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Antevisão Paris-Roubaix | Nove candidatos à glória

Miguel Monteiro · 7 min

Paris-Roubaix ciclismo
Foto: Paris-Roubaix

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No domingo de Páscoa (dia 9 de abril), os melhores ciclistas do empedrado enfrentar-se-ão na disputa pela 120.ª edição do Paris-Roubaix. Este ano serão 29 setores de “pavé”, distribuídos por 256,6 km de prova, com a já habitual ligação entre Compiègne e Roubaix. Sendo o Paris-Roubaix o terceiro monumento da temporada, disputado este ano no nono dia do mês de abril, tem como intuito este artigo apresentar nove guerreiros com aventuras passadas nesta prova, que são candidatos este ano (uns mais do que outros) a triunfarem pela primeira vez na sua carreira no “Inferno do Norte”, não tendo tido essa fortuna até ao dia de hoje.

Florian Sénechal (Soudal-Quick Step)

O atual campeão nacional francês de estrada é um amante confesso desta corrida, que já venceu enquanto júnior:  aquela com que sempre sonhou e para a qual aponta sempre as suas baterias época após época. Florian é natural de Cambrai, cidade francesa localizada a aproximadamente uma hora de viagem de carro do velódromo de Roubaix, onde termina a prova, e conhece o percurso da corrida quase como a palma da sua mão. Tendo como melhor resultado neste monumento um sexto lugar em 2019 (numa edição completamente dominada taticamente pela sua formação, vencida pelo seu colega de equipa Philippe Gilbert), procurará com certeza melhorar este registo e almejar ao lugar mais alto do pódio. Este ano, tendo ele e os restantes membros da formação belga pela qual compete tido um período de clássicas da Flandres para esquecer, não lhe faltará motivação para pôr termo a esta fase menos boa da equipa e, para que isso aconteça, nada melhor do que uma vitória no velódromo em Roubaix. Florian quererá fazer esquecer o décimo terceiro lugar obtido no ano passado, quando foi vítima de uma queda quando seguia no grupo dos favoritos (com esperanças maiores) e, para isso, deverá poder contar com um coletivo belga regenerado da miséria em terras flamengas para usufruir de vantagens táticas nos momentos decisivos da competição e poder sonhar com a glória pessoal e a glória nacional francesa de verem o “bleu, blanc et rouge” no topo do pódio.

Florian Vermeersch (Lotto Dstny)

O promissor belga de 24 anos, ao que tudo indica, partirá para a 120.ª edição do Paris-Roubaix partilhando a coliderança de uma jovem equipa totalmente belga com o também muito talentoso estreante Arnaud De Lie. Já se sabia que Florian tinha capacidade para discutir as grandes clássicas do empedrado, mas, em 2021, quando se sagrou vice-campeão de uma edição épica do Paris-Roubaix (marcada pela chuva e pela lama), sendo o último homem a sobreviver da extensíssima fuga da jornada, surpreendeu tudo e todos, esperando-se desde aí que fosse já um valor a considerar para o presente e não apenas para o futuro. A verdade é que o belga natural da cidade flamenga de Gent estagnou a sua progressão em 2021, mas tem vindo a exibir-se a um nível próximo do expectável em 2023 e ambiciona agora, com um triunfo pessoalmente histórico, retirar a espinha que o italiano Sonny Colbrelli (ex-ciclista da Bahrain-Victorious) lhe atravessou na garganta em 2021, quando o bateu ao sprint no velódromo de Roubaix.

Gianni Moscon (Astana Qazaqstan Team)

O italiano Gianni Moscon é um dos “patinhos feios” do pelotão atual, fruto das condutas poucos éticas que, por diversas vezes, teve em relação aos seus colegas de profissão, que já o fizeram ser desqualificado de competições importantes um par de vezes. Felizmente para ele, o seu talento em cima da bicicleta não é diretamente profissional aos seus comportamentos, se não, muito provavelmente, já não teria lugar no principal escalão do ciclismo mundial. Esse talento em cima da bicicleta fê-lo estar a ponto de vencer a emocionante edição de 2021 do “Inferno do Norte”, mas que acabou por lhe escapar por entre os dedos a já menos de 20 km da meta, depois de uma queda e problemas mecânicos se conjurarem para macular aquela que poderia ter sido a maior vitória da carreira do italiano de Trento. Agora, com 28 anos, Gianni tem-se evidenciado a um nível astenosférico e, mais do que uma certeza, a sua capacidade de discutir os lugares cimeiros da prova é uma dúvida que paira no ar no norte de França. Espera-se, portanto, que o italiano arranje forças onde elas parecem não existir e forneça um bote salva-vidas à sua naufragada carreira e à época afundada da sua equipa, a Astana.

Mads Pedersen (Trek-Segafredo)

O dinamarquês de 27 anos de idade tem sido um dos ciclistas mais consistentes do pelotão na atual temporada, acumulando sucessivos pódios, top’s 5 e top’s 10 e tendo até já duas vitórias este ano. Motivado por um pódio na Volta à Flandres (no domingo passado) e apresentando-se à partida do Paris-Roubaix com os colegas de equipa Jasper Stuyven e Edward Theuns, tem de ser tido como um dos principais candidatos a sair vitorioso no domingo à tarde. A principal oportunidade que o ex-campeão do mundo teve no Paris-Roubaix até hoje foi em 2021, mas acabou, lastimavelmente, por ser derrubado no Trouée d’Arenberg pelo birtânico Luke Rowe. Nessa 118.ª edição da prova seguia com grandes sensações e, tendo em conta, a dinâmica da jornada tinha grandes possibilidades de chegar ao velódromo a disputar o triunfo. Não tendo acontecido nesse ano, tem agora uma nova oportunidade de o fazer acontecer.

Mathieu van der Poel (Alpecin-Deceuninck)

O quase indomável neerlandês é já detentor de dois monumentos e quer poder dizer que, no dia de Páscoa, teve direito a um terceiro. Mathieu dinamitou completamente a prova em 2021, mas, na chegada ao velódromo, viu-se superiorizado por Sonny Colbrelli e Florian Vermeersch, acabando no posto mais baixo do pódio. Este ano terá uma nova oportunidade de ser coroado vencedor pela primeira vez desta “infernal” corrida e contará para isso com as boas sensações que tem vindo a exibir nas provas precedentes e com uma equipa competente e que tem vindo a mostrar também estar em grande forma, na qual se incluem o temido velocista belga Jasper Philipsen, o também velocista australiano Kaden Groves, o especialista de empedrado Gianni Vermeersch (irmão de Florian Vermeersch) e o vice-campeão da edição de 2018 Silvan Dillier.

Sep Vanmarcke (Israel-Premier Tech)

Este é claramente um dos ciclistas mais azarados do pelotão internacional, pois, tal como todos os restantes desportistas, tem os seus dias menos bons (em termos de capacidade física e sensações); todavia, para além desses dias menos bons, até nos dias em que está na sua melhor condição física e com capacidade para disputar as grandes corridas, o destino arranja habitualmente forma de o direcionar para a tragédia competitiva, seja devido a quedas, a problemas mecânicos ou a qualquer outro fator externo. Com 34 anos de idade e já com um segundo lugar e três quartos lugares nesta prova, Sep tem este ano uma das suas últimas chances de vencer um monumento, precisando para isso que tudo corra de acordo com o idealizado, mesmo sendo sabido que, para ele, isso é quase certo que não aconteça.

Wout van Aert (Jumbo-Visma)

O polivalente belga de Herentals está à procura de se redimir da sua ausência do pódio na Flandres e nada melhor do que o Paris-Roubaix para fazer esquecer esse pequeno erro de percurso. Wout acabou no segundo lugar na edição passada e tem como principal objetivo este ano melhorar o seu último registo. Para ter êxito no “Inferno do Norte”, servir-se-á da sua capacidade de “devorar” sucessivos setores de empedrado e terá ao seu dispor um conjunto de elevado gabarito, nomeadamente: o campeão em título da prova Dylan van Baarle, o vencedor da Gent-Wevelgem e da Dwars door Vlaanderen Christophe Laporte e o fiabilíssimo gregário Nathan Van Hooydonck.

Yves Lampaert (Soudal-Quick Step)

O belga de Izegem é um daqueles ciclistas que tem como maior objetivo de carreira vencer o Paris-Roubaix e espera ansiosamente que este seja o ano da glória. Yves esteve já perto de alcançar o triunfo por diversas vezes, mas o Olimpo ainda não foi atingido por variadas razões: manobras táticas de equipa (2019), sucessivos problemas mecânicos (2021) e quedas aparatosas (2022). O “filho de um agricultor”, como ele próprio se denomina terá este domingo mais uma oportunidade de ouro para tornar os sonhos realidade.

Zdenek Stybar (Team Jayco AlUla)

O checo de 37 anos aproxima-se cada vez mais do final de carreira e terá no dia de Páscoa uma das suas últimas oportunidades de vencer um monumento, feito que tem vindo a tentar alcançar durante a sua carreira, sem êxito até ao momento. Em Roubaix, o “Inferno” já quase se tornou paradisíaco, mas ficou por duas ocasiões no purgatório (segundo lugar). Será que é desta, que ascende do nível intermédio? Zdenek procurará mostrar que velhos são os trapos e terá como grande mestre para o sucesso alguém que sabe o que é vencer um monumento com a mesma idade e que o fez sem que nada nem ninguém o previsse, Mathew Hayman (seu diretor desportivo), que bateu inacreditavelmente a lenda do “pavé” Tom Boonen (na altura, colega de equipa de Stybar, na Etixx-Quick Step) no velódromo de Roubaix.

Miguel Monteiro

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