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Fuglsang vence Critérium du Dauphiné e Froome está fora do Tour

André Filipe Antunes · 5 min

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A 71ª edição do Critérium du Dauphiné, prova que antecede o Tour, apresentava bastantes durezas. A competição começou com uma etapa, que já apresentava algumas dificuldades a nível de subidas. Uma primeira categoria, uma quarta categoria, uma terceira e duas segundas. No entanto, o final era plano, sendo o final ideal para aqueles sprinters que passam bem a montanha. Edvald Boasson Hagen como um dos nomes fortes, arrebatou a sua terceira vitória da temporada e a camisola amarela, sendo que a sua equipa leva apenas quatro triunfos esta época.

No segundo dia, a etapa foi muito movimentada e com isso a fuga acabou por vingar. No final das contas, restavam apenas Dylan Teuns (Bahrain-Merida) e Guillaume Martin (Wanty-Gobert) para decidir quem iria ganhar. O belga Dylan, foi quem levou a melhor num sprint esforçado, vindo de trás, conseguindo ultrapassar o francês mesmo nos metros finais. Teuns assumia assim a liderança da geral, com três segundos para o seu colega de fuga, Guillaume Martin. Nos favoritos, Jakob Fuglsang foi quem liderou o grupo na chegada, juntamente com Pinot, Woods, Quintana, Yates e Froome.  No entanto, Daniel Martin, Kruijswijk, Buchmann, Bardet e Porte já perdiam 31 segundos para os mais diretos rivais.

A terceira etapa, era uma, das poucas oportunidades que os sprinters dispunham. A equipa da Bora-Hansgrohe trabalhou bem durante toda a etapa e conseguiu levar Sam Bennett à vitória. Já leva sete vitórias nesta temporada, o ciclista irlandês. Após um grande trabalho de Shane Archbold, a vitória acabou por surgir de forma autoritária. Teuns manteve a liderança da geral no final do dia. Nesta etapa, os portugueses Rúben Guerreiro e Nélson Oliveira desistiram, o primeiro devido a queda (vai ficar de fora do Tour de France) e o segundo devido a doença.

No dia seguinte, a manhã começa com a notícia de uma queda de Chris Froome num reconhecimento de percurso, do contrarrelógio. O britânico acabou por cair tendo fraturado o fémur e assim o principal candidato à vitória no Tour, vai ficar de fora da prova, sem saber quando irá voltar à competição. Numa descida técnica, Froome terá retirado uma mão do guiador e uma rajada de vento levantou a roda dianteira da sua bicicleta, acabando por atirá-lo contra uma parede de uma casa que estava por perto. A queda registou-se a mais de 50 km/h.

O contrarrelógio individual tinha uma fase inicial em subida e a segunda parte era em ligeira descida/plano. O trajeto realizou-se na localidade de Roanne, num total de 26.1km. A vitória acabou por surgir a um estreante a ganhar no World Tour, de seu nome, Wout Van Aert. Fez um tempo estonteante, tendo feito menos 31 segundos que Van Garderen (segundo lugar) e menos 47 segundos que Dumoulin (terceiro lugar)! Foi uma surpresa claramente, visto que havia nomes de luxo no que toca ao contrarrelógio. Adam Yates passou para a frente na geral, com quatro segundos de vantagem para Teuns e seis segundos para Van Garderen.

Wout Van Aert voou para a vitória no contrarrelógio
Fonte: Team Jumbo-Visma

Na etapa cinco, com um final novamente complicado para os sprinters, houve mais uma surpresa no final do dia. Só que a novidade foi dada pelo belga Van Aert, outra vez! O homem da Jumbo-Visma bateu com autoridade Sam Bennett e Alaphilippe ao sprint! No início do ano dava-se por Van Aert, como um ciclista de clássicas, agora já ganha contrarrelógios e sprints em provas WT… Que menino prodígio que esta equipa holandesa tem nas suas fileiras! No final do dia, o britânico Yates manteve a liderança da prova, Van Aert subiu quatro lugares na geral e estava agora na quinta posição.

Na sexta etapa, tivemos a vitória de um dos homens da temporada! Uma fuga bem sucedida, em que no final restavam Alaphilippe (QuickStep) e Muhlberger (Bora-Hansgrohe), ao sprint, o francês acabou por levar a melhor. Já leva dez vitórias nesta temporada! A juntar à sua vitória na etapa, acabou por subir ao primeiro lugar na geral da montanha. Na geral, Yates defendeu facilmente a sua liderança, enquanto que Van Aert caiu de quinto para a 34.ª posição.

Antes da etapa sete começar, já se sabia das desistências de: Jens Debusschere, Davide Ballerini, Mads Wurtz, André Greipel e especialmente do líder da Sunweb, Tom Dumoulin.

Com a etapa sete, as grandes dificuldades chegavam, na etapa rainha, foi a Team INEOS a ser feliz, com uma parte final muito movimentada, com ataques dos favoritos (Fuglsang, Buchmann, Bardet, Quintana), foi o holandês Poels a sorrir no final. Uma etapa que se fez debaixo de um tempo muito chuvoso e com o pavimento escorregadio.

Depois de fechar inúmeras vezes o espaço existente para os homens que se destacavam na frente, Wout Poels obteve uma vitória com classe, sem dúvida, depois da desistência de Froome, ele era o líder da equipa INEOS. Fuglsang (segundo) chegou com Buchmann (terceiro), com apenas um segundo de atraso. Na geral individual, Fuglsang era o novo líder, Yates segundo, com oito segundos de atraso e Van Garderen terceiro com 20 segundos a mais. 

Na última etapa, tivemos novamente a presença da montanha, era a etapa de todas as decisões e jogava-se a geral. A fuga obteve novamente o êxito e a Team INEOS venceu pela segunda vez. No final, Dylan Van Baarle bateu Jack Haig ao sprint, após terem andado bastantes quilómetros em fuga. O tempo dos fugitivos foi sempre controlado pela Astana para garantir a camisola do dinamarquês. Dentro dos 50 quilómetros finais, Adam Yates e Kruijswijk desistiram da prova. Os favoritos chegaram praticamente todos juntos e não houve espaço para ganhar tempo a Fuglsang. 

Desta feita, o dinamarquês ganhou a prova pela segunda vez na carreira, visto que já tinha ganho em 2017. Nesta temporada, Fuglsang já ganhou a Volta a Andalucia, uma etapa no Tirreno Adriático, a Liège-Bastogne-Liège e agora o Critérium Dauphiné, para não falar dos vários pódios e top dez que o dinamarquês alcançou. Está a fazer a melhor temporada da sua carreira e os resultados estão à vista.

Numa análise final, vimos um Fuglsang muito consistente, um Van Garderen de volta aos “grandes palcos”, Wout Poels a grande nível e acima de tudo um Wout Van Aert que esteve estupendo! Pela negativa, a terrível queda de Froome durante a competição e a desistência de Tom Dumoulin, depois de ter desistido no Giro de Itália, voltou a desistir, já depois de não ter conseguido ganhar o contrarrelógio individual.

Já não se via um Tejay destes há muito tempo
Fonte: EF Education First
  • Geral dos pontos – Wout Van Aert (Jumbo-Visma) 82 pontos
  • Gera da montanha – Alaphilippe (Quick-Step) 75 pontos
  • Geral da juventude – Bjorg Lambrecht (Lotto-Saudal) 30h:47m:44s
  • Geral por equipas – Astana 92h:19m:24s

Top 10 final:

  1. Jakob Fuglsang (Astana) 30:44:27
  2. Tejay Van Garderen (EF Education First) + 0:20s
  3. Buchmann (Bora- Hansgrohe) + 0:21s
  4. Wout Poels (Team INEOS) + 0:28s
  5. Thibaut Pinot (Groupama-FDJ) + 0:33s
  6. Dylan Teuns (Bahrain-Merida) + 1m:11s
  7. Lutsenko (Astana) + 1m:12s
  8. Dan Martin (UAE Emirates) + 1m:21s
  9. Nairo Quintana (Movistar) + 1m:24s
  10. Romain Bardet (AG2R) + 1m:38s

Foto de Capa: EF Education First

André Filipe Antunes

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