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A 105ª edição do Tour irá contar com duas novas chegadas ao alto, La Rosiere, nos Alpes, e o Col de Portet, nos Pirenéus, cujo formato de 65 quilómetros é, de facto, uma novidade fora do normal.
Continuando nas novidades, a etapa nove traz-nos uma etapa completamente atípica, com 15 sectores de pavê, algo que irá pôr os favoritos à geral em alerta máximo, pois trata-se de um terreno em que não estão habituados a correr e que pode vir a trazer problemas, tanto a nível mecânico, como a nível de quedas, situações que podem virar do avesso a classificação geral. Lembrando o Tour de 2015, na etapa quatro, onde houve pavê e onde também os favoritos passaram por dificuldades.

Fonte: MoSports
A Grand Départ vai ocorrer na região de Pays de Loire, mais em concreto na ilha de Noirmoutier-en-l´ile, e a partida iniciar-se-á a 07 de Julho.
As etapas da primeira semana apresentam quase todas um perfil plano, como tem sido apanágio das várias edições do Tour, até aqui nada de novo, só mesmo a nona etapa, que referi anteriormente, e também um contra-relógio colectivo de 35 km em Cholet irão ter mais ou menos dificuldades.
Nesta primeira semana, destaco a etapa cinco como uma etapa que pode apresentar algum espectáculo, etapa essa de média montanha onde os corredores mais explosivos e combativos podem dar espectáculo. A chegada a Quimper irá premiar com certeza o corredor mais combativo e audaz.
Resumindo esta primeira semana, veremos quem será o sprinter em melhor forma, e em termos de liderança da prova possivelmente a equipa que ganhará o contra-relógio colectivo deverá ter o ciclista que levará à camisola amarela até ao fim da primeira semana , isto se a etapa em pavê não causar estragos na geral.
Feita análise à primeira semana, passemos agora para a segunda semana do Tour, semana essa onde se verão as primeiras movimentações na liderança.
Com a chegada aos Alpes, temos na etapa dez uma etapa com quatro contagens de montanha, onde poderá haver alguém mais atrasado na geral a tentar recuperar o tempo perdido. É uma etapa que precede a primeira pausa na prova, o que pode significar que quem não tiver tido um dia de descanso adequado poderá aqui perder tempo, situações que acontecem várias vezes em provas de três semanas.
Mas mais oportunidades virão, já que a etapa seguinte é a estreia da chegada à La Rosiére, e aqui sim os favoritos irão aparecer, etapa curta mas com três subidas com mais de dez quilómetros de extensão, que poderão fazer desta etapa uma verdadeira incógnita e alguns estragos nos líderes.
Logo a seguir, teremos o mítico Alpe D´Huez, com as vertentes do Col de la Madeleine e do Col de la Croix de Fer, subidas que antecedem a mítica ascensão e que já deram a conhecer ao mundo do ciclismo os melhores intérpretes na montanha.
Uma etapa onde poderemos ver Froome e a Sky a controlar a corrida até à subida final, e, se possível, deixar Froome fresco para atacar o Alpe D´Huez.

Fonte: Scatti dal Ciclismo
Teremos, depois, etapas de transição que nos levarão até aos Pirinéus e também a chegada da última semana da prova.
E é nesta semana que tudo se irá decidir, pois teremos, para além das etapas de montanha, o contra-relógio individual na penúltima etapa e que coroará o vencedor do Tour 2018. Mas já lá vamos.
Se as chegadas em alto são normalmente as decisivas, o que dizer das etapas dos Pirinéus, onde teremos somente uma chegada ao alto? Nos Pirinéus, serão as descidas que farão a diferença e, se o tempo não ajudar, teremos chegadas onde quem quiser arriscar nas descidas terá de chegar em condições de as poder atacar.
Para esta semana, destaco a etapa 17 como a etapa a seguir, etapa em linha mais curta da prova mas com nível de dificuldade elevado. São 65km, que culminam numa chegada em alto ao Col de Portet, a etapa inicial logo numa ascensão de cerca de 15km e, se houver ataques, pode não haver tempo dos perseguidores recuperarem a vantagem, será a etapa ideal para atacar quem estiver perto da geral, mas não muito boa para a Sky controlar.
Na etapa 19, a etapa que considero a etapa forte dos Pirinéus, a colocação da subida ao Tourmalet acho que acontece cedo demais, mas nas subidas até ao Col d´Aubisque terá de haver mexidas na corrida, sob pena de esta ser decidida apenas na última ascensão. A terminar, a decisão final, contra-relógio individual que liga Saint-Pée-sur-Nivelle a Espelette, e se nada estiver ainda definido, é aqui que a decisão do Tour 2018 acontecerá.
Numa etapa com pouco mais de 30 kms, os ciclistas vão enfrentar um percurso algo técnico com o ponto alto do mesmo, o Côte de Pinodieta, a três quilómetros da meta, será o ponto fulcral, sendo uma ascensão de 900m com uma inclinação de mais de dez por cento a fazer a diferença para os favoritos à vitória final.
Em suma, Chris Froome, com este percurso, será novamente o alvo abater, tirando a etapa de pavê, o britânico tem aqui mais um bom teste às suas capacidades e penso que, em condições normais, sairá vencedor.
Quanto ao percurso em si, destaco claramente a etapa de pavê como grande novidade, bem como as etapas de alta montanha, quer nos Alpes, quer nos Pirinéus, que têm quilometragens reduzidas, de resto é mais do mesmo. Na minha opinião, colocava mais etapas de média montanha, com chegadas ao estilo de uma clássica como a Lombardia, ou mesmo a Liege-Bastogne-Liege, e também colocava mais etapas de alta montanha. De resto, é esperar que tudo corra pelo melhor na próxima edição do Tour!
Foto de Capa: Le Tour de France 2018
Artigo revisto por: Francisca Carvalho













