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Marcus Smart não sabe lançar, yo!

Gustavo Carvalho · 4 min

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Os Black Company não o dizem na sua música “Nadar”, conhecida pela expressão “não sabe nadar, yo”, mas eu digo-o: Marcus Smart não sabe lançar, e deixemos o “yo” para os rappers.

“Com a 6ª escolha no Draft de 2014, os Boston Celtics escolhem… Marcus Smart, um jogador com lançamento duvidoso e moderadamente aceitável no resto”, também não foi o que disse Adam Silver (comissário da NBA e, consecutivamente, responsável por anunciar os selecionados na primeira ronda de todos os Drafts), mas eu, mais uma vez, digo-o: Marcus Smart não sabe lançar.

Numa análise pouco lúcida podemos afirmar que Marcus Smart é inofensivo e, permita-me acrescentar, não sabe lançar, mas o base dos Celtics ocupa uma posição muito especial: é a peça central no sonho do 18º título dos Boston Celtics, a equipa mais consagrada na história da NBA.

De facto, Kyrie Irving é a óbvia estrela da equipa. Sem a sua qualidade ofensiva e o recente esforço defensivo, os Celtics não estariam na luta pelo primeiro lugar da Conferência Este. Por outro lado, os Celtics têm na defesa coletiva, implementada pelo genial treinador Brad Stevens, a sua arma mais poderosa – estatisticamente são a melhor defesa de toda a liga – e é aí que entra Smart.


A época dos Celtics

No primeiro jogo da temporada, os Boston Celtics defrontavam os Cleveland Cavaliers. As duas equipas eram apontadas, à partida, como as melhores da Conferência Este. O jogo era irresistível! Os Celtics tinham perdido nas finais do Este contra os Cavs por três jogos a um e, numa tentativa de encontrarem um novo rumo, trocaram dois dos seus melhores jogador, Isaiah Thomas e Jae Crowder, por Kyrie Irving, o ex-base dos Cavs e comparsa de LeBron James no percurso para o título em 2016. A troca corroeu os Cavaliers de tal forma que nem Crowder nem Thomas estão na equipa.

Cerca de seis minutos depois da primeira bola ao ar da época, Gordan Hayward, ex-estrela dos Utah Jazz, que se tinha juntado aos Celtics durante o verão, cai de forma asquerosa e sofre uma das lesões mais duras de digerir. Nesse momento acabou a época para Hayward, e possivelmente para os Celtics.

Depois de iniciarem da pior forma a temporada, com duas derrotas consecutivas frente aos Cavaliers e Milwauke Bucks, a sorte bateu à porta dos célticos, não fosse a sua mascote chamar-se “Lucky the Leprechaun”.

Seguiram-se dezasseis fantásticas e emocionantes vitórias, preenchidas por imensas vitórias após reviravoltas. Atualmente ainda usufruem dessa sequência de triunfos, ocupando o segundo lugar do Este, mesmo atrás dos Toronto Raptors.

Muito do inesperado e resiliente sucesso tem passado pelas mãos dos jovens jogadores: o base Jaylen Brown e o extremo Jayson Tatum, respetivamente de 21 e 19 anos. Eu tenho 19 anos e dificuldades em acertar um lance livre, já este jovem é titular numa equipa da NBA.

A equipa em quem Brad Stevens confia no momento das decisões: (da esquerda para a direita) Al Horford, Marcus Smart, Kyrie Irving, Jayson Taum e Jaylen Brown
Fonte: NBA

Entre vistosos jovens talentos, Marcus Smart mal se vê. Passa despercebido entre jogadas geniais de Kyrie, afundanços espetaculares de Jaylen Brown e triplos de Jayson Tatum. Contudo, na defesa não há como não sentir a sua presença.

Num dos melhores jogos da fase regular, os Houston Rockets ganhavam por três pontos com 11,6 segundos para o fim da partida. Os Boston nunca tinham liderado o marcador, tendo estado a perder por 26 pontos ao intervalo. Nos segundos finais, a pressão de Smart a James Harden, um dos melhores jogadores da NBA, deu a vitória à equipa da casa, num jogo que ficará para a história. O melhor é mesmo comprovar…

Smart supera os poucos dotes ofensivos com uma exímia qualidade defensiva. Smart personifica a paixão e a resiliência. Porém, disto advém uma atitude impulsiva: depois de falhar um lançamento que custou a derrota aos Celtics diante dos eternos rivais, Los Angeles Lakers, Marcus lesionou a mão direita ao esmurrar uma moldura. Um pedaço de vidro ficou preso entre dois tendões e, caso perfurasse um deles, teria sido o fim da época par Smart. Durante o mês em que recuperava da lesão, cada jogo dos Celtics tornava a sua defesa um pouco mais irreconhecível. Três jogos após o seu regresso, os Celtics arrecadaram três vitórias com três boas prestações defensivas:

Este ano Smart termina o seu contrato, apesar de os Celtics terem a opção de superar qualquer oferta que lhe seja proposta na offseason. Discute-se imenso o seu futuro. Há quem desvalorize a sua função na equipa, mas torna-se impossível apostar contra este jogador. Nos jogos difíceis, mesmo estando a jogar mal, Smart impõe-se com jogadas decisivas. Deixá-lo lançar demasiados triplos! Deixá-lo lançar de todo! Como se costuma dizer na NBA: “Offense wins games, defense wins titles”. Os Celtics estão no caminho certo, espero que continuem a ser inteligentes.

Foto de Capa: Clutchpoints

Gustavo Carvalho

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