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Nesta altura do ano, os Flandres são a convergência do ciclismo no seu estado mais puro, fruto da paixão que os belgas têm por este desporto e cujo ponto alto é precisamente um dos 5 monumentos, o Tour de Flandres.

Faço a seguinte analogia para se entender verdadeiramente a paixão do povo belga pelo ciclismo. O país pára literalmente para assistir ao Tour de Flandres,  tal como os portugueses param para ver um dérbi, ou um clássico de futebol. Mas em vez de nomes como Aboubakar, Jonas, ou Rui Patrício, os belgas falam em Kemmelberg, Kapelmuur, Oude Kwaremont, Muur, Paterberg, Koppenberg, entre outros muros e sectores de pavé que são símbolos das provas belgas. Para além disso, o nacionalismo é bem evidente já que os ciclistas belgas são sempre os grandes favoritos a vencerem provas e o público faz questão de mostrar o seu apoio aos ciclistas da casa.

O muro de Muur está presente em várias clássicas das Flandres
Fonte: hln.be

A semana  das clássicas de Flandres pertencentes ao calendário da UCI tem início em Fevereiro  com a Omloop Het Nieuwsblad Elite.

A prova onde as equipas principais começam  a testar os seus líderes conta com setores diabólicos, tais como o Muur, e os sempre complicados Muur Van Geraardsbergen e o Bosberg. Foi uma prova muito animada, com frio mas solarenga, e com sucessivos ataques que deu azo à formação de vários grupos, no entanto houve alguém que conseguiu romper a esperada chegada ao sprint num grupo compacto,  Valgren da Astana que aproveitou a indefinição do grupo principal e conseguiu  ser o mais rápido à chegada a Merbeke.

Em Março, no início da primavera marca a primeira grande investida nos Flandres com a Record Bank E3 Harelbeke, prova que começa e acaba em Harelbeke e com uma extensão de 206 kms contou também com um tempo frio mas sem chuva.

Foi uma corrida que teve a habitual fuga formada onde esteve o português Nélson Oliveira (Movistar), fuga que durou até a equipa da QuickStep começar a acelerar no pelotão. Essa aceleração no sector Oude Kwaremont fez com que o grupo principal se desfragmentasse e foi o mote para os ataques se iniciassem, nesses ataques constavam nomes como  Benoot (Lotto Soudal), Sagan (Bora Hansgrohe), Terpstra (QuickStep Floor), Van Avermaet (BMC) entre outros mas o bloco da Quick Step continuava bem presente nesse grupo e com grande controle da corrida.

Aos 60kms a Quick Step lança uma dupla cartada, e saem do grupo Yves Lampaert e Nikki Terpstra. Depois de fazer o seu trabalho, Lampaert deixa Terpstra isolado para a vitória sem que a concorrência conseguisse recuperar da desvantagem para o holandês.

Jogada táctica perfeita da Quick Step que garantiu também o segundo lugar no pódio com Gilbert, tendo Van Avermaet ficado no lugar mais baixo do pódio.

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