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Antevisão Giro d’Italia: Principais candidatos, outsiders e possíveis surpresas

Miguel Monteiro · 12 min

Foto: Giro d'Italia

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Terminadas as “clássicas de primavera”, o espetador de Ciclismo pode agora focar a sua atenção nas grandes voltas, mais particularmente no Giro. Esta sexta-feira inicia-se, portanto, a 105.ª edição do Giro d’Italia, com a grande partida a ter lugar em Budapeste, a capital da Hungria, numa etapa com um final que tanto pode sorrir a um sprinter que passe bem por dificuldades moderadas ou a um puncheur; e com um findar da competição com um contrarrelógio de 17,4 km na cidade de Verona, no norte de Itália.

À partida desta Volta à Itália de 2022, vão estar um total de 176 corredores (de 22 equipas), esperançosos por mostrar tudo aquilo que valem durante a sua estada de 24 dias em Itália (e na Hungria), sendo que três destes dias constituem dias de descanso (sempre fulcrais para o sucesso dos atletas na prova).

Esta edição do Giro conta com a presença de 3 ex-vencedores da: o ciclista da Jumbo-Visma, Tom Dumoulin, o “Tubarão de Messina”, Vincenzo Nibali, e o equatoriano Richard Carapaz. Além disso, há que notar ainda a presença dos ciclistas lusos na prova: João Almeida, Rui Costa e Rui Oliveira, todos membros da mesma equipa, a UAE Team Emirates.

No que diz respeito às etapas desta “Corsa Rosa”, que se espera ter um maior impacto na definição da classificação final dos ciclistas, há que destacar, num primeiro plano, as etapas de alta montanha (4, 9, 15, 16, 17 e 20), o contrarrelógio da etapa 21 e algumas etapas de média montanha, que podem ser um convite a ataques de candidatos à vitória final (7, 14 e 19).

Foto de Capa: Giro d’Italia

Artigo redigido por Miguel Monteiro

RICHARD CARAPAZ (INEOS GRENADIERS)

Richard Carapaz, também conhecido como “Locomotora del Carchi”, parte para esta 105.ª edição do Giro d’Italia com o intuito de revalidar a conquista de 2019 e suceder ao seu colega de equipa, Egan Bernal, que venceu a prova no ano passado. O equatoriano tem como grande vantagem ser um especialista na alta montanha e saber o que é preciso para se tornar vencedor de uma grande volta e irá ser acompanhado por sete corredores de grande valia, cuja função passa, quase única e exclusivamente, por auxiliá-lo, de entre os quais se destacam Jonathan Castroviejo, Pavel Sivakov e Richie Porte – esperando-se que, pelo menos, estes três se mantenham frequentemente com Richard nas fases decisivas das etapas de alta montanha. Será Richard capaz de adicionar mais um capítulo bonito ao conto de fadas desta época da INEOS?

MIGUEL ÁNGEL LÓPEZ (ASTANA QAZAQSTAN TEAM)

O ciclista colombiano, que tem tanto de qualidade a pedalar, como de comportamentos menos brilhantes, aspira, aos 28 anos, ganhar, finalmente, a sua primeira prova de três semanas. Com uma vitória de etapa no Tour of the Alps, a última competição do mesmo antes do Giro, o colombiano chega à Hungria com uma forma razoavelmente boa. Contando com um coletivo dedicado exclusivamente ao terreno inclinado, Miguel Ángel vai procurar ganhar tempo aos adversários na alta montanha e exibir os seus melhores dotes na prova. Terá ele força de vontade suficiente para vencer o Giro, mesmo estando, alegadamente, a laborar de forma não remunerada, tal como os seus colegas de equipa?

SIMON YATES (TEAM BIKEEXCHANGE-JAYCO)

O inglês, de 29 anos, já com quatro etapas conquistadas até ao momento no Giro, chega a esta edição da “Corsa Rosa” em excelente forma, já com três triunfos na presente temporada; dois deles obtidos na semana passada. O britânico é um ciclista de grande qualidade, mas que paga muitas vezes o preço da sua ousadia extrema e é também, por vezes, condicionado por alguma falta de sorte. Para esta edição do Giro, parte com esperanças reforçadas e com gregários de imensa valia, mais do que aptos para o apoiar em todos os terrenos, como por exemplo: o australiano Lucas Hamilton, o dinamarquês Christopher Juul-Jensen e o italiano Matteo Sobrero, reforço da BikeExchange para esta época. Será Simon capaz de juntar o Giro ao seu palmarés e obter a “dobradinha” de carreira Giro-Vuelta?

ROMAIN BARDET (TEAM DSM)

Quando a DSM, mais precisava de um bote salva-vidas. O experiente ciclista francês, qual salvador, fez questão de o entregar em segurança, com uma exibição consistente e esclarecedora das suas capacidades no Tour of the Alps, que culminou com o primeiro lugar na classificação geral final da corrida. Se Romain estiver disposto a brindar os espetadores com uma postura atacante neste Giro, e se a sua queda na Liège-Bastogne-Liège não tiver afetado o estado de forma que vinha exibindo anteriormente, pode vir a sonhar com algo grandioso, já que esta edição do Giro não tem mais de 30 km de contrarrelógio. Além disso, contém, como já é apanágio da prova transalpina, inúmeras subidas, bem ao seu jeito. Será Romain capaz de finalmente obter o seu primeiro triunfo na classificação geral de uma grande volta, depois de tanto prometer?

JOÃO ALMEIDA (UAE TEAM EMIRATES)

O português, natural das Caldas da Rainha, após ter ficado uma vez às portas do top 5 e outra às portas do top 3, pretende agora ficar bem dentro do pódio. Apesar desta edição do Giro ter poucos quilómetros de esforço contra o cronómetro, que, naturalmente, o beneficia, não é por isso que deixa de ser um sério candidato à vitória, já que tem vindo a demonstrar uma grande maturidade e uma cada vez maior capacidade de se superiorizar aos rivais na alta montanha. Sendo um bom exemplo disso é a sua vitória “sem espinhas” na quarta etapa da Volta Ciclista a Catalunya deste ano. Estará o jovem português à altura das expetativas nele depositadas?

BORA-HANSGROHE

Na última janela de transferências, o universo velocipédico assistiu a movimentações interessantes no mercado por parte da BORA, que se despediu do já três vezes campeão do mundo, Peter Sagan, e se reforçou com ciclistas já com provas dadas a nível internacional. Entre as novas aquisições, estava Jai Hindley, que com Wilco Kelderman e Emanuel Buchmann forma um tridente de luxo, pronto para atormentar os adversários. Estes três, que colecionam entre si pódios no Giro e dois top’s 5 no Tour, e contando com uma equipa especialmente preparada para os terrenos mais acidentados, podem verdadeiramente formar uma aliança letal para os adversários, sendo só preciso que se vejam livres de azares e se entendam (Jai e Wilco podem ter ainda “contas a acertar” do Giro de 2020). Poderá alguém deste trio superiorizar-se aos de mais adversários?

PRINCIPAIS OUTSIDERS

Pello Bilbao (Bahrain-Victorious) – O ciclista basco está completamente indomável esta temporada, com duas vitórias de etapa, um pódio na geral do UAE Tour e top’s 5 na geral do Tour of the Alps e da Itzulia Basque Country. Pello tem de ser considerado como um dos maiores outsiders, pois é exímio nas descidas, sabe impor o seu próprio ritmo nas subidas, tem uma excelente ponta de velocidade e já tem três top’s 10 em grandes voltas, mesmo não tendo ainda mostrado ser capaz de vencer uma prova deste calibre.

Mikel Landa (Bahrain-Victorious)- O outro basco da Bahrain, o admirado e erraticamente ofensivo Mikel Landa, continua na sua senda difícil das grandes voltas. Mikel, que já está, muito provavelmente, mais próximo do fim do que do início da sua carreira, vai tentar embarcar numa nova aventura em Itália para conseguir vencer o Giro. Se o espanhol se vir livre de azares e permanecer fiel à sua postura ofensiva, pode vir a ser a grande surpresa, o que seria motivo de regozijo para milhares de aficionados a nível mundial.

Hugh Carthy (EF Education-EasyPost)- O britânico, que alcançou o seu melhor resultado na prova no ano passado, quando terminou em oitavo lugar, vai procurar melhorar esta classificação. O ciclista, de 27 anos, é um daqueles que, quando em boa forma, brinda os adeptos com performances impressionantes e dignas de registo na alta montanha. Tem como diretor desportivo na prova um especialista na corrida italiana, o espanhol Juan Manuel Garate, cujos conselhos lhe poderão ser muito úteis para alcançar um grande resultado.

Tom Dumoulin (Jumbo-Visma) – O neerlandês da Jumbo anda há muito tempo longe dos resultados a que nos tinha acostumado. Porém, espera-se que, como chefe de fila, possa haver um ressurgimento de Tom nesta “Corsa Rosa”. Com um palmarés invejável, que inclui uma maglia rosa conquistada em 2017 e um pódio no Tour, Tom vai tentar mostrar novamente os seus dotes de “voltista” neste Giro.

Iván Ramiro Sosa (Movistar Team) – Até agora, o colombiano não exibiu a consistência necessária para poder ser tido como um candidato à vitória final da Volta à Itália. Contudo, esta época Iván tem-se mostrado mais regular nas provas em que participou e há menos de uma semana acabou por vencer a Vuelta Asturias Julio Alvarez Mendo. Esperando-se que ele seja o líder da Movistar, dada a idade já avançada de Alejandro Valverde, as expetativas são também maiores do que aquelas que existiam quando este se encontrava na INEOS, quando não era líder.

Giulio Ciccone (Trek-Segafredo) – O italiano, de 27 anos, parte com o dorsal n.º 1 da equipa e é, no papel, o líder da mesma. Não tendo concluído nenhuma das provas de três semanas que iniciou no ano passado, espera-se do vencedor da classificação da montanha no Giro, em 2019, uma reafirmação das suas qualidades como ciclista de classificações gerais em grandes voltas e não que seja um mero “caça-etapas”.

POSSÍVEIS SURPRESAS

Felix Gall (AG2R Citroen Team)- O austríaco, de 24 anos, é, porventura, a única esperança da equipa francesa para estar entre os melhores na alta montanha. Tendo “explodido” (em termos de resultados) esta primavera, tem como melhores classificações um sexto lugar no Tour of the Alps e uma décima segunda posição na Itzulia Basque Country.

Guillaume Martin (Cofidis) – O francês, de 28 anos, vem ao Giro tentar amealhar pontos para a formação da qual faz parte, a Cofidis. Sem ter terminado fora do top 10 em qualquer prova por etapas este ano, Guillaume pode ter na sua regularidade um trunfo para a primeira grande volta do ano.

Lorenzo Fortunato (EOLO-Kometa)- O transalpino, de 25 anos, que é a “jóia” mais valiosa da equipa gerida por Ivan Basso e Alberto Contador marca presença na Hungria para confirmar a sua qualidade como corredor de grandes voltas, após ter vencido de forma surpreendente a etapa do Monte Zoncolan no Giro do ano passado.

Attila Valter (Groupama-FDJ)- O jovem, de 23 anos, inicia a prova como o líder para a geral da equipa, numa tentativa de repetir o sucesso da edição passada da Volta à Itália, quando chegou a vestir a maglia rosa. Tem este ano a motivação extra do Giro se iniciar no seu país natal, a Hungria.

Tobias Foss (Jumbo-Visma) – O atual campeão nacional norueguês da prova de fundo e de contrarrelógio, e vencedor do Tour de l’Avenir de 2019, terá uma liderança partilhada dentro da equipa com Tom Dumoulin que, tal como acontece em outras equipas, poderá ser algo positivo se houver uma verdadeira e honesta colaboração dentro da equipa.

Thymen Arensman (Team DSM) – O ciclista, de 22 anos, está a ter um ano muito positivo (sexto no Tirreno-Adriatico e terceiro no Tour of the Alps) e, apesar do líder da equipa ser Romain Bardet, pode beneficiar do facto de não ser, à partida, um “galo” para estabelecer diferenças na estrada e passar a constituir uma incógnita relevante da equação.

Artigo revisto por Gonçalo Tristão Santos

Miguel Monteiro

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