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A primeira prova de três semanas começa já este sábado, com início em Turim, onde começará a luta pela camisola rosa. A 104.ª edição do Giro de Itália promete, serão 21 dias de prova, com desfecho no dia 30 de maio, na cidade de Milão. No pelotão estarão presentes três portugueses, com João Almeida a comandar as esperanças lusas por terras italianas.
Estarão 23 equipas em competição, num total de 184 corredores. O atual detentor do título, o britânico Tao Hart, não irá estar presente. Da edição de 2020, apenas cinco corredores do top dez final estarão a competir novamente.
Os portugueses João Almeida, Ruben Guerreiro e Nélson Oliveira marcam a sua presença na prova. Os dois primeiros fizeram um brilharete em 2020 e esperam dar novas alegrias aos portugueses. Oliveira volta a competir no Giro, depois de oito anos de ausência. Vai com a missão de trabalhar para o seu líder e para andar como ele sabe nos dois contrarrelógios da prova.
A etapa 11 terá o aliciante de ter no seu percurso, partes de sterrato, e poderá ser um dia chave da prova. Depois a alta montanha fará as suas diferenças, nas etapas 12, 14, 16, 17, 19 e 20. No último dia, o contrarrelógio final irá corrigir as posições na geral.
Falta saber quem serão os grandes nomes na luta pela “maglia rosa”.
Foto de Capa: Giro d’Italia
1.

Simon Yates (Team Bike Exchange) – O ciclista britânico é um dos grandes favoritos à conquista do primeiro lugar, a par de Bernal. Em 2018, acabou por liderar a prova durante vários dias, mas na última semana quebrou e perdeu muito tempo nas últimas etapas, acabando por não concluir com êxito. Esta temporada já conta com uma vitória em etapa no Tour dos Alpes, levando também de vencida a classificação geral. Fez top 10 no Tirreno Adriático, na sua primeira prova da temporada, perdendo apenas para Pogacar na subida a Prato de Tivo. A equipa tem nomes importantes para ajudar na montanha, com os experientes Tanel Kangert, Mikel Nieve e Cameron Meyer. Nick Schultz irá para a sua primeira participação no Giro e também deverá ser um apoio importante, visto que esta temporada tem estado a correr particularmente bem.
2.

Egan Bernal (Ineos Grenadiers) – O colombiano não teve um ano de 2020 feliz, no que toca a Grandes Voltas, acabando por abandonar no Tour de França. Fará a sua estreia no Giro, com uma das melhores equipas para a alta montanha. O ciclista de 24 anos tem estado bem neste início de época, apesar de não ter ganho. Acabou no terceiro posto do Tour de la Provence e em quarto no Tirreno Adriático. Nas clássicas italianas finalizou no segundo lugar do Trofeo Laigueglia e obteve um surpreendente terceiro na Strade Bianche. Um ciclista que já venceu o Tour, arrisca-se a ganhar aqui também, ainda por cima contando com a ajuda de: Castroviejo, Daniel Martínez, Gianni Moscon, Pavel Sivakov, Puccio, Ganna e Narváez. O seu maior rival, à partida, será Simon Yates.
3.

Aleksandr Vlasov (Astana Pro Team) – O ciclista russo tem estado a andar bem esta temporada. Em todas as provas por etapas em que participou, o corredor da Astana finalizou no top dez. De destacar o segundo lugar no Paris-Nice e o terceiro no Tour dos Alpes. Nesta última prova, em Itália, esteve muito perto de triunfar, não fosse um espetacular Pello Bilbao. No ano transato, esteve presente no Giro, mas acabou por desistir logo à segunda etapa. O jovem tem “assuntos pendentes” na prova italiana, e contará com uma equipa interessante. Gorka Izaguirre e Harold Tejada serão os principais nomes na ajuda ao líder. Para além de um lugar entre os primeiros, Vlasov é um dos candidatos a vencer a camisola da juventude.
4.

Mikel Landa (Bahrain-Victorious)- O espanhol vem com “ganas” de vencer. Nas últimas cinco participações em Grandes Voltas, quatro Tours e um Giro, acabou sempre nos primeiros sete. Esta temporada, teve um bom desempenho nas clássicas italianas e acabou no terceiro lugar do Tirreno Adriático. Em Espanha, na sua última prova antes do Giro, na Volta à Catalunha, acabou na oitava posição da geral. A sua equipa traz nomes muito bons para ajudá-lo, com: Pello Bilbao, Gino Mader, Damiano Caruso, Rafael Valls e Mohoric em destaque. Com tanta montanha, Landa irá certamente andar a bom nível, apesar de começar logo ao primeiro dia a perder tempo para os demais favoritos, com o contrarrelógio a ser o seu ponto fraco.
5.

Hugh Carthy (EF Education-Nippo) – O ciclista britânico de 26 anos deverá estar entre os primeiros na alta montanha. Acabou no top dez na Volta à Catalunha e no Tour dos Alpes e deverá apresentar-se bem no Giro, especialmente nas últimas duas semanas. Em 2020, o corredor terminou no terceiro lugar da Vuelta, o que já diz muito das suas capacidades para provas de três semanas. A EF Education traz um bloco interessante, com Caicedo, Simon Carr, Tejay Van Garderen e Ruben Guerreiro a destacarem-se. O português deverá ter um papel de grande relevância nas etapas de média montanha, e pode mesmo alcançar o triunfo numa etapa, tal como fez em 2020.
OUTSIDERS
One day until the start of the Giro d’Italia, which means plenty of time left for you to join @VelonCC’s Fantasy Game: https://t.co/RHadAExBNM pic.twitter.com/4p8NjINmdZ
— Deceuninck-QuickStep (@deceuninck_qst) May 7, 2021
João Almeida e Remco Evenepoel (Deceuninck-Quick Step) – A equipa deverá apoiar o português para as contas da geral, depois da sua brilhante exibição na edição passada. João Almeida deverá começar logo na frente, face aos adversários, depois do primeiro dia de contrarrelógio. Esta edição terá etapas de dureza extrema, o que dificultará a vida ao caldense, no entanto, deverá acabar no top dez. Remco Evenepoel irá fazer a sua primeira prova, depois da sua grave queda em 2020, precisamente em itália, no Giro da Lombardia. Existem muitas dúvidas quanto à sua forma física, na sua primeira prova de três semanas. Se estivesse na forma que se viu no início do ano transato, seria claramente um dos grandes favoritos, mas é uma incógnita. A equipa belga vem ainda com James Knox e Fausto Masnada, apostando todas as fichas na classificação geral, o que não costuma acontecer.
Vincenzo Nibali e Mollema (Trek-Segafredo)– O Tubarão de Messina foi operado há pouco tempo e não se sabe se recuperou totalmente. Terminou em 7.º lugar na edição passada. Nesta temporada pouco vimos do experiente corredor da Trek. Mollema já venceu por duas ocasiões nesta temporada e é um corredor acostumado a estas andanças. A sua primeira participação no Giro ocorreu em 2010, com um 12.º lugar na altura. Depois disso, alcançou um sétimo lugar em 2017 e um quinto lugar em 2019. A equipa vem com um bloco interessante, acima de tudo na média montanha, com Giulio Ciccone, Brambilla e Ghebreigzabhier.
George Bennett (Jumbo-Visma)- Esta época ainda não obteve um resultado digno às suas capacidades. Vai assumir a liderança da Jumbo-Visma na competição, onde já fechou no oitavo lugar em 2018. Não traz o melhor dos blocos para a montanha, visto que a equipa contará com vários corredores de apoio aos dois sprinters, David Dekker e o regressado Groenewegen.
Pavel Sivakov (Ineos Grenadiers)- Se Bernal falhar, está aqui a solução. O russo lideraria se estivesse noutra formação e já fez o Giro em 2019, onde fechou no nono lugar da geral. Obteve o melhor resultado, até ao momento, no Tour dos Alpes, com um sexto lugar final.
.@PelloBilbao1990 secured second place on the general classification @Tourof_TheAlps
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— Team Bahrain Victorious (@BHRVictorious) April 23, 2021
Pello Bilbao (Bahrain-Victorious)- O espanhol adora esta competição, onde já venceu duas etapas em 2019. Na edição passada, liderou a Bahrain, acabando no quinto posto. Esta temporada tem estado em grande forma, com um triunfo no Tour dos Alpes e várias boas exibições. Se Mikel Landa tiver algum infortúnio, a equipa deverá focar-se em Bilbao. É um dos melhores ciclistas no que toca a descidas, candidato a top dez, mas se as coisas começarem a correr mal é corredor para se intrometer nas fugas e vencer uma ou duas etapas.
Formolo (UAE Team Emirates)- O italiano lidera a equipa da Emirates, que irá dividir-se em dois blocos, um para a montanha e outro para os sprints. Esta temporada não fez nada de exuberante, mas já sabe o que é fechar no top dez de grandes voltas.
Emanuel Buchmann (Bora-Hansgrohe)- Correu duas provas por etapas em 2021, ficando às portas do top dez em ambas. Vai para a sua oitava participação em grandes voltas. Terminou apenas por uma vez no top dez, concluindo no quarto lugar do Tour de 2019. Não tem a melhor equipa para o ajudar, longe disso, visto que o objetivo principal será a “maglia ciclamino” ou camisola dos pontos para Peter Sagan.
Jai Hindley e Romain Bardet (Team DSM) – O australiano Jai Hindley fechou em segundo lugar na última edição do Giro, apenas superado por Tao Hart no contrarrelógio final. Não tem estado ao seu melhor nível esta temporada, mas pode ser um nome importante nas etapas mais duras. Romain Bardet esteve bem no Tour dos Alpes e deverá andar com os melhores no Giro. Esta é a sua primeira temporada na Team DSM e quererá mostrar serviço. O francês é candidato a top dez, se nada de anormal acontecer.
Dan Martin (Israel Start-Up Nation)- Terminou no quarto lugar da Volta à Espanha em 2020 e já é por hábito um dos nomes de referência para as grandes voltas. Esta época tem estado longe do seu valor real, mas algumas etapas deste Giro deverão assentar-lhe bem. O irlandês participou por uma ocasião no Giro, no longínquo ano de 2010, terminando num modesto 57.º lugar. Irá, certamente, melhorar esse lugar, mas se as coisas começarem a correr mal na segunda semana, é provável que termine apenas no top 15/20.
Marc Soler (Movistar Team)- O espanhol vai assumir-se como o líder da Movistar na prova italiana. Vem com um bloco interessante e que tem estado a andar bem, especialmente Einer Rubio e Antonio Pedrero, que estiveram a grande nível na Volta às Astúrias. A experiência de Dario Cataldo, Davide Villella e de Nélson Oliveira serão essenciais nesta equipa. O anadiense teve prestações de qualidade em Espanha, acabando no segundo lugar na Volta à Comunidade Valenciana e no nono lugar da geral das Astúrias. Soler estreou-se a ganhar, em etapas, na Vuelta de 2020, após um ataque a solo bem sucedido. A sua melhor classificação numa grande volta é um nono lugar na Vuelta de 2019.
POSSÍVEIS SURPRESAS

Fonte: AG2R La Mondiale
Champoussin (AG2R La Mondiale)- Não é um nome muito conhecido do pelotão, mas o francês será dos destaques da equipa AG2R, pelo que tem vindo a fazer neste início de época. É um ciclista que não irá estar na luta pelo top dez, mas cuidado com ele nas etapas de média montanha.
Jefferson Cepeda (Androni Giocattoli)- Impressionou no Tour dos Alpes, com um quarto lugar na classificação final e conquista da camisola do melhor jovem. A Androni é uma equipa conhecida por lançar jovens corredores para o circuito internacional, será este mais um caso? O equatoriano de 22 anos pode surpreender neste Giro.
Matteo Jorgenson (Movistar-Team)- Se Marc Soler vacilar, há sempre Jorgenson para tentar um lugar na geral. O jovem americano vai para a sua primeira grande volta, mas espera-se muito dele no futuro. Esta época obteve um grande oitavo lugar no Paris-Nice, resta saber como irá aguentar as três duras semanas.
Harm Vanhoucke (Lotto Soudal)- O jovem corredor de 23 anos irá correr sem grandes pressões. Vai para a sua segunda participação no Giro e deverá ser o melhor ciclista da equipa belga quando o terreno inclinar. A Lotto leva uma equipa bastante versátil, mas com o foco principal em Caleb Ewan. Nas etapas de média e alta montanha deverão marcar presença nas fugas, e quem tem Thomas de Gendt arrisca-se a ganhar etapas.

Fonte: Giro d´Itália
Serão três semanas duras, em que a experiência vai desempenhar um papel importante. Simon Yates e Egan Bernal partem como os grandes favoritos, com vários nomes ao seu encalce. Mikel Landa tem aqui uma excelente oportunidade de vencer, mas o contrarrelógio atira-o para fora da corrida por diversas vezes. Vlasov consegue estar bem em provas de uma semana, mas ainda não deu as mesmas garantias em provas de três semanas. Caso esteja bem, será um osso duro de roer. Hugh Carthy pode acabar, perfeitamente, no pódio final, tal como fez na Vuelta passada. É um ciclista que gosta de subidas longas e que se consegue defender-se bem no contrarrelógio.
João Almeida terminou na quarta posição do Giro de 2020, e agora é tempo de dar continuidade ao trabalho nas provas de três semanas. Pode fazer mais uma exibição brilhante nesta edição, com uma equipa de qualidade ao seu serviço. Houve muita contestação no Giro passado, por falta de ajuda da Deceuninck, com Masnada a ser o único escudeiro. Para esta prova a história é outra, com Evenepoel, Masnada, Knox, Honoré, Cavagna e Pieter Serry a serem nomes importantes e capazes para a alta e média montanha.
Ruben Guerreiro é mais do que capaz de voltar a vencer e de mostrar lampejos de qualidade nas etapas de montanha. Nélson Oliveira é cada vez mais uma das peças basilares da equipa espanhola e deverá aparecer várias vezes na frente do pelotão. Nos contrarrelógios vai estar em evidência, podendo mesmo estar na luta pela vitória.









