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A «pandemia» do Coronavírus chegou e afetou a maioria dos eventos desportivos, que decorriam por todo o mundo. A NBA não passou impune e o pânico gerado à volta do vírus eludiu para medidas rápidas e imperativas por parte dos responsáveis norte-americanos.
Depois de Stephen Curry (principal estrela dos Golden State Warriors) ter assustado, quando obteve sintomas do vírus (testou negativo e apenas sinalizou um “falso alarme”), os Warriors não deixaram passar despercebido e reagiram de imediato, comprometendo-se a realizar jogos à porta fechada. O caso de Rudy Gobert (1.º atacado pelo coronavírus), acabou por forçar ao acionamento de medidas mais extremas por parte dos responsáveis da liga, provocando a suspensão de toda a competição.

Fonte: NBA
A leveza com que os jogadores e os responsáveis em torno das equipas levaram este assunto provocou dois casos sérios de infetados pelo COVID-19, sendo ambos companheiros de equipa: Donovan Mitchell e Rudy Gobert, dos Utah Jazz, estando o último ligado a atitudes infelizes perante o assunto do vírus. Para o fortúnio de todos, ainda não houve a informação de mais infetados, mas nada garante que não haja, desde fãs a árbitros, todos correm risco e estão a ser recomendados a executar a quarentena voluntária.
Na 2a feira Rudy Gobert ironizou os protocolos contra o coronavírus tocando em todos os microfones e gravadores na coletiva do jazz. Hoje ele testou positivo para o vírus. Sem mais para o momento / pic.twitter.com/lNSTASD6xO
— Fábio Balassiano (@balanacesta) March 12, 2020
E agora, como vai ser a NBA?
Sendo uma das ligas que mais espectadores acarreta e mais receitas gera por todo o mundo, a expectativa em torno de como se irá desenrolar o resto da temporada é brutal.
Financeiramente é, desde já, prevísivel uma queda drástica nas receitas. Segundo o economista Scott Kaplan, que se tem dedicado ao universo económico da NBA, a perda potencial de receita da liga pode ser avaliada entre um mil milhão e os dois mil milhões de dólares. Prevê-se assim um prejuízo gigante, que provocará com certeza consequências no teto salarial de todos os envolvidos e que dependem da NBA para sobreviver, desde atletas a empregados de cafés, cujo «ganha pão» depende das partidas da liga norte-americana.
Resultado disto, tem existido uma onda muito positiva de solidariedade entre vários jogadores e equipas, em redor da recente suspensão da liga. Conscientes das dificuldades das pessoas que trabalham e são dependentes da liga para sobreviver, Kevin Love, Giannis, Zion Williamson, Rudy Gobert, os Dallas Mavericks e os Golden State Warriors são todos exemplos da união e cooperação que deve estar sempre presente.

Fonte: New Orleans Pelicans
O rookie Zion Williamson, que tem conquistado os fãs dentro de campo, acaba também por conquistar os mesmos fora dele, sendo um dos primeiros atletas a anunciar que vai pagar os salários a todos os trabalhadores do Smoothie King Center, nos próximos 30 dias. Em publicação na rede social Instagram, o jovem norte americano afirmou ser algo “maior que o basquetebol”. Para além de Zion, o atual MVP da NBA (Giannis Antetokounmpo) e Kevin Love vão também doar 100 mil dólares, de forma a cobrir as despesas dos respetivos funcionários dos pavilhões das suas equipas em questão.
Rudy Gobert, primeiro infetado confirmado pelo Corona vírus fará um esforço ainda maior, oferecendo cerca de 500 mil dólares de modo a ajudar todos os que trabalham na Vivint Smart Home Arena, sendo que o internacional francês vai ainda apoiar os serviços sociais em Utah e na cidade Oklahoma relacionados com o COVID-19.

Fonte: Utah Jazz
Desportivamente, ainda é uma incógnita de como a liga irá proceder após o «caos» do COVID-19 estabilizar, ao passo que a incerteza do tempo desta suspensão confere grande dubiedade nos responsáveis da NBA. Será necessário grande cooperação entre os front offices de todas as equipas, que irão ter que chegar a um consenso relativamente a várias questões que preocupam os fãs e os jogadores.
Em primeiro lugar, é importante perceber como o vírus irá evoluir e se isto durará «apenas» os trinta dias decretados, ou se o período de suspensão terá de ser alargado. Na melhor das hipóteses, em 30 dias estará tudo mais calmo e será possível retomar a competição, mas como irão atuar após uma pausa tão longa? Haverá mais jogos da fase regular ou as equipas vão diretamente para os playoffs?
Muitas questões são, atualmente, inviáveis de responder, contudo já deverão existir conversas e propostas colocadas em cima da mesa, visto que não é a primeira vez com que a NBA terá de conviver com uma redução substancial de jogos no calendário.
A época 2011-2012 pode ser exemplo?
Apesar de ser um exemplo recente em que a liga norte-americana viu ser reduzido, substancialmente, os jogos da fase regular, aqui a resposta é não. O problema, por outro lado, subsistiu em um “locaute”, por conta de um impasse trabalhista, obrigando a que a época começasse em 25 de dezembro de 2011 e terminasse em 26 de abril de 2012. Nesta temporada em questão, foram jogados apenas 66 jogos de fase regular, sendo que os problemas envolvidos na altura, têm zero correlação com o assunto extraordinário com que estamos a lidar no momento.
Atualmente, é importante olhar o exemplo da CBA (Liga Profissional Chinesa) que foi a primeira liga de basquetebol a suspender a época, resultado do coronavírus, no primeiro dia de fevereiro. As opções colocadas em cima da mesa pelos responsáveis chineses, após a estabilização do vírus foram várias, desde jogar à porta fechada, fazer todos os jogos em uma ou duas cidades ou reduzir o calendário, significando um «confronto» com o realismo, pelo facto de existir menos tempo para realizar a temporada e, consequentemente, glorificar o campeão.
Por fim, é crucial todos os envolventes respeitarem a quarentena e conservarem ao máximo a saúde de todos os intervenientes. Depois de todas estas adversidades serem resolvidas, aí sim, deve-se pensar em soluções e medidas, de forma a reduzir ao máximo os constrangimentos provocados pelo Coronavírus.
Até lá, a NBA vai ter uma pausa sabática, resta saber durante quanto tempo…
Artigo redigido por: Diogo Silva
Foto de Capa: Utah Jazz
Artigo revisto por Diogo Teixeira













