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Abram alas para o Tour de França

André Filipe Antunes · 12 min

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A 106ª edição da Volta à França está a chegar, uma prova que irá decorrer entre 6 a 28 de Julho. Num total de 3460 quilómetros repartidos por 21 etapas. Este ano, o Tour irá começar na Bélgica, em Bruxelas. Vão ser realizadas três etapas em solo belga, sendo que depois, a prova seguirá a sua normalidade, com as restantes etapas a serem corridas em França, com o objetivo final de chegar aos Champs-Élysées (Campos Elísios).

Haverá bastante variedade no que toca aos finais de etapa, havendo sete etapas planas para os sprinters poderem brilhar e sete etapas de alta montanha para os trepadores fazerem a diferença. No entanto, apenas cincos delas terminam em alto. Irá ser realizado um contrarrelógio por equipas no segundo dia na Bélgica e um contrarrelógio individual em Pau. Nas restantes etapas, as consideradas de média montanha, poderemos ver os puncheurs e os sprinters a lutarem entre si, nunca descorando a possibilidade de acabar com uma fuga a vencer.

O vencedor do ano passado, Geraint Thomas, esteve em risco de participar devido à queda sofrida no Tour da Suiça, mas encontra-se na lista de inscritos da Team Ineos e vai tentar revalidar o título na companhia de Bernal. Sim, porque se Thomas não estiver em forma, muito provavelmente a equipa passará a apostar no jovem colombiano.

Do top cinco do ano passado, apenas Thomas e Kruijswijk irão participar nesta edição. Tom Dumoulin depois de fracassar no Giro, não irá correr o Tour. Froome devido a queda no Dauphiné estará de fora e Roglic deverá correr a Vuelta, deixando a responsabilidade de um bom resultado no Tour para Kruijswijk.

Favoritos à geral

Geraint Thomas venceu o Tour no ano transato
Fonte: Le Tour de France

Geraint Thomas- É verdade que pode estar ainda debilitado devido à recente queda que teve, no entanto, a motivação de revalidar a amarela é muito grande. Nos contrarrelógios é dos melhores corredores, dentro dos favoritos e vai contar com um bloco de apoio muito forte na montanha. Kwiatkowski, Poels, Gianni Moscon e Castroviejo serão peças vitais na equipa milionária. Já para não falar do jovem Bernal, que deverá ser poupado a trabalho, no entanto a Team INEOS pode jogar com duas cartas.

Egan Bernal-  Na ausência de Christopher Froome, a chamada de Bernal era mesmo inevitável. O jovem corredor da INEOS está a andar muito bem nesta temporada, tendo ganho as gerais do Paris-Nice e do Tour da Suiça. Nesta última competição ainda ganhou uma etapa. É um dos principais favoritos à vitória, se não der com Thomas, a equipa vai virar o “jogo” para Bernal.

Jakob Fuglsang-  Seria impensável deixar de fora Fuglsang dos favoritos, ele que tem estado imparável nesta temporada. Sendo esta, sem sombra de dúvidas, a sua melhor temporada de sempre! Conquistou a Volta a Andalucia, ganhou uma etapa no Tirreno Adriático, venceu a Liège-Bastogne-Liège e ainda somou a geral individual do Critérium du Dauphiné! Só não ganhou a Flèche Wallone e a Strade Bianche porque Alaphilippe esteve muito bem e acabou por ser melhor nos sprints finais.

Yates-  Os dois irmãos formam uma dupla temível, em boa forma conseguem fazer estragos de longe, como já provaram no passado. Desta vez, a aposta principal deverá cair sobre Adam Yates, visto que Simon já fez o Giro nesta temporada, acabando no oitavo posto, desde aí não voltou a correr. Adam em termos de geral, não lhe tem estado a correr bem o ano de 2019, mas já venceu! Conseguiu uma vitória na Volta à Comunidade Valenciana, um triunfo na Volta à Catalunha e ainda levantou os braços na Volta ao País Basco, tudo em Espanha. 

Nibali-  O tubarão de Messina já tem muita experiência e se é verdade que a sua última vitória foi na Milan-Sanremo do ano passado, também é verdade que fez um Giro muito regular, acabando em segundo, apenas atrás do virtuoso Richard Carapaz. Em 2014 venceu o Tour e vai liderar a Bahrain-Merida para mais uma Grande Volta. Certamente que vai ser um ciclista combativo e vai tentar no mínimo levar uma etapa para casa.

Dupla Quintana/Landa –  Será que a Movistar vai funcionar desta vez? Já mostraram no passado que vacilam com demasiados líderes, será que desta vez vai ser melhor? É uma incógnita, que só vamos saber com o desenrolar da corrida. Podemos afirmar que Carapaz e Landa no Giro se comportaram a um nível de classe mundial. Mas agora há Quintana e Valverde, dois chefes de fila da Movistar, mais um Landa que quer ter o estatuto de líder também. Levam ainda Marc Soler, Carlos Verona, Imanol Erviti, Amador e Nélson Oliveira para os apoiar na montanha. Com tantos nomes de luxo é obrigatório colocar a Movistar como uma das possíveis vencedoras do Tour.

Outsiders

Pinot carrega consigo as esperanças dos franceses
Fonte: Groupama – FDJ

Thibaut Pinot–  Será desta que finalmente um francês volta a ganhar um Tour? Tem estado a andar bem em provas francesas, vencendo a geral e conquistando uma etapa no Tour de l`Ain e fez a mesma coisa no Tour Du Haut Var, vencendo a geral e uma etapa também. Para além disso, ainda fez top cinco no Tirreno Adriático e no Critérium du Dauphiné. Com o apoio dos franceses na estrada, vai atacar certamente nos Pirenéus e nos Alpes. Se tudo correr dentro da normalidade e sem quedas, irá fechar no top dez com facilidade, agora no que toca à vitória final, já é mais difícil. 

Romain Bardet– Outro francês à conquista do sonho. Já fez segundo e terceiro lugar no Tour, conseguindo já três vitórias em etapas. Já não vence desde Fevereiro de 2018, mas as aspirações deste ciclista no Tour são sempre muito elevadas. É uma das suas provas de eleição e vai ter o apoio da falange de adeptos franceses. Vai certamente tentar vencer uma etapa, no mínimo.

Rigoberto Urán– É um exemplo perfeito de um ciclista regular. Mal se dá por ele, mas está onde é preciso estar e tende a não ter quebras quando se encontra em boa forma. Já conseguiu ficar em segundo no Tour, em 2017 e também ficou em segundo em 2013 e 2014 no Giro de Itália. A somar a isto, também já venceu uma etapa no Tour, em 2017, superando Barguil. Vai contar com um bloco de excelência, com Alberto Bettiol, Simon Clarke, Tanel Kangert, Michael Woods, Tom Scully, Langeveld e Tejay Van Garderen. Uma equipa forte na montanha e com nomes que andam muito bem no contrarrelógio.

Richie Porte– Desde 2018 até à atualidade, Porte apenas ganhou duas vezes e foi no mesmo local, mais precisamente, Willunga Hill, no Santos Tour Down Under. Ganhou a geral do Tour da Suiça em 2018 também, mas sem conquistar uma vitória em etapas. A melhor posição que conseguiu no Tour, foi um quinto lugar, em 2016, não tendo conseguido finalizar a prova nas últimas duas edições. No entanto, não deixa de ser um nome importante para as contas do top dez.

Emanuel Buchmann– Já conta com duas vitórias nesta temporada, ambas em solo espanhol. Fechou top sete, pelo menos, em todas as competições, atingindo vários pódios. Vai ter uma equipa forte, no entanto, os esforços vão ser divididos entre Sagan no sprint e a montanha para Buchmann. Vai ter o apoio de Konrad e de Schachmann que são homens importantes em qualquer equipa e que o ajudarão no objetivo de terminar no top dez.

Kruijswijk– A sua melhor classificação de sempre no Tour foi um quinto lugar, em 2018. É um ciclista extremamente regular e capaz de andar com os melhores na alta montanha e contrarrelógio. Vai para a sua 16ª Grande Volta, com grandes intenções, apresentando um conjunto forte, com George Bennett e Laurens De Plus a serem os “guardas da coroa”. A equipa, no entanto, vai estar repartida, visto que levam também Dylan Groenewegen para o sprint. É um claro candidato ao top dez, disso ninguém duvida, apesar de apenas ter duas vitórias em toda a sua carreira!

Dan Martin– A sua última vitória foi precisamente no Tour do ano passado. Nunca conseguiu melhor que um sexto lugar na geral individual, mas já terminou três vezes dentro do top dez. Este ano, não está a andar espetacularmente bem, mas quase sempre entre os melhores dez. Vai ter um grupo interessante, com Fábio Aru, Rui Costa e Sergio Henao. Esta equipa é uma daquelas que vai ser dividida em dois blocos, visto que irão apostar também em Kristoff para o sprint. Muito provavelmente vão lutar pelo top dez com Martin e tentar amealhar etapas com os restantes ciclistas a intrometerem-se em fugas nas etapas de montanha.

Alguns nomes que é provável estarem entre os melhores: Enric Mas (Deceuninck-QuickStep), Valverde (Movistar), Ilnur Zakarin (Katusha-Alpecin), Bauke Mollema (Trek-Segafredo), George Bennett (Team Jumbo-Visma), Warren Barguil (Team Arkéa Samsic), Guillaume Martin (Wanty-Gobert), Michael Woods (EF Education First), Tejay Van Garderen (EF Education First) e Wilco Kelderman (Team Sunweb). São todos nomes válidos para entrarem no top 15, à espreita de um lugar no top dos dez mais.

Sprinters e a camisola verde

Groenewegen apresenta-se como um dos sprinters mais velozes do pelotão
fonte: Ana Rita Nunes

Groenewegen -Teremos sete etapas planas, e que na teoria será com uma chegada ao sprint. Groenewegen será um dos homens fortes, com as suas dez vitórias já alcançadas este ano! No ano passado venceu duas vezes no Tour, este ano, não vai querer ficar atrás. Está a assumir-se cada vez mais como um dos melhores sprinters a nível mundial.

Peter Sagan- Vai à procura da sua sétima camisola verde no Tour! Ele vai ter várias chegadas ao seu jeito e vai tentar juntar mais uma vitória às suas onze etapas, já alcançadas. É o principal candidato à conquista da verde.

Elia Viviani– Já conta com seis vitórias nesta temporada. Está a um bom nível, prova disso foram as últimas duas vitórias no Tour da Suiça. Vai ter o seu comboio na máxima força com Richeze e Morkov, portanto, podemos esperar um Viviani num patamar acima daquele que se apresentou no Giro de Itália. Um dado curioso, é o facto de Viviani nunca ter ganho no Tour, ele que apenas participou na edição de 2014, tendo obtido na altura como melhor lugar, apenas um 17º lugar. Na altura, corria na Cannondale, equipa que levou também Peter Sagan ao Tour.

Michael Matthews–  Sem a presença de Tom Dumoulin, a equipa pode-se virar mais para o sprint. Matthews referiu em entrevista que tinha estado a treinar para poder passar melhor a montanha, tendo em vista a protecção e ajuda ao seu chefe de fila holandês. Sem Dumoulin, irá tentar ganhar a camisola verde, tal como em 2017? É um bom sprinter, que leva duas vitórias nesta época, ambas na Volta à Catalunha. Certamente que se irá intrometer na luta pelos sprints e quem sabe na luta pela verde.

Caleb Ewan– Seis vitórias na temporada, sendo que duas delas foram no Giro. Tem-se revelado cada vez mais um sprinter talhado para finais com alguma inclinação. Vai estar na luta por algumas etapas, mas vai ser difícil chegar à verde devido à qualidade da concorrência.

Kristoff- O norueguês de 32 anos, da Emirates, tem a seu encargo as etapas planas e sprints. Leva quatro vitórias em etapas no ano de 2019 e venceu a geral individual do Tour da Noruega. A sua Grande Volta preferida é claramente o Tour e vai querer estar juntamente com os melhores, ele que não falha uma edição desde 2013! Já leva três vitórias em etapas no Tour, com a última a ter sido no ano passado, nos Campos Elísios. Já ficou por duas vezes em segundo lugar na camisola dos pontos, ambas atrás de Peter Sagan. Vai ter a ajuda essencial de Bystrom e de Jasper Philipsen para os sprints.

Vamos ter ainda um lote de ciclistas que vai estar a disputar as etapas para os homens mais velozes, tais como: Colbrelli (Bahrain Merida), Nizzolo (Team Dimension Data), Trentin (Mitchelton-Scott), Laporte (Cofidis), André Greipel (Team Arkéa Samsic), Greg Van Avermaet (CCC Team), Jasper Stuyven (Trek-Segafredo), Iván Cortina (Bahrain-Merida), Andrea Pasqualon (Wanty-Gobert) e Boasson Hagen (Team Dimension Data).

Camisola da Montanha

Alaphilippe foi o último vencedor da camisola das bolinhas
Fonte: Quick-Step Floors

É uma classificação difícil de arriscar, no entanto há grandes possibilidades de Alaphilippe revalidar o título. Tem estado imparável nesta temporada e já meteu no bolso umas valiosas dez vitórias. É um dos ciclistas mais completos no pelotão e vai tentar amealhar mais uma vitória, pelo menos. 

Giulio Ciccone venceu a classificação da montanha no Giro, pode querer somar mais uma camisola da montanha e levar duas no mesmo ano para casa. É um ciclista bastante irreverente e que não tem medo de atacar, vamos ver quais serão as suas pretensões. 

Thomas De Gendt, Warren Barguil, Bardet são possíveis vencedores também. O belga da Lotto foi o vencedor da classificação na Vuelta em 2018 e já todos sabemos que ele adora andar escapado, claramente um dos ciclistas mais combativos do pelotão. Mesmo não sendo um objetivo, poder-se-á tornar um, caso ele consiga entrar nas fugas diariamente. Barguil já venceu a classificação em 2017 e ficou no ano transato em segundo lugar, depois de ter sido campeão nacional estará com a moral em alta.  

Bardet pode ser um candidato, caso não esteja a dar o resultado pretendido à AG2R na geral individual, pode ter que se focar em outro objetivo, como a conquista de etapas ou prémios de montanha, onde se poderá focar na camisola da montanha.

Possíveis surpresas nesta edição do Tour

Wout Van Aert vai ter a sua estreia no Tour Fonte: Team Jumbo-Visma

A encabeçar os nomes surpresa tem que estar Wout Van Aert, ele que se apresentava como um homem de clássicas na Jumbo-Visma, no entanto já ganhou nesta temporada ao sprint e no contrarrelógio, no Dauphiné. Recentemente foi campeão belga no contrarrelógio e ficou em terceiro na prova de estrada. Vai certamente estar na luta por algumas etapas, com grande possibilidade de alcançar a sua primeira vitória em Grandes Voltas. 

Kasper Asgreen conseguiu as suas primeiras vitórias em 2019. Ele que apenas correu a Vuelta, das chamadas três grandes.  Esta época também teve bons resultados em clássicas e vários top 10. Será um nome a ter em conta, em algumas etapas, principalmente as de média montanha.

Guillaume Martin é um nome a considerar dentro da Wanty-Gobert, apenas tem uma vitória este ano, no Giro di Sicilia, mas já conta com vários top 10, principalmente em França. Por ser mais uma competição no seu país, poderá ser este ano que se estreia a vencer no Tour?

David Gaudu venceu uma etapa no Tour da Romandia, na Suiça, nesta temporada. Ele que é dos ciclistas mais jovens do pelotão e depois de fazer um estrondoso UAE Tour e mesmo um Tour da Romandia a lutar de igual para igual com alguns nomes mais fortes do pelotão, é possível que nos venha a surpreender nesta edição da Volta à França.

Para finalizar, nesta edição, vamos ter três portugueses, na Volta à França, são eles: Rui Costa, Nélson Oliveira e José Gonçalves. Sendo que Gonçalves irá fazer a sua estreia no Tour. Muito provavelmente iremos ter a presença portuguesa em algumas fugas, como na etapa de Gap, onde os portugueses já tiveram conquistas no passado, lembrando as vitórias de Sérgio Paulinho e de Rui Costa.

Está tudo a postos para o Tour, será uma edição certamente recheada de espetáculo, com muitos cenários em aberto. Mas a grande dúvida é, será que a Team INEOS vai continuar a prolongar o legado da Team SKY? Ou será que vamos ter um novo vencedor do Tour? Serão decisões para serem feitas nas próximas três semanas.

Foto de Capa: Le Tour de france

André Filipe Antunes

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