As 4 ilações a retirar da 83.ª edição da Volta a Portugal

4. MANTÉM-SE TUDO COMO ESTÁ OU NÃO?

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A “Grandíssima” é sempre uma competição bastante atrativa para os adeptos nacionais, que assistem às emoções da prova “colados à televisão”, na primeira quinzena de agosto; e para as equipas e ciclistas do país, que focam, já desde a pré-epoca, as suas atenções na prova e a preparam como o objetivo principal do ano. Mas será isto suficiente? Não quererão os adeptos e a organização da Volta que venham competir a Portugal (também) algumas das maiores estrelas da modalidade e os ciclistas lusos que correm nas melhores equipas internacionais?

A Federação Portuguesa de Ciclismo e a organização da Volta a Portugal devem analisar cuidadosamente e seriamente se pretendem que a mais longa competição do Ciclismo nacional suba do terceiro escalão do Ciclismo internacional, agora que a entidade reguladora do Ciclismo, a UCI, vem ponderando fazer uma reestruturação de algumas provas e dos sistemas de pontuação.

Todos os anos os aficionados do mundo velocipédico nacional podem aproveitar o espetáculo que é “Grandíssima”, mas, para descontentamento de quem segue as maiores provas internacionais, nunca marcam presença as maiores estrelas do desporto. Isto deve-se, sobretudo, a três fatores: a sobreposição no calendário com outras provas do segundo e do primeiro escalão; a extensa duração da prova; e a descredibilização do ciclismo nacional, devido aos vários escândalos de doping.

A subida de escalão da prova traria, muito possivelmente, equipas internacionais de maior calibre; serviria de “montra” para os maiores talentos portugueses e contribuiria, à partida, para a credibilização das equipas e dos ciclistas domésticos. Porém, para que isto acontecesse, a Volta a Portugal teria de decorrer em moldes distintos dos atuais e teria de ser reestruturada, o que pode não ser considerado benéfico.

Em suma, é necessário que seja feita uma análise custo-benefício.

Miguel Monteiro
Miguel Monteirohttp://www.bolanarede.pt
O Miguel é um estudante universitário natural do Porto, cuja paixão pelo desporto, fomentada na infância pelos cromos de Futebol que recebia e colava nas cadernetas, considera ser algo indescritível. Espetador assíduo de uma multiplicidade de desportos, tentou também a sua sorte em algumas modalidades, sem grande sucesso, tendo encontrado agora na análise desportiva uma oportunidade para cultivar o seu amor pelo desporto e para partilhar com os demais as suas opiniões, nomeadamente de Ciclismo, modalidade pela qual nutre um carinho especial.

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