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Os Clippers resumidos num fim de semana

António Pedro Dias · 3 min

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Cabeçalho modalidadesForam dois dias de extrema importância para os Los Angeles Clippers: com jogos caseiros frente aos Utah Jazz e Sacramento Kings, a equipa treinada por Doc Rivers tinha a oportunidade de se aproximar do quarto lugar (ocupado pelos Jazz), que dá direito a vantagem caseira na primeira ronda dos playoffs. Com uma vitória confortável sobre os Jazz no sábado e uma vantagem de dezoito pontos a cinco minutos do fim, no domingo, o fim-de-semana da equipa de L.A. parecia bem encaminhado. O problema é que depois aconteceu o que acontece sempre: os cérebros pararam de funcionar, os braços já não sabiam lançar uma bola, as pernas não tinham força suficiente para correr para a defesa e os Clippers perderam contra uma equipa que, nesta altura da época, está mais interessada em derrotas em casa, voltando a afastar-se do quarto lugar.

O fim-de-semana começou bem para os Clippers, que se aproximaram dos Utah Jazz, concorrentes diretos na luta pelo quarto lugar da Conferência Oeste e garantiram matematicamente a sua presença nos playoffs. Foi um jogo dominado do início ao fim pela equipa de Doc Rivers, que teve, por isso, a possibilidade de descansar os seus melhores jogadores, durante mais tempo, durante o jogo. Este era um aspeto importante, uma vez que, 24 horas depois, os Clippers estariam de volta ao Staples Center para defrontar os disfuncionais Sacramento Kings.

E no domingo, tudo parecia correr de acordo com o esperado: a cinco minutos do fim da partida, os Kings iam perdendo 94-76 em casa dos Clippers, que já iam “esvaziando o banco”, aproveitando para descansar os titulares. O mundo dos Clippers era cor-de-rosa, recheado de algodão doce e arco-íris. Mas como sempre acontece (e reforço o sempre, porque não é exagero), a equipa de Los Angeles veria o seu mundo escurecer num ápice. Os Kings começaram um parcial de 22-3,  que só parou na buzina final, com a equipa da casa a conseguir os seus pontos apenas da linha de lance-livre. Chris Paul, DeAndre Jordan, Blake Griffin e companhia saltaram para o campo para tentar evitar o descalabro, mas só ajudaram à festa de lançamentos falhados de uma equipa que tem o estranho hábito de bloquear nas piores alturas, época sim, época sim.

la clippers nba
Fonte: usatoday

Para tornar este jogo de domingo em algo ainda mais surreal, por 360 vezes uma equipa chegou aos últimos cinco minutos do jogo a ganhar por 18 pontos ou mais, esta temporada na NBA. Em 359 ocasiões, a equipa ganhou. Porém, no domingo, os Clippers inovaram. Esta é a mesma equipa que já desperdiçava vantagens de 3-1 nos playoffs antes dos Warriors fazerem disso uma proeza viral. Os Clippers são também a equipa que deposita, ano após ano, todas as suas esperanças num campeonato, para saírem antes das finais de conferência. Aliás, eu proponho aqui que se acrescente ao dicionário o verbo “Clippar”, que significaria “estar bem encaminhado, mas falhar no final”.

A boa notícia no meio disto tudo para os adeptos dos Clippers é que este ano a sua saída precoce dos playoffs não deixará um “amargo de boca”. Será sim apenas parte do curso normal de uma equipa que parece não querer dar o passo seguinte, comandada por um treinador que vive dos seus sucessos de há dez anos atrás e que é incapaz de assumir as suas culpas, uma vez que seja.

Foto de capa: nbalead

Artigo revisto por: Francisca Carvalho

António Pedro Dias

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