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Déjà-vu ou sonho tornado realidade? A disputar-se na região da Flandres, Bélgica, o Campeonato do Mundo de ciclismo de estrada terminou com nova vitória de Julian Alaphilippe na corrida de elite masculina.
O traçado acidentado que marcou a ligação entre Antuérpia e Leuven prometia uma corrida entusiasmante para fechar a 88ª edição de uma das competições de ciclismo mais prestigiadas a nível internacional.
Photo of the year. pic.twitter.com/FiJS0JWZcb
— Cycling out of context (@OutOfCycling) September 26, 2021
Alavancado por uma moldura humana espetacular, o termo emoção foi sinónimo desta corrida, assim como sabedoria e Loulou foram tudo menos antónimos.
Um ataque de longe, repleto de ousadia e disponibilidade física, criou um espaço que se revelou suficiente para reduzir as ambições dos seus adversários, principalmente de Wout van Aert, que a correr em casa era apontado como o grande favorito.
A renovação do título vale ao francês a camisola arco-íris por mais uma temporada, juntando-se ainda a uma lista de apenas seis nomes que conseguiram vencer por duas vezes consecutivas esta corrida.
🤩🇫🇷 ENCORE UNE FOIS : CHAMPION DU MOOOOOOOOONDE !!!!!!!!!!! Nouveau chef-d’œuvre et incroyable doublé pour Alaphilippe ! 🇫🇷🤩
Bravo Julian, et bravo les Bleus 👏 #LesRP #Flanders21 pic.twitter.com/cumTjJVSm7
— Eurosport France (@Eurosport_FR) September 26, 2021
Repleto de simbolismo, este triunfo entra também em congruência com o nível das inúmeras consagrações ao longo de uma semana “belga” de ciclismo.
Entre revelações nos escalões mais jovens, surpresas na corrida de elite feminina e várias prestações de destaque, setembro foi o mês das nações do ciclismo lutarem pelas medalhas com selo da União Ciclística Internacional, tanto na prova mundial, na Flandres, como no Campeonato Europeu, realizado em Itália, que antecedeu esta competição.
Foto de capa: UCI
ALAPHILIPPE E A PEGADA VITORIOSA DOS ITALIANOS
Julian Alaphilippe venceu porque criou uma situação de corrida que combinou perfeitamente com as suas aptidões e condição física.
O francês manteve-se sempre bem colocado na dianteira, pressionando os rivais, isto depois de ter disferido um ataque a 50 quilómetros da linha de chegada.
Com a preciosa ajuda de Valentin Madouas, a insistência surtiu efeito o efeito desejado quando conseguiu abrir um espaço a cerca de 20 quilómetros para Leuven, assegurando uma vitória que poderia ficar em risco devido à presença na dianteira de Wout van Aert, Mathieu van der Poel, Tom Pidcock ou Sonny Colbrelli – recentemente coroado como campeão europeu de elite masculina -.
#Flanders2021 – Top 10 pic.twitter.com/rLeKPboQFm
— La Flamme Rouge (@laflammerouge16) September 26, 2021
Dylan Van Baarle (prata) e Michael Valgren (bronze) completaram o pódio. O dia não dos restantes principais candidatos à medalha de ouro até por aqui se explica, ainda que em termos de blocos, a formação anfitriã, por exemplo, tenha realizado um trabalho estupendo, nomeadamente, pela ação de Remco Evenepoel.
A discussão mediática sobre o papel do jovem ciclista na corrida, acalorada pelo inconfundível Eddy Merckx, esbarrou num desempenho positivo em prol dos colegas de equipa, isto apesar de nem uma medalha ter ficado em território belga (Jasper Stuyven foi quarto classificado).
Do ponto de vista luso, os resultados finais ainda se revelaram mais azedos.
Completamente ao lado da discussão da corrida, a comitiva portuguesa de ciclismo não foi além de um 39º lugar de Rui Oliveira, expondo uma certa inexperiência neste tipo de corridas e a dificuldade em obter resultados positivos desde as prestações mais sólidas de Rui Costa.
Juntos, até nisto, a própria Espanha não foi além de um 23º lugar de García Cortina, ao passo que nações como a Eslovénia, Alemanha, Polónia ou Suiça também não conseguiram colocar ninguém nos 10 mais.
Se a semana fechou da melhor forma, a prova de contrarrelógio individual também não deixou nada a desejar no seu começo.
Uma luta de titãs terminou com nova revalidação, desta feita, com o bicampeonato de Filippo Ganna, ciclista da Ineos Grenadiers. O portento italiano redimiu-se da derrota no Campeonato da Europa – Stefan Kung sagrou-se campeão em Trentino, Itália -, e derrotou Wout van Aert e Remco Evenepoel por uma margem bem menor do que aquela que o catapultou para o título de campeão mundial de contrarrelógio em Imola, 2020.
Uma extensão consideravelmente maior no comparativo “Imola (32 quilómetros) vs Flandres (43 quilómetros)” ou um maior equilíbrio entre os maiores especialistas do contrarrelógio?
Sem realizar uma época tão autoritária como em 2020 – derrotas nos contrarrelógios dos Europeus e Jogos Olímpicos -, a verdade é que o imponente ciclista levou a medalha de ouro para casa, sendo uma das caras de uma verdadeira concentração de triunfos italiana.
Whoever saw this coming?! 🤯
🌈Elisa Balsamo 🥇🇮🇹#Flanders2021 pic.twitter.com/YX1U1odLKY
— UCI (@UCI_cycling) September 25, 2021
Por falar em Itália, eis uma das histórias mais incríveis vivida na Bélgica. Ao estilo da vitória de Anna Kiesenhofer nos Jogos Olímpicos, a vitória na prova de elite feminina recaiu sobre uma “outsider” de quem se espera muito (agora ainda mais): Elisa Balsamo, ciclista da Valcar – Travel&Service.
Na linha de meta, a atleta que estará ao serviço da Trek-Segafredo a partir de 2022 bateu, nada mais, nada menos, do que Marianne Vos e Katarzyna Niewiadoma ao sprint.
Ainda na linha feminina, fazer referência à vitória de Ellen van Dijk no contrarrelógio individual, que depois de vencer a prova em linha do Campeonato da Europa de estrada, superiorizou-se à especialista Marlen Reusser, vencedora do contrarrelógio individual de elites em Trentino.
No fundo do pódio, a inconfundível Annemiek van Vleuten, que continua a colecionar excelentes resultados apesar dos seus 39 anos.
Sobre nações vitoriosas, referir o triunfo da Alemanha sobre a Holanda e Itália na prova de contrarrelógio misto.
A derradeira jornada da carreira de Tony Martin terminou com um belo momento, colocando a cereja no topo de um bolo que se traduz, indiscutivelmente, num dos melhores contrarrelogistas do presente século.
Relativamente aos escalões jovens, importa destacar alguns resultados, sobretudo numa perspetiva futura. A tal veia vitoriosa da Itália claramente que tem uma explicação, e essa talvez passe por aqui. A aposta na formação abrilhantou-se com a corrida sub-23: Filippo Baroncini sucedeu ao compatriota Samuele Battistela. Decore bem o nome, pois são 21 anos e já com um contrato com a Trek-Segafredo. Michele Gazoli e Luca Colnaghi, a par do grande vencedor, terminaram nos 10 primeiros classificados, mostrando ao mundo do ciclismo que a Itália está aí para as curvas… sprints, subidas, contrarrelógios, tudo.
Foi demais! Vinicius Rangel conquistou o 9º lugar na prova de estrada da Sub 23 no Mundial em Flanders! O italiano Filippo Baroncini venceu e Biniam Girmay, da Eritreia, conquistou uma prata histórica! O holandês Olav Kooij ficou com o bronze.https://t.co/ZPOMvN6geb
— Bikemagazinebr (@bikemagazinebr) September 24, 2021
Contudo, a primeira medalha da história da Eritreia é talvez o ponto de maior destaque não só desta corrida, como dos escalões jovens. Biniam Ghirmay, com um excelente sprint num grupo reduzido, conquistou a segunda posição na competição, isto na semana em que se ficou a saber que o Ruanda vai receber o Campeonato do Mundo de 2025: as boas notícias chegaram em abundância para os entusiastas desta modalidade em África.
Já nos Juniores encontramos o melhor resultado dos portugueses. António Morgado é um nome sonante dentro das camadas jovens nacionais e voltou a demonstrar o porquê disso mesmo na Flandres. Uma prestação sólida e fora de um habitat totalmente proporcional às suas capacidades culminou com um honroso sexto lugar – o vencedor foi Per Strand Hagenes -.
🥇🇪🇺 Sonny Colbrelli 🇮🇹 is the new European Champion! 💥💥💥
🥈 Remco Evenepoel 🇧🇪
🥉 Benoit Cosnefroy 🇫🇷
👏🏻👏🏻👏🏻#EuroRoad21📸 @bettiniphoto #Trento #VisitTrento #cycling #ciclismo #trentino #roadcycling pic.twitter.com/lWvzKanimE
— UEC_cycling (@UEC_cycling) September 12, 2021
Saltando para os Europeus e já depois de referidas as vitórias nas elites masculinas e femininas, há que aludir o padrão de prestações positivas de jovens como o já mencionado Baroncini (segundo classificado atrás de Thibau Nys na prova em linha).
Mas também de Erik Fetter (uma das caras que promete elevar o ciclismo húngaro para outro nível), Johan Price-Pejtersen (vencedor dos dois contrarrelógios das competições em causa) ou Lennert van Eetvelt (pela sua consistência nos resultados apresentados).
Já em moldes femininos no ciclismo, a vencedora Silvia Zanardi e Blanka Vas, húngara no escalão sub-23/Elites ou Linda Riedmann e Zoe Backsted nas juniores são os principais nomes a reter.
A bolha de resultados nas mais variadas plenitudes destas competições fica desta forma desmistificada. Setembro termina com selo das maiores e menores nações do ciclismo mas não significa que o espetáculo tenha acabado, sobretudo quando ainda existe um Paris-Roubaix para ser ultrapassado no próximo sábado. Prepare-se!











