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Após o decorrer de 21 etapas, o Tour finalmente chegou ao fim. O vencedor foi um estreante e o seu país também nunca tinha conquistado um Tour. Falo de Egan Bernal que se estreou a vencer uma Grande Volta, tal como a Colômbia! Além disso, Bernal é o terceiro mais jovem de sempre a ter conquistado o Tour.
A última semana de Volta à França presenteava-nos com mais uma etapa para os sprinters, logo à 16ª Etapa. O vencedor após 177 quilómetros foi um repetente, de seu nome, Caleb Ewan. O australiano da Lotto Soudal correspondeu bem ao trabalho feito por Roger Kluge e por Jasper De Buyst na parte final da etapa e somou aqui a sua segunda vitória na competição.
Elia Viviani acabou na segunda posição, seguido de Dylan Groenewegen. Peter Sagan acabou na quarta posição e ainda amealhou alguns pontos importantes para a sua camisola verde.
Nesta etapa, Jakob Fuglsang viria a abandonar a competição, devido a uma queda. Wilco Kelderman abandonou no dia de descanso e nem sequer começou a etapa 16.
Na geral individual, Julian Alaphilippe mantinha a liderança, com cerca de 1m:35s para Geraint Thomas e 1m:47s para Kruijswijk. Pinot aparecia na quarta posição a 1m:50s e na quinta posição o colombiano Bernal, a 2m:02s.
Na Etapa 17, com a chegada a Gap, muitas eram as equipas interessadas na fuga. Foram 33 ciclistas os escapados, com presença portuguesa, visto que Nélson Oliveira e Rui Costa se encontravam na fuga do dia.
Os portugueses a tentarem ser felizes, após as conquistas passadas de Sérgio Paulinho e de Rui Costa em Gap.
Sem grandes mexidas no pelotão e com o ritmo pausado da Deceuninck-Quick-Step, os favoritos chegaram a mais de 20 minutos dos primeiros da fuga.
Na frente da corrida, após alguns ataques e desentendimentos, foi o campeão Europeu, Matteo Trentin, quem conseguiu fugir para a vitória. Depois das vitórias de Impey e de Simon Yates (duas), o italiano acabou por somar mais uma para a Mitchelton-Scott. Em segundo lugar acabou Kasper Asgreen e em terceiro Greg Van Avermaet, companheiros de fuga de Trentin.
Na geral individual, não se registaram novidades no top dez.

Fonte: Le Tour de France
A décima oitava etapa ligava as localidades de Embrun a Valloire, com cerca de 208 quilómetros de extensão. Etapa que continha muita montanha e em que mais uma vez se destacaram mais de 30 ciclistas na frente.
Neste grupo estavam nomes importantes das equipas, mas o que mais se destacou foi Nairo Quintana. O colombiano largou a concorrência com alguma facilidade e subiu o Col du Galibier (contagem de categoria extra) destacado na frente. Depois fez uma descida tranquila até à meta, sem que nenhum dos seus colegas de fuga o conseguisse alcançar. Bardet fez segundo, a 1m:35s e Lutsenko acabou na terceira posição a 2m:28s.
Lá atrás, nos favoritos, foi Bernal quem mexeu e ninguém seguiu ao seu ritmo. O colombiano foi um dos vencedores do dia, visto que ganhou 32 segundos para a restante concorrência. O francês Alaphilippe resistiu à subida dura do Galibier, mas acabou por ficar para trás na parte final da subida. Thomas e os concorrentes mais diretos do top dez seguiam, já sem o francês.
A descida até à meta ainda era longa, com cerca de vinte quilómetros de percurso. Como um dos melhores descedores da atualidade, Alaphilippe acabou por alcançar o grupo de Thomas, Kruijswijk, Pinot e Buchmann. Acabaram por chegar juntos à meta.
Na geral individual, Alaphilippe mantinha a liderança, após ter sofrido muito nesta etapa. Agora tinha 1m:30s para o segundo lugar de Bernal e 1m:35s para Thomas. Quintana subiu cinco posições e passou do 12º lugar para o sétimo lugar.
Chegava a 19ª etapa e consigo as responsabilidades de se fazerem diferenças. Uma etapa com duas montanhas de terceira categoria, uma montanha de segunda categoria, uma de primeira categoria e outra de categoria extra, era este o cenário ideal para se fazerem estragos.
Com menos de 100 kms para o final, o francês Thibaut Pinot ficava para trás, com claras dificuldades no joelho. Foi um dos momentos mais comoventes deste Tour, com Pinot em lágrimas, por ser obrigado a abandonar uma prova que lhe estava a correr bem.
😢 It’s over for Thibaut Pinot who suffers too much. Extremely sad.
😢 C’est fini pour @ThibautPinot qui souffre trop pour continuer. Un moment très difficile pour lui et son équipe.#TDF2019 pic.twitter.com/qr7Bab0iPk
— Tour de France™ (@LeTour) July 26, 2019
Mais à frente na etapa, Thomas atacou nos favoritos, mas sem grande impacto. Vendo Alaphilippe em dificuldades, Egan Bernal decidiu desferir um ataque poderoso, sem que ninguém o conseguisse alcançar, acabando por apanhar os últimos resistentes da fuga do dia. Bernal foi o primeiro a passar no alto do Col de l´Iseran (contagem de categoria extra) e foi mesmo aí que acabou a etapa, isto porque os atletas tinham a estrada coberta de água e de pedras, porque tinha havido queda de granizo na região, o que veio a provar desabamentos, entupindo as estradas.
Com isto, acabou por não haver vencedor da etapa, nem prémio da combatividade. Bernal poderia ter ganho muito mais tempo a Alaphilippe, ao ritmo que ia, tinha tudo para que acontecesse uma maior diferença.
No entanto, Bernal passou no Col de l´Iseran 58 segundos antes de Kruijswijk, Thomas, Buchmann, Nibali, Urán e Landa. Alaphilippe chegou 2m:07s depois do colombiano.
Com a corrida neutralizada, o francês acabou por ver as diferenças a não serem tão alargadas, como poderiam ser e na geral individual, tínhamos finalmente novo líder! Bernal passou a ser o novo camisola amarela, com 45s de vantagem para Alaphilippe e com 1m:11s para o seu colega de equipa, Thomas.

Fonte: Team INEOS
A etapa 20 chegava e consigo as responsabilidades de saber quem iria ganhar a Volta a França. Por causa do mau tempo, a etapa foi reduzida para 59.5 kms, com uma longa subida no final. Os ataques foram madrugadores, sendo que saltaram muitos ciclistas para a fuga, incluindo Rui Costa e Nélson Oliveira.
A fuga ganhava mais de dois minutos para o pelotão, mas foi perdendo a vantagem, devido ao intenso trabalho da Jumbo-Visma. Laurens De Plus e George Bennett não brincaram em serviço e colocaram um ritmo forte no grupo dos favoritos. Alaphilippe ficava para trás e Enric Mas tentava ajudar o colega de equipa, mas os esforços não foram suficientes e o francês acabaria por perder muito tempo.
Lá na frente, Nibali que estava na fuga, ficava isolado e após vários quilómetros sozinho, acabava por conseguir sacar uma vitória. Ele que estava há mais de um ano sem ganhar!
Buchmann tentava sair dos favoritos, mas não obteve sucesso. Valverde e Landa ainda saíram, acabando por ganhar tempo a Bernal, sete segundos e três segundos, respetivamente. Ambos os ciclistas da Movistar acabaram no pódio da etapa. De seguida chegou Bernal (4º) e Thomas (5º) a 17 segundos de Nibali, acabando por ganhar tempo aos restantes concorrentes.
Na geral individual, Bernal tinha agora 1m:11s para Thomas e 1m:31s para Kruijswijk. Dois ciclistas da Team INEOS e a fechar o pódio um ciclista da Jumbo-Visma.
Alaphilippe caiu para a quinta posição da geral, a 3m:45s do líder.
Parece que a supremacia da Team INEOS no Tour é para continuar. Não tinham Froome, Thomas estava em dúvida, mas ainda tinham Bernal para ganhar a competição.
No último dia de prova, com a chegada aos Campos Elísios, foi novamente o australiano Caleb Ewan a levantar os braços. Depois de um duelo intenso até ao risco de meta com Groenewegen, o ciclista da Lotto Soudal comemorou pela terceira vez nesta edição do Tour! A fechar com chave de ouro a sua prestação na prova francesa. Em terceiro lugar ficou Bonifazio, sprinter da Direct Energie. Não houve mudanças na geral individual e como tal, Bernal subiu ao pódio final em Paris, com a camisola amarela e com a sua camisola da juventude. No pódio, Thomas e Kruijswijk acompanharam Bernal na cerimónia final.

Fonte: Le Tour de France
Um grande Tour, marcado por algumas incidências nesta última semana, no entanto, foi uma prova bem disputada, em que ficámos a conhecer o primeiro colombiano a ser vencedor da maior prova de ciclismo francesa.
Destaques finais: Grande Volta a França de Alaphilippe! Aguentou-se e agarrou-se à amarela como um “cão ao osso” e mostrou que é um atleta cheio de fibra e lutador. Ganhou uma etapa e andou quase todo o Tour de amarelo. Os franceses têm que estar orgulhosos com a sua prestação.
Outra grande prestação foi a da Jumbo Visma nas primeiras semanas, conseguindo quatro vitórias! Com Mike Teunissen, Groenewegen e Wout Van Aert ao sprint e ainda ganharam o contrarrelógio coletivo. No final, ainda levaram Kruijswijk ao pódio final. Grande Tour por parte desta equipa.
A Mitchelton-Scott foi outra equipa a ter sucesso, não o teve na geral individual, mas amealhou quatro etapas. Soube jogar com o que teve e conseguiu triunfar através de quatro fugas bem sucedidas.
Por fim, nos sprints, temos que destacar a sétima camisola verde de Sagan, que bateu o recorde de seis camisolas verdes de Erik Zabel.
Outro sprinter, que se mostrou autoritário neste Tour foi Caleb Ewan. Nunca tinha ganho uma etapa no Tour e acabou por conseguir fazê-lo por três ocasiões.
Top 10 Final do Tour de França
1º Egan Bernal (Team INEOS) 82h:57m:00s
2º Thomas (Team INEOS) +1m:11s
3º Kruijswijk (Jumbo-Visma) + 1m:31s
4º Buchmann (Bora-Hansgrohe) +1m:56s
5º Alaphilippe (Deceuninck-Quick-Step) +4m:05s
6º Mikel Landa (Movistar) +4m:23s
7º Rigoberto Urán (EF Education First) +5m:15s
8º Quintana (Movistar) +5m:30s
9º Valverde (Movistar) +6m:12s
10º Barguil (Arkéa Samsic) +7m:32

Fonte: Le Tour de France
CAMISOLAS
Camisola dos pontos – Peter Sagan (Bora-Hansgrohe) 316 pontos
Camisola da juventude – Egan Bernal (Team INEOS)
Camisola da montanha – Romain Bardet (AG2R La Mondiale) 86 pontos
Classificação por equipas – Movistar Team 248h:58m:15s
Super combativo – Julian Alaphilippe (Deceuninck)
Foto de Capa: Le Tour de France
artigo revisto por: Ana Ferreira












