Publicidade

Análise final da A Volta a Portugal Edição Especial

André Filipe Antunes · 8 min

Análise final da A Volta a Portugal Edição Especial

Vê mais Bola na Rede no teu Discover Seguir no Google

A Volta a Portugal em Bicicleta Edição Especial foi conquistada pelo algarvio Amaro Antunes. Gustavo Veloso venceu o contrarrelógio final em Lisboa.

Pelo segundo ano consecutivo, um algarvio acabou por vencer a Volta a Portugal, depois de João Rodrigues, chegou a vez de Amaro, que tinha sido segundo classificado em 2017. Aos 29 anos, o trepador português conseguiu obter a vitória mais importante da sua carreira em classificações gerais. Já havia vencido o GP da Beira Baixa em 2015, o Troféu Joaquim Agostinho em 2017 e o Tour of Malopolska em 2018.

A Volta deste ano foi decidida, em grande parte, na Senhora da Graça, onde Amaro decidiu atacar de pronto a etapa e camisola amarela, e com sucesso. Logo ao primeiro dia de competição a W52-FC Porto agarrou a camisola, por intermédio de Gustavo Veloso, que depois passou a liderança ao seu colega de equipa.

O bloco da equipa portista esteve muito forte, com Samuel Caldeira e Daniel Mestre a controlarem quando o terreno era plano, enquanto que Ricardo Mestre, João Rodrigues e Rui Vinhas foram os elementos de trabalho na montanha. João Rodrigues, o vencedor da Volta em 2019, fez um grande trabalho para proteger a liderança da equipa, especialmente na subida à Torre, onde impôs um ritmo que não deixava sair ninguém.

Toda a equipa da W52-FC Porto só pode estar satisfeita com os resultados, alcançando a primeira e a segunda posição da geral, com Amaro e Gustavo Veloso, e ainda com João Rodrigues na sétima posição. Venceram também as duas etapas na especialidade de contrarrelógio e no Alto da Senhora da Graça. A classificação por equipas também foi vencida pela equipa portista, que dominaram desde o primeiro dia de competição. Veloso era o ciclista com mais idade da Volta, com 40 anos, mas demonstra que ainda está em grande forma.

A Efapel seria a equipa, em teoria, que iria rivalizar com a W52-FC Porto na geral, no entanto, a prestação no Monte Farinha não foi a melhor, trazendo consequências para a geral. Joni Brandão acabou por ganhar no alto da Torre e António Carvalho na chegada a Setúbal. Joni alcançou a sua primeira vitória numa etapa da Volta a Portugal, enquanto que António Carvalho venceu pela segunda vez, depois de já ter vencido na etapa da Senhora da Graça do ano transato. Joni acabou na quarta posição da geral, enquanto que António Carvalho fechou na sexta posição, depois de subir duas posições no último dia, devido ao seu excelente contrarrelógio. Luis Mendonça abandonou a competição mais cedo, por motivos pessoais, o que levou os seus colegas a dedicarem-lhe a vitória.

A Kelly Simoldes UDO acertou em cheio na contratação de Luis Gomes. Já tinha dado provas no ano passado, e não desiludiu este ano, vencendo a camisola dos pontos e uma etapa. Depois de ter vencido, na edição passada, no alto da Serra do Larouco, acabou por vencer este ano no alto de Santa Luzia, logo na primeira etapa da Volta. Em março, o ciclista já tinha vencido a clássica da Primavera. Na classificação geral, talvez fosse esperado mais de Henrique Casimiro, um ciclista que desde 2016 vem fazendo sempre top dez. De resto, a equipa é muito jovem, e procura ganhar experiência acima de tudo.

A Rádio Popular Boavista teve uma Volta a Portugal sem vitórias de etapa, mas com João Benta nos cinco primeiros. Luis Fernandes foi o corredor que mais perto esteve do triunfo, mas apanhou um António Carvalho muito forte na chegada a Setúbal. David Rodrigues, que foi sétimo na classificação geral do ano passado, não foi além de um 24.º lugar. Daniel Silva que obteve o nono lugar da geral em 2019, acabou na 33.ª posição. A grande conquista foi para Hugo Nunes, ciclista jovem de 23 anos, que levou a camisola da montanha. Boas referências de Gonçalo Carvalho, que acabou na 17.ª posição da geral. O ciclista pacense andou muitas vezes com os primeiros, alcançando um quarto lugar na chegada a Setúbal.

Fonte: Rádio Popular Boavista

A equipa Atum General-Tavira-Maria Nova Hotel teve Frederico Figueiredo como destaque. O ciclista português destacou-se com Amaro Antunes na Senhora da Graça, agarrando a segunda posição da geral até ao último dia. No contrarrelógio acabou por perder o seu lugar na geral, descendo uma posição, porque atrás dele estava o especialista Gustavo Veloso. Ainda assim, Frederico Figueiredo atingiu a sua melhor classificação de sempre numa Volta a Portugal, talvez galvanizado pelo seu triunfo no Troféu Joaquim Agostinho. O experiente Alejandro Marque acabou na oitava posição da geral, voltando novamente aos top dez da Volta.

A equipa Miranda-Mortágua teve Daniel Freitas e Liangel Linarez como destaques. Os dois ciclistas fecharam por várias vezes no top dez, com Linarez a estar muito perto da vitória em Águeda. Ficou mais uma vez demonstrado que ambos os ciclistas dispõem de uma boa ponta final. Esperava-se mais de Joaquim Silva na luta pela geral, alcançando apenas a 54.ª posição.

A Aviludo-Louletano queria lutar com Vicente de Mateos para a classificação geral, depois de no ano passado, na etapa nove, o azar ter “batido à porta” do espanhol, obrigando-o a desistir da competição. Até começou bem nas três primeiras etapas, mas perdeu muito tempo na Serra da Estrela, arredando-o da luta pelo primeiro lugar. Relembrando que De Mateos fez pódio em 2017 e 2018. Esperava-se mais de Sergey Shilov, campeão nacional russo de estrada, que já sabe o que é vencer na Volta a Portugal, tendo conquistado uma etapa em 2014, ao serviço da Lokosphinx. João Matias alcançou o melhor resultado em etapas, com um quinto lugar, na chegada a Torres Vedras.

A L.A.Alumínios correu a Volta com uma equipa muito jovem e não havia muita pressão. Tentaram por várias vezes chegar ao sucesso através de fugas, com principal destaque para Marvin Scheulen. André Ramalho alcançou o melhor resultado em etapas, com um sétimo lugar na chegada à cidade de Viseu.

Fonte: LA Sport

A equipa do Feirense levava as suas esperanças em Rafael Reis. O contrarrelogista português quase que alcançava a vitória no prólogo, em Fafe, perdendo por um segundo para Veloso da W52-FC Porto. Reis fechou em nono lugar do contrarrelógio final em Lisboa. Destacar ainda o quarto lugar de Óscar Pelegrí na etapa de Torres Vedras.

As equipas estrangeiras vieram à Volta a Portugal mostrar serviço, andando por diversas vezes em destaque. Salta à vista a equipa francesa da Arkéa-Samsic, com duas vitórias ao sprint de Daniel Mclay. Era um dos favoritos a vencer nas etapas para os mais rápidos, e claramente não desiludiu. Ele que já esteve no WorldTour, ao serviço da EF Education First. Os lançamentos de Christophe Noppe foram fundamentais para as vitórias do britânico. Destacar ainda o terceiro lugar de Anthony Delaplace no contrarrelógio de Lisboa.

A equipa Nippo Delko One Provence, ao comando de José Azevedo, trouxe uma equipa muito interessante para a Volta. Délio Fernández para a geral, Riccardo Minali para os sprints, Mauro Finetto para as chegadas de média montanha e Simon Carr como jovem promissor. Délio já ganhou várias etapas na Volta a Portugal, mas o melhor que conseguiu nesta edição foi um sétimo lugar, na etapa da Torre. Acabou na décima posição da geral. Minali foi um dos destaques nas chegadas para os mais rápidos. Terminou na terceira posição da quinta etapa, em Águeda, e na etapa seguinte voltou a estar na luta, ao terminar na segunda posição, apenas batido por Mclay. O corredor experiente Mauro Finetto esteve na discussão em algumas etapas, no Alto de Santa Luzia, Viseu e em Setúbal, mas nunca foi além do quinto lugar. Ainda assim, mostrou que estava com “ganas” de conquistar uma etapa. O jovem britânico Simon Carr, de 22 anos, venceu a classificação da juventude. Esteve a grande nível na etapa da Senhora da Graça, onde terminou em quarto lugar, conquistando também a camisola branca da juventude, não largando mais até ao final da competição.

A equipa espanhola da Caja Rural foi bastante combativa. A prova disso foi a fuga bem-sucedida de Oier Lazkano. O ciclista espanhol venceu a etapa três em Viseu, numa fuga a solo. Era um dos ciclistas mais jovens desta edição da Volta, mas não foi por isso que se deixou intimidar. O líder Cristián Rodríguez, ciclista que em princípio irá participar na Vuelta, acabou na nona posição da geral.

Falando de equipas espanholas, a Burgos também mostrou trabalho na frente do pelotão e combatividade. Estiveram presentes em algumas fugas, mas nunca tiveram sucesso. A melhor classificação alcançada foi um sétimo lugar de Ricardo Vilela, na etapa da Senhora da Graça. O ciclista de Bragança foi o melhor classificado da equipa, terminando a prova no 14.º lugar da geral.

A equipa norte-americana, a Rally Cycling, não teve vida fácil em Portugal. Não conseguiu nenhum top dez em etapas, sendo a equipa com menos protagonismo da Volta em termos positivos. Foi a equipa que mais abandonos teve, com Nigel Ellsay e Emerson Oronte a saírem mais cedo da competição.

Foto de Capa: Federação Portuguesa de Ciclismo

André Filipe Antunes

Redação Bola na Rede · ver artigos

Continua a ler

as mais recentes

Newsletter Bola na Rede

Estamos a preparar a newsletter do Bola na Rede. Deixa o teu email e és dos primeiros a recebê-la. Sem spam.

Feito. Ficas na lista e avisamos-te quando arrancar.