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A selecção portuguesa feminina de sub-17 conseguiu o 12.º lugar, na estreia de uma equipa de formação, no Campeonato do Mundo de Basquetebol.
Depois do brilhante 2.º lugar no Campeonato da Europa de sub-16 , do ano anterior, era difícil fazer melhor.
Os outros cinco concorrentes europeus que participaram na prova desta vez ficaram todos à nossa frente, um sinal a ter em conta. Destaque para a evolução da Itália, que tinha sido 3.ª nas sub-16 e agora é vice-campeã mundial. A República Checa, a campeã nas sub-16, é 5.ª mundial: venceu a Espanha por 63-51, que aproveitou bem o factor casa (depois do “fracasso” do ano anterior, em que ficou em 4.º lugar) para chegar ao 6.º lugar. A França foi 6.ª no Europeu e 8.ª no Mundial. Finalmente, a Letónia tinha sido 5.ª no Europeu e conseguiu ser 10.ª no Mundial.
Os Estados Unidos, que nos campeonatos anteriores tinham ganho sempre a medalha de ouro, e nunca tinham perdido um jogo, desta vez foram surpreendidos nas meias-finais pela Austrália (73-60) e ficaram com a medalha de bronze (vitória sobre a China por 65-50).
A Itália e a Austrália pela primeira vez atingiram a final da prova. Vitória fácil das australianas, por 62-38.
Histórica, a presença do Mali (11.º classificado), que conquistou três vitórias, o que nunca tinha sido alcançado por equipas africanas.
Objectivo concretizado
Portugal, que se preparou com afinco para a prova, partiu com algumas limitações que se veriam a revelar determinantes numa prova com esta exigência, com a única referência no jogo do interior (Beatriz Jordão) bastante condicionada fisicamente e naturalmente longe do que pode render (jogou apenas 20 minutos por jogo com números modestos para sua capacidade: 5,5 pontos e 6,5 ressaltos).
Era também previsível que com o decorrer da prova a base Ana Ramos (MVP em Matosinhos) diminuísse a produtividade. Entrou a todo o gás com a Espanha (27 pontos marcados) e acabou mal no último jogo com o Mali (zero pontos marcados em nove lançamentos ao cesto). Sem alternativa à altura, teve uma tarefa muito complicada, jogando a maioria do tempo.
À sua maneira o treinador, Agostinho Pinto, motivou uma equipa que jogou sempre de forma intensa. Nem sempre eficaz, nomeadamente nas acções ofensivas, mas conseguiu que o todo desta selecção nacional fosse maior que a soma das partes.

Fonte: FIBA
O objectivo proposto atempadamente pelo treinador foi concretizado:
“O nosso grande objectivo passa por vencer um jogo, já que não há um grande conhecimento sobre as outras equipas. O segundo objectivo é irmos o mais longe possível na competição, sendo que tudo poderá acontecer”. Ganhámos um jogo ao Mali e deixámos três concorrentes para trás (México, Coreia e Brasil).
As opções do técnico
No ataque as lacunas foram evidentes. Face a adversários poderosos lançámos mal, como atestam os números finais: 26% em lançamentos de campo, 19% nos triplos, 30% nos duplos, e só fomos razoáveis nos lances livres, com 69% . O modelo de jogo nacional tem por objectivo preservar a posse de bola, utilizando movimentos inicias em que os jogadores procuram castigar a defesa contrária (“False Play”) e depois rentabilizar ao limite os atletas com maior potencial. A opção passou quase sempre por jogar em meio campo, deixando claramente de lado a hipótese do contra ataque.
Não temos muitos recursos humanos, o que “obrigou” o treinador a rodar pouco a equipa, utilizando quase sempre as mesmas: Ana Ramos (37 minutos em média), Luana Serranho (31 minutos), Maryam CHermiti (31 minutos), Tess Santos (27 minutos), Beatriz Jordão (20 minutos), Mariana Silva (16 minutos) e Eliana Cabral (12 minutos).
O que pode eventualmente ser questionado é o facto de não termos incluído na equipa algumas jogadoras de talento com idade de sub-16 . Provavelmente teriam o mesmo rendimento que as jovens; talvez menos utilização, mas ganhariam experiência internacional, que é coisa que nos faz muita falta…

Fonte: FIBA
Na defesa estivemos bem melhor. A equipa foi colectiva e agressiva, e consegui limitar a eficácia ofensiva dos contrários (sofremos menos de 60 pontos em quatro jogos e só nos últimos jogos deixámos marcar mais).
Contrariamente ao Campeonato da Europa ficou a ideia de que defendemos menos vezes à zona e arriscámos pouco nas defesas pressionantes em todo o campo .
Jogadoras em destaque

Fonte: FIBA
No capítulo da eficiência a base Ana Ramos, mesmo longe do fulgor de Matosinhos, onde para surpresa de todos foi MVP, foi a 37.ª atleta numa competição bem mais exigente. A jovem Tess Santos defendeu bem e jogou sempre a pensar na equipa, chegando à 40.ª posição. Limitada fisicamente, a poste Beatriz Jordão foi 49.ª; Mariana Silva foi 72.ª e Susana Carvalheira foi 95.ª.

Fonte: FIBA
Cinco ideal:

Fonte: FIBA
Futuro complicado
Por aquilo que já conseguimos internacionalmente, nos escalões de formação, fruto do trabalho dos clubes, Associações e Federação, a aposta no basquetebol feminino faz todo o sentido.
Ao contrário do que sucede no masculino conseguimos, ainda, recrutar as jovens com potencial atlético e com talento para o basquetebol.
O trabalho desenvolvido nos “Cars” femininos deveria ser incentivado, já que aí as jovens treinam muito, com intensidade, e ficam mais bem preparadas para as exigências da competição internacional. Mesmo com todas as limitações económicas, o fecho dos “Cars” tem custos elevados a nível desportivo num futuro imediato.

Fonte: FPB
A ausência de um plano agressivo de Marketing na FPB também não ajuda nada a modalidade. Nunca fomos fortes a aproveitar o que tínhamos de bom. Os exemplos são por todos conhecidos: o 9.º lugar no Campeonato da Europa de seniores masculinos em 2007, a presença destacada da Ticha Penicheiro na WNBA e os jogos da NBA em sinal aberto, entre outros, nunca foram bem explorados, e temo que este ponto alto da modalidade siga o mesmo caminho.
No basquetebol é recorrente que nos queixemos da falta de visibilidade mediática. Claro que mais uma vez a cobertura deste Campeonato do Mundo foi ignorada.
Se por um lado é injusto este tratamento da modalidade, por outro lado também é verdade que revelamos uma incapacidade gritante no domínio do marketing e na passagem das nossa mensagens e imagens. Sem promoção do que fazemos bem como podemos motivar os atletas actuais e como podemos captar mais jovens para a prática do jogo?
Mais uma vez ficou provado, nesta competição exigente, que necessitamos de mais e melhores jogadoras.
A concorrência com as outras modalidades é grande e o futebol não dorme. Se nos masculinos já recrutam quase todos os talentos a nível nacional, no sector feminino preparam-se para fazer o mesmo. Curiosamente, o líder da FPF é um homem do basquetebol (Fernando Gomes, antigo praticante de qualidade do FC Porto e ex-dirigente da modalidade). Os seus objectivos são claros e apontam, no plano estratégico, até 2020, para duplicar o número de praticantes femininos, e elevar a posição de Portugal no ranking da FIFA até aos 25 primeiros lugares (ocupa actualmente o 40.º lugar). O Sporting Clube de Portugal, que desistiu da equipa de seniores femininos no basquetebol, aposta agora também em força no futebol.

Fonte: FPF
O projecto Girls First já está no terreno e junta milhares de crianças das escolas do primeiro ciclo de muitas cidades, e não se esquece também da TV, onde vão transmitir não só os jogos das selecções nacionais como também as principais provas de clubes em Portugal.
Assim, se mais uma vez nos distrairmos vamos perder tudo o que de bom já conseguimos…
Resultados:
51 – Portugal-Espanha – 59
54 – Portugal-Brasil – 58
56 – Portugal –Mali – 48
31 – Portugal – República Checa – 49
71 – Japão- Portugal – 59
69 – Mali- Portugal – 47
Classificação final:

Foto de capa: FPB












