Académica AAC 78-83 Vitória SC: V de Vitória

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A CRÓNICA: SANGUE QUENTE DA BRIOSA NÃO CHEGOU PARA O GELO VITORIANO

Último jogo do ano na Liga Portuguesa de Basquetebol e, para fechar, um sempre quentinho Académica X Vitória SC. Os lugares de playoff estão a um preço altíssimo e um triunfo neste jogo para qualquer uma das equipas era fundamental para não perderem o comboio. Na nona posição, e fora dos lugares que todos querem, era a equipa de Guimarães que partia atrás do prejuízo.

No entanto, o equilíbrio foi a nota dominante no início do jogo. A Académica não conseguiu impor o ritmo que quis, mas conseguiu-se manter no jogo com uma boa atitude competitiva. O Vitória também não esteve nada mal nos dois lados do campo e organizou melhor o jogo. Desde início, ficou visível a diferença entre o estilo de jogo das duas equipas. Mais equilíbrio no final do primeiro quarto era difícil. 25-24 a favor dos visitantes eram os números que brilhavam no marcador do Pavilhão Multidesportos Dr. Mário Mexia.

No segundo período, a verdade é que o jogo prevaleceu renhido, mas o marcador deixou de o refletir. A Académica falhou muitos lançamentos fáceis e o Vitória capitalizou esses erros com lançamentos de belo efeito da linha de três pontos e em contra-ataque. A diferença era agora bem mais larga para os conquistadores, 51-36.

Outra atitude defensiva trouxe novamente os estudantes ao jogo e é assim que se reage quando os lançamentos não estão a cair. Começou tudo a correr melhor a partir daí. Carlos Fechas, técnico visitante, puxou as orelhas aos seus jogadores que ficaram apáticos perante a reação da Briosa. Esta semana começou a vacinação contra a Covid-19, mas quem precisava de uma injeção de moral era a equipa do Vitória. De seguida, o jogo ganhou contornos merecedores de um pavilhão cheio a apoiar as duas equipas. A Académica consumou mesmo a reviravolta no marcador. 65-61 no final do terceiro quarto.

Tudo em aberto para a ponta final do jogo e foi mesmo até ao fim. Com o jogo com uma diferença mínima, Paulo Caldeira teve lançamento para empatar, mas não conseguiu. O Vitória foi mais sóbrio nos momentos decisivos e venceu a partida.

Ótima maneira de fechar 2020 com este grande espetáculo. Num campeonato tão competitivo, em que tantas equipas têm aspirações a chegar aos oito primeiros lugares, esta vitória dos conquistadores é importante em termos classificativos, ainda assim, não garante nada. Lancem-se os confettis na entrada para 2021, mas só mais lá para a frente é que poderá ser celebrada a conquista dos objetivos a que ambas as equipas se propuseram. Fica um “até já” entre Académica e Vitória que, em breve, se voltam a encontrar para a Taça de Portugal.

A FIGURA

Jaron Hopkins – escolha difícil num jogo em que tanta gente contribuiu para tão grande espetáculo. Foi Hopkins que, quando a partida apertou, a equipa procurou e ele conseguiu resolver algumas coisas individualmente no ataque. Provocou muitas faltas aos defensores da Académica que não permitiu à Briosa uma melhor ponta final.  Acabou com 18 pontos, seis ressaltos e duas assistências.

O FORA DE JOGO

Tyler Seibring – com Berry no banco, que vinha sendo a referência interior da equipa e que por momentos pareceu estranho que não reentrasse no jogo, coube a Seibring servir de poste, o que não é muito o seu forte. A Académica explorou bem as suas debilidades defensivas para assumir a liderança. 12 passas dão uma ampla margem de manobra para os desejos de Ano Novo. Certamente, uma delas vai servir para pedir que exibições como esta não voltem a acontecer.

 

ANÁLISE TÁTICA – ACADÉMICA AAC

Uma Académica bem ao seu estilo. Muita velocidade nas transições em busca de apanhar o cesto contrário desprotegido e conseguir pontos fáceis. A pressa nem sempre dá bons resultados, pelo que dela também surgiram alguns tournovers despropositados.

Sem Bakary Konate para rodar com Daniel Relvão na posição de poste, poderia ser mais difícil controlar o Vitória SC no jogo interior. Ainda assim, Relvão e Krassimir, vindo do banco, deram boa conta do recado num primeiro momento. Aliás, toda a equipa demonstrou grande preocupação em fechar a área pintada, facilitando o tiro exterior do adversário. Essa estratégia tornou-se insustentável quando os triplos dos vitorianos começaram a cair.

No ataque, o treinador Ivo Rego teve que pedir aos seus jogadores para partilharem a bola, tal era o abuso nas situações de um contra um no ataque da Briosa.

 

5 INICIAL E PONTUAÇÕES

Malcolm Richardson (6)

Ashford Golden (6)

Robert McCoy (7)

Josh McNair (7)

Daniel Relvão (6)

SUBS UTILIZADOS

Paulo Caldeira (6)

André Mendes (5)

Krassimir Pereira (4)

ANÁLISE TÁTICA – VITÓRIA SC

O Vitória SC não esteve para entrar em grandes loucuras. Tentou acalmar o ritmo do jogo e organizá-lo. Foi à procura do jogo interior, onde tinha uma forte vantagem de centímetros e peso. Começou com o seu cinco mais alto, abdicando de um base puro como André Bessa ou Litos Cardoso nos momentos iniciais. Com um basquetebol mais cerebral, obrigou a Académica a pausar o seu jogo e, em certos momentos, fez prevalecer o lado físico, tal como era seu desejo. De salientar, a importância de André Bessa quando entrou no campo, oferecendo grande clarividência à equipa.

 

5 INICIAL E PONTUAÇÕES

Jaron Hopkins (7)

Brandon Parrish (6)

Alex Peacock (7)

Tyler Seibring (5)

Coreontae Berry (6)

SUBS UTILIZADOS

Litos Cardoso (3)

Ricardo Monteiro (4)

André Bessa (6)

João Ribeiro (3)

Afonso Soares (-)

Francisco Grácio Martins
Francisco Grácio Martinshttp://www.bolanarede.pt
Em criança, recreava-se com a bola nos pés. Hoje, escreve sobre quem realmente faz magia com ela. Detém um incessante gosto por ouvir os protagonistas e uma grande curiosidade pelas histórias que contam. É licenciado em Jornalismo e Comunicação pela Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra e frequenta o Mestrado em Jornalismo da Escola Superior de Comunicação Social.

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