogadores, tais como Voytso, Francisco Amarante ou Embaló, a seleção nacional tinha em Rafael Lisboa e Neemias Queta uma dupla incrível nas duas vertentes do jogo e os dois principais influenciadores da equipa. Se ofensivamente Rafael era o mais versátil e complicado de travar, defensivamente Queta era um constante pesadelo para o adversário.

Neemias, de resto, entrava para a competição como discutívelmente o melhor da competição e indiscutivelmente o mais mediático. Ora, o jovem poste acabou por confirmar todo o talento demonstrado nos E.U.A e demonstrava que facilmente chegaria ao prémio de jogador mais valioso. Apesar disto, uma lesão no joelho esquerdo, na meia final diante a Rússia, acabaria por afastar Neemias da final e consequentemente, abriu espaço para Rafael Lisboa brilhar (ainda mais) e ser decisivo. Seja no jogo da meia final, como da final, Rafael Lisboa atuou a um nível merecedor do prémio de MVP e justificou claramente dentro de campo, o prémio que já estava destinado para o seu colega Neemias.

Olhando para os números, Rafael Lisboa executou 17.4 pontos, 4.9 assistências, 3.1 ressaltos e 1.7 roubos de bola por jogo, tendo sido absolutamente decisivo nas últimas derradeiras partidas.

Por outro lado, Neemias Queta realizou 14.3 pontos, 11 ressaltos, 2 desarmes de lançamento e 1.7 assistências por jogo, tendo sido o homem alvo na ofensiva portuguesa e a principal arma defensiva ao dispôr de André Martins.

O PERCURSO 100% VITORIOSO

Individualidades de enorme talento, juntarem-se a um grupo de grande união, só podia dar num excelente resultado final e numa campanha imaculável. Prémio merecido não só para o grupo de jovens, que acabaram por conseguir o maior feito (até então) da modalidade a nível nacional, como também para o selecionador André Martins, que adotou um sistema que beneficiou e ressalvou as individualidades ao seu dispôr. Rigorosos taticamente e com um espírito inarredável, Portugal não teve qualquer derrota na competição e fez história.

Após a lesão de Neemias, Portugal uniu-se ainda mais para vencer a favorita do europeu Fonte: FPB

O jogo que mais dignificou este espírito foi diante a «poderosa» Rússia. Todavia a lesão preocupante do maior nome da seleção (Neemias Queta), Portugal conseguiu recuperar mentalmente e venceu aquela que seria a favorita, por 76-69. De destacar ainda a final, diante a República Checa (73-57), que acabou por ser o reflexo de uma seleção garrida e super unida, que conseguiu fazer das adversidades forças.

PAVILHÃO CHEIO E AMBIENTE INESQUECÍVEL

Com lotação total para cerca de 4000 pessoas, foi incrível ver a aderência do público português jogo após jogo, à nossa seleção sub-20. Segundo a federação portuguesa de basquetebol, no sumário do torneio passaram cerca de 30 000 pessoas pelo centro de congressos de Matosinhos.

O pavilhão por vezes parecia pequeno para as imensas multidões que apareciam, jogo após jogo. É certo que o facto da entrada ser gratuita e de a caminhada até à conquista ter sido perfeita motivou ainda mais os adeptos a aparecerem ao pavilhão, não obstante, devemos assinalar aquela que foi uma presença assídua e ruidosa por parte de muitos amantes da modalidade.

Para concluir, de sublinhar a final diante a República Checa, ao passo que o pavilhão estava de tal forma cheio que algumas pessoas sentaram-se nas escadas e outras ficaram de pé o jogo todo (pois não havia lugares sentados)… Em suma, o apoio vinha de todos os lados do pavilhão e o mais importante aconteceu, ninguém deixou de apoiar e Portugal conquistou o europeu sub-20, divisão B.

Diogo Silva

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