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A competição universitária de basquetebol da NCAA tem crescido de popularidade em todo o mundo. O canal  ESPN América foi um dos principais  responsáveis pela sua divulgação, até ter deixado de transmitir para a  Europa, por razões económicas. Atualmente, são as plataformas  Livestream que permitem seguir a prova. Outra razão para tal destaque tem a ver com o aumento do número de jogadores de todos os continentes que optam pelo sonho americano.

Na Europa, a grande maioria  dos jovens talentos não consegue garantir contratos significativos porque as  equipas perderam os sponsors e têm muito menos financiamento. Sem futuro, a melhor oportunidade para progredirem  é na NCAA, onde conseguem não só garantir educação gratuita, como continuam a fazer o que mais gostam  que é jogar basquetebol.

Segundo Hawkins, autor do livro  “The New Plantation: Black Athletes, College Sports, and Predominantly”, os jovens atletas estrangeiros trazem para a competição norte americana uma nova mentalidade:

Eles trazem  ética ao trabalho. Não foram contagiados pelo sistema da American Athletic Union (AAU ), ficam  gratos pela educação adquirida e por terem oportunidade de  jogar basquetebol. Os atletas estrangeiros entendem o valor e a importância da  educação. Têm um nível de maturidade que não vejo nos nossos atletas“.

Em todas as Conferências tem aumentado o número de atletas estrangeiros, muitos deles internacionais. Quando o conceituado técnico John Calipari chegou a Kentucky (2009-2010), na Southeastern Conference (SEC), apenas 6  universidades tinham atletas estrangeiros, num total de 10 internacionais. Em 2013-2014, a realidade era outra e 12 das 14 equipas já tinham estrangeiros totalizando 27 internacionais. Atualmente, dezoito países diferentes estão representados na SEC, mais da metade são da  Europa. Há também jogadores das Bahamas, Venezuela e Austrália.

Não é de estranhar que alguns desses jovens com mais talento apareçam com regularidade no draft da NBA. Na lista de  2013, cinco jogadores estrangeiros que jogaram basquetebol universitário foram escolhidos na primeira ronda.

Europa ensina melhor

1 março
O jovem Kobe Bryant

“Acho  que os jogadores europeus são mais habilidosos“, disse Bryant à ESPN. “Na Europa ensinam bem o jogo aos jovens que são mais habilidosos. É algo que nós  americanos realmente temos de corrigir. Para isso, temos de nos livrar da cultura da AAU, que é gananciosa e horrívelÉ estúpido, mas é verdade, os nossos jovens são só grandes e pouco sabem fazer. Não conhecem os fundamentos do jogo“, disse ele.

Os jovens devem aprender a jogar em todas as posições, vejam como jogam os irmãos Gasol. Porque razão é que 90 por cento do plantel dos Spurs é constituído por jogadores europeus ?”.

Bryant, que cresceu na Itália, nunca jogou nas Competições da AAU. Provavelmente, se o tivesse feito seria outro jogador .

Eu, provavelmente, não seria capaz de driblar e lançar com a esquerda e de ter  bom jogo de pernas”, disse Bryant.”

As Associações Americanas

O  basquetebol Universitário está dividido em três associações nacionais : NCAA, NAIA e NJCAA. A NCAA não é só Duke, North Carolina ou  Kentucky , onde os nossos atletas não têm lugar. Há centenas de escolas onde podem jogar

O número de bolsas de estudo é limitado e depende da Divisão a que pertence a escola. Assim:

 Competição Numero equipas Bolsas Masculinas por Universidade
NCAA D1 348 13
NCAA D2 302 10
NCAA D3 425 0
NAIA D1 116 11
NAIA D2 123 6
NJCAA 435 15

 

Na NCAA, teoricamente, os  jogadores são estudantes e amadores, mas a realidade é bem diversa e os escândalos são uma constante.

O debate relativamente ao pagamento aos atletas está novamente lançado e a divergência é grande entre os que  defendem que só devem alinhar atletas estudantes amadores e os quem aceitam que a prova se transforme numa liga menor com pagamentos aos jogadores. Claro que quem tem sucesso segue para a NBA ou para a Europa. O pior são os outros: a maioria fica sem opções , sem educação e sem emprego.

Não seguiram os pioneiros

No passado recente, João Santos (Nevada Reno  NCAA D1) em 2001, Seco Camara (George Washington NCAA D1) em 1999, Carlos Andrade (Queens NCAA D2) em 2003 e João Paulo Coelho (Miami  NCAA D1) em 2003, foram os pioneiros e mostraram  aos jogadores nacionais que existia, cruzando o oceano , um mundo novo chamado NCAA .

2 março
Pena foi que tivéssemos nessa altura perdido a oportunidade de enviar também o gigante Armando Mota (2.10m) que certamente teria feito uma carreira bem diferente no basquetebol nacional

As  anteriores experiências foram bem sucedidas  e seria  suposto que, depois destes atletas terem aberto o caminho, outros fizessem a sua formação académica e desportiva na gigantesca competição norte-americana. Infelizmente, tal não se sucedeu. Os nossos jovens talentos optaram por ficar em casa: uns no CAR, outros a disputarem um campeonato sem o mínimo de interesse de Sub-20 e alguns a jogarem alguns minutos nas divisões seniores  inferiores .

Não se entende a opção, já que todos  sabemos que entre nós, é muito complicado estudar numa Universidade e participar  num  desporto de elite mais ou menos profissional .

Por outro lado, ao  contrário dos nossos vizinhos espanhóis nunca conseguimos criar competições secundárias de qualidade. As agora denominadas Ligas de Ouro e Ligas de Prata permitiram aos espanhóis mais jovens competirem de forma ativa .

Em Portugal, as  competições criadas primam pelo amadorismo o que traz  consequências nefastas para a modalidade.Continuamos com o escalão de Sub-20 que não faz qualquer sentido. O  nível formativo nos clubes é baixo e os resultados dos CARs não são visíveis . Não conseguimos formar jogadores de elite . Na atualidade os melhores continuam a ser os “trintões”  (João Santos, Marçal, Minhava e companhia).

Nesta  altura de crise, aparece como uma  boa alternativa para os nossos atletas: a NCAA, uma prova que respeita e consegue a compatibilidade entre os estudos e o desporto.

O pior que pode acontecer a um jogador que passe pelo basquetebol universitário é que  fique durante quatro anos e, mesmo que não tenha sucesso no basquetebol, consiga acabar uma carreira universitária e tenha um diploma que lhe possibilite entrar no mercado de trabalho

Na atualidade, a realidade nacional no setor masculino continua bastante conservadora, ao contrário do setor feminino onde se assiste a uma fuga maciça de talentos .

Quanto a atletas nacionais a jogarem presentemente nos Estados Unidos, conseguimos localizar os seguintes:

Daniel Relvão Mountain Mission High School
Ruben Silva South Dakota State NCAA D1
Óscar Pedroso Chaminade NCAA D2
Cândido Sá San Jacinto College Central NJCAA
Luís Câmara 22FT Academy Prep School
Gonçalo Stringfellow Northwood University (FL) Junior Varsity Team/NAIA
Tiago  Mascarenhas IMG Academy High School

 

O facto dos nossos escalões de formação  não conseguirem bons resultados nas competições da FIBA e, obviamente,  não  disputarem a Divisão A de nenhum Campeonato Europeu, é demonstrativo do nível do basquetebol masculino e também impede que os “scourters“ das Universidades avaliem os atletas.

Gigante de Coimbra vive sonho americano

3 março
Daniel Relvão, a maior esperança do basquetebol nacional, atua nos EUA

O jovem  gigante Daniel Relvão, 2.08 m , a atuar  na  Mountain Mission,  High School, nos EUA , é o atleta em que se deposita maior esperança no basquetebol nacional. Com pouco tempo de prática – 2 anos apenas – o jovem de Coimbra, que anteriormente praticava natação, tem tido uma evolução acelerada e é hoje figura de destaque na competição escolar local .

Internacional Sub 18 , Divisão B, o extremo-poste alinhou no  passado Verão em representação de Portugal em todos os nove encontros com médias de 8.2 pontos,  5.2 ressaltos e 3 desarmes de lançamento.

O jovem está referenciado no  High School , ocupando o lugar 385 no ranking do site 247 Sports , com direito a duas estrelas.

4 março

A posição é modesta mas já lhe garantiu uma bolsa de estudo para a época de 2015-16, em Valparaíso. É o primeiro atleta de Mountaineers Mission a receber  tal distinção da 1 Divisão  da NCAA.

As opiniões dos Scouters e o filme não enganam :

Relvão tem  um bom lançamento e domina alguns dos fundamentos do jogo, mas necessita de ser mais agressivo, o que acontecerá quando ficar mais familiarizado com o seu corpo e quando ganhar mais experiência. Vai ter de  trabalhar muito para melhorar a  compreensão do jogo e a tomada de decisões. Na defesa é preguiçoso e toma opções erradas. Ganha bem posições interiores mas tem de melhorar o jogo a poste baixo. Com apenas uma época nos Estados Unidos tem feito grandes progressos. Tem boa mobilidade e sabe jogar com as duas mãos.

Parece bem encaminhada a aventura americana deste jovem português, que começa claramente a justificar o convite para ingressar nas competições escolares, feito pelos responsáveis da NBA, aquando da realização em Almada, no passado verão, do “Basketball Without Borders” e a merecer a atenção do selecionador nacional.

Comentários

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De jogador a treinador, o êxito foi uma constante. Se o Atletismo marcou o início da sua vida desportiva enquanto atleta, foi no Basquetebol que se destacou e ao qual entregou a sua vida, jogando em clubes como o Benfica, CIF – Clube Internacional de Futebol e Estrelas de Alvalade. Mas foi como treinador que se notabilizou, desde a época de 67/68 em que começou a ganhar títulos pelo que do desporto escolar até à Liga Profissional foi um passo. Treinou clubes como o Belenenses, Sporting, Imortal de Albufeira, CAB Madeira – Clube Amigos do Basquete, Seixal, Estrelas da Avenidada, Leiria Basket e Algés. Em Vila Franca de Xira fundou o Clube de Jovens Alves Redol, de quem é ainda hoje Presidente, tendo realizado um trabalho meritório e reconhecido na formação de centenas de jovens atletas, fazendo a ligação perfeita entre o desporto escolar e o desporto federado. De destacar ainda o papel de jornalista e comentador de televisão da modalidade na RTP, Eurosport, Sport TV, onde deu voz a várias edições de Jogos Olímpicos e da NBA. Entusiasmo, dedicação e resultados pautam o percurso profissional de Mário Silva.                                                                                                                                                 O Mário escreve ao abrigo do novo Acordo Ortográfico.