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NBA Draft 2020: Top 3 jogadores internacionais

Diogo Silva · 10 min

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Com a NBA cada vez mais atenta aos talentos provenientes do estrangeiro, são vários os jogadores jovens a jogar fora dos EUA e a merecer atenção especial por parte dos observadores norte americanos. Depois do ressurgimento de atletas tais como Giannis Antetokounmpo, Luka Doncic ou Jokic, provenientes do continente europeu, há uma especial preponderância para valorizar jogadores jovens oriundos dos demais países europeus.

Este ano, apesar de não haver um jogador com o currículo de Luka Doncic, ou com o potencial de Giannis, tem jogadores que merecem a nossa atenção. Veja aqui o nosso top 3.

1.

Fonte: Maccabi Tel Aviv Basketball

Deni Avdija – Nascido em 2001, Avdija é um jovem Israelita que conta com um currículo bastante interessante, sendo um dos jovens com maior «bagagem» de experiência neste Draft. Com isto, refiro-me às inúmeras participações em torneios internacionais, onde o jovem israelita foi sempre uma das figuras de destaque. Em 2018, obteve presença no cinco ideal do europeu sub-20, na qual a Israel venceu, executando números bastante positivos (12.7 pontos, 6.4 assistências e 1.3 roubos de bola por jogo). No ano seguinte, foi mesmo o “MVP” do europeu sub-20, ao qual a sua seleção venceu novamente, fazendo números que fizeram subir muito a sua cotação no Draft (18.4 pontos, 8.3 ressaltos e 5.3 assistências). Apesar disto, a sua pobre presença na Euroliga, pelo Maccabi, não lhe possibilitou realizar grandes números(3.9 pontos e 1.5 ressaltos de média por encontro), deixando alguns observadores céticos.

Mas aqui vê-se efetivamente o impacto de Doncic nos observadores norte americanos, ao passo que Deni, mesmo não realizando os números que Luka havia realizado, está muito bem projetado no Draft, sendo que a experiência ao nível profissional desde muito novo, está a ser altamente valorizado. Isto, para além de que a «falha» de Suns e Kings no Draft de há duas temporadas atrás (ao não escolher o esloveno como a primeira escolha), não quer ser repetida e é natural que os scouts estejam a prestar atenção a um possível «novo Doncic».

Logicamente, que Avdija não é Luka Doncic, aliás, o esloveno é um talento geracional e difícilmente aparecerá tão cedo um jogador tão jovem e com o impacto brutal que Luka está a ter e já obteve (quer na Euroliga, quer na NBA), contudo Deni merece o crédito que está a arrecadar, não só pela experiência prematura em palcos de «homens», como pela sua idiossincrasia vencedora.

Na liga Israelita, Deni Avdija, como mencionado anteriormente, não pegou grande destaque na Euroliga, mas foi consistente na Liga Israelita: 12.3 pontos, 5.9 ressaltos e 2.4 assistências, em 55.5% lançamentos de campo, por jogo.

PRÓS

Deni Avdija, apresenta uma estatura elevada (2.05 metros) e uma capacidade atlética interessante para um jogador que controla bem as ações com bola, mesmo não sendo um base. O internacional israelita, apresenta também um conhecimento profundo do jogo, sendo extremamente disciplinado taticamente.

O lançamento apresenta-se como uma das principais proeminências no seu jogo, ao passo que utiliza uma mecânica de lançamento bastante ortodoxa e rápida. Resultado da sua estatura, Deni também aproveita muitas vezes os «miss match» que lhe aparecem à frente, jogando inúmeras ocasiões de costas para o defensor, de modo a finalizar perto do cesto. Isto resulta, essencialmente, se o próprio for defendido por extremos/ bases de altura inferior, que terão maiores dificuldades em contestar o seu lançamento.

Avdija é muito simples e pragmático em praticamente todas as ações dentro de campo, sendo em pick and roll e em transição ofensiva onde o jovem israelita revela os seus principais dotes, sendo um passador muito preciso e com a percepção exata dos espaços que os colegas ocupam. Defensivamente Avdija tem potencial, mesmo não sendo um defensor muito atlético aquando comparado com os adversários que irá defrontar na NBA, compensa pelo esforço e entendimento dos processos defensivos coletivos, mantendo-se quase sempre na frente do opositor no 1×1.

CONTRAS

Apesar de ser um bom jogador nas mais diversas áreas do jogo, Avdija não se destaca em nenhuma área em particular, tendo que evoluir significativamente a sua capacidade de criação de jogo e no 1×1 em isolação. Mesmo sendo pragmático, com adversários de maior capacidade atlética torna-se fácil para os mesmos ficarem na frente do israelita e de contestar o seu lançamento. Apesar de ser atlético, o contexto de NBA não é igual ao da Euroliga e Liga Israelita, sendo que precisará de fazer um reforço significativo em termos de musculação e principalmente no que toca à velocidade e acelaração/desaceleração, visto que o jogo pratica-se a um ritmo bem mais acelerado na liga norte americana. Inclusive, terá que ser mais explosivo para resistir melhor ao contacto perto do cesto, caso contrário terá muitas dificuldades perante jogadores de maior dimensão e consequentemente estará um pouco mais limitado a lançamentos de meia distância.

Deni Avdija, tem atualmente ferramentas para ter sucesso na NBA, todavia é realista dizer que não terá o impacto que jogadores como Doncic ou Giannis estão a ter na liga norte americana. Não obstante, é um dos melhores “produtos basquetebolistas” da história israelita e será certamente a escolha “internacional” mais bem cotada no Draft deste ano.

2.

Fonte: Ratiopharm Ulm

Killian Hayes – Nascido em 2001, Hayes teve em Cholet’s a sua primeira experiência profissional, que apesar de ter sido satisfatória não foi exatamente o que esperava, ao passo que o clube passava dificuldades e encontrava-se de forma regular nos últimos lugares da tabela, contexto ao qual Hayes não queria estar inserido. Como tal, o jovem francês considerou mudar de “ares”, juntando-se a uma das melhores equipas alemãs, que atuava na Eurocup (Ratiopharm Ulm).

Na Alemanha, Hayes realizou números bastante interessantes, ao passo que na Eurocup executou 12.8 pontos, 6.2 assistências, 1.5 roubos de bola em 26.8 minutos por jogo, com percentagens positivas (90% da linha de lance livre, 45% de lançamentos de campo).

Na BBL (liga profissional alemã), esteve uns furos ligeiramente abaixo, todavia não deixou de realizar números convincentes do seu talento, com 11.6 pontos, 5.3 assistências, 1.4 roubos de bola em 24.5 minutos por jogo com uma eficácia ligeiramente melhor (49.7% de lançamentos de campo).

PRÓS

Hayes tem uma estatura significativa para a posição onde atua (1.96 metros) e tem um excelente controlo das ações que gere com bola, ao passo que executa tudo com grande fluidez, sendo que foi sempre o base primordial das equipas onde atuou. Hayes é um jogador que consegue marcar de qualquer zona do campo, sem denunciar muito as suas ações, utilizando frequentemente o «step back» para criar espaço. O jovem francês é também um dos melhores passadores no Draft, sendo capaz de “pensar em movimento” como poucos e de fazer o passe após drible. No drible, Killian não é ilustre, nem tem um arsenal vasto de movimentos, mas não força e tende a executar movimentos simples, conjugando com hesitações e fintas de corpo que também podem ser importantes. Em termos defensivos Hayes não é brilhante, porém tem uma média impressionante de 1.5 roubos de bola por jogo na Eurocup e 1.4 na BBL.

CONTRAS

Apesar da sua estatura significativa, não se apresenta um atleta fora de série, nem é explosivo como outros bases no Draft (Cole Anthony por exemplo), apesar de que haja espaço para evoluir neste aspeto. Em termos de lançamento, todavia apresente grande versatilidade no que toca às zonas do lançamento onde atira (podendo lançar de três, meia distância ou até mesmo na zona pintada) Hayes não arrisca muito, não fazendo portanto grandes números. Da linha dos três pontos tem que evoluir  (18.2% no seu último ano com a equipa Cholet, na França), de modo a constituir uma ameaça maior e a obrigar atenção redobrada ao seu adversário direto.

Em termos de jogo, ele apresenta-se semelhante a por exemplo D’Angelo Russell em muitas ações, não apressando o jogo, sendo calmo e assertivo, todavia fazendo uso excessivo da sua mão esquerda, podendo causar dano em ações perto do cesto, sendo que o francês raramente utiliza a mão direita para finalizar.

À semelhança de outros bases no Draft, como é o seu compatriota Maledon, Hayes também não tem na defesa o seu aspeto mais forte, todavia tenha instintos que lhe fazem antever certas jogadas e conseguir muitos roubos de bola.

Por fim, Killian Hayes é dos bases com maior potencial a surgir de França na última década, sendo projetado por muitos como jogador para entrar no top-10 ou top-5, enquanto escolha de lotaria.

3.

Fonte: LDLC ASVEL

Theo Maledon – Com um trajeto semelhante aos jogadores mencionados nesta lista, Maledon, proveniente de Rouen e nascido em 2001, tornou-se num dos jogadores mais jovens a estrear-se na liga profissional francesa. O jovem francês conquistou vários títulos individuais e coletivos, tais como uma presença no jogo «All Star» da LBN e o prémio de «melhor jogador jovem», enquanto simultaneamente ajudou a sua equipa (ASVEL) a vencer a liga e a taça.

Depois de 62 jogos na temporada 2018-19, com o ASVEL, onde executou números interessantes (sete pontos, duas assistências, em apenas 17 minutos por jogo),  mereceu a presença no jogo «All Star», tornando-se o mais jovem de sempre a fazê-lo, com apenas 17 anos. Depois de uma temporada feliz, Theo estava projetado como o principal candidato a vencer o prémio «Rising Star» da Euroliga, que premeia o melhor jogador jovem da competição. Apesar de uma lesão no ombro que lhe tirou da competição durante um mês, o jovem internacional francês recuperou e tem feito médias satisfatórias na Euroliga (7.4 pontos e 3.1 assistências em apenas 17.7 minutos por jogo).

PRÓS

Maledon apresenta-se como um base versátil, que pode tanto atuar como o principal transportador da bola, como pode funcionar como base secundário, oferecendo boa capacidade de se movimentar sem bola e de atingir os espaços certos para finalizar jogadas. Em termos atléticos, tem muito espaço para evoluir apresentando-se, neste momento, com 1.92 metros e uma envergadura interessante (isto, sendo referente à envergadura dos seus braços naturalmente), sendo fulcral no seu jogo defensivo.

Ofensivamente, executa de forma notável em ações de pick and roll, tomando por norma sempre a melhor decisão. Não é explosivo, nem tem grande físico que lhe permita vencer alguns duelos, todavia é extremamente ágil e habilidoso em escapar ao adversário e a posteriormente finalizar. Em termos de seleção de lançamento, o base francês acarreta uma boa seleção do mesmo, ao contrário da maioria dos jovens a entrar para o Draft. Theo, evita (quase) sempre lançamentos forçados e utiliza uma mecânica de lançamento eficaz, com um timing bom, onde o único aspeto que poderá evoluir é a velocidade do mesmo, para evitar desarmes de lançamento (no próximo nível será imporante).

CONTRAS

Apesar de ser habilidoso, não regista um drible ilustre, nem é sempre o criativo que a equipa necessita, tendo dificuldades em situações de isolação. Theo é bom na tomada de decisão, mas não tem a melhor visão de jogo e pode ceder muito sob pressão, colocando-se de costas para o jogo, podendo aqui cometer turnovers pela ausência do «timing» certo no momento da decisão.

À semelhança de Lamelo Ball não tem grande rapidez na lateralização de movimentos, tendo que evoluir o seu trabalho de pés, contudo demonstra melhor noção e consciência defensiva que o jovem norte americano. Em regime europeu, Maledon foi sempre induzido a pressionar o oponente direto, onde tem algum sucesso, contudo contra jogadores de maior porte físico poderá ser uma vulnerabilidade.

Em 1×1, Theo tem muitas dificuldades em defender, ao passo que a sua capacidade atlética aquando comparado com os seus oponentes será um fator importante. Para além disso em pick and roll defensivo, o jovem francês tende a ficar sempre atrás no momento do bloqueio direto (demorando a recuperar a posição), podendo criar uma situação de desvantagem para os seus colegas.

Em suma, Theo Maledon é um jovem talentoso que consegue manusear de forma exímia em espaços curtos com grande tomada de decisão. Theo é um dos jogadores com maior potencial neste Draft e há expectativas para perceber se terá o sucesso imediato de Tony Parker (ex jogador do ASVEL e lenda dos Spurs) ou se terá as dificuldades de Frank Ntilikina.

Deni Avdija apresenta-se como o melhor cotado pelos «scouts» no Draft deste ano
Fonte: Maccabi Tel Aviv Basketball

Para concluir, estes são os três principais jogadores a jogar fora dos EUA, que se irão apresentar no Draft deste ano. Os observadores, inclusive, colocam os três como escolhas de lotaria.

Poderão não ser um Doncic ou um Giannis, mas a verdade é que talento não lhes falta e denota-se cada vez mais uma NBA «sem fronteiras», com vários talentos a surgir do continente europeu.

Foto de Capa: Maccabi Tel Aviv Basketball

Diogo Silva

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