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Chegou ao fim mais uma edição do Tour, desta vez com vitória do jovem esloveno Tadej Pogacar (UAE Team Emirates), que fez uma recuperação extraordinária na classificação geral. Na última etapa, nos Campos Elísios, a vitória foi para Sam Bennett. Com um sprint exemplar, o camisola verde bateu toda a concorrência na chegada a Paris.
ETAPA 16
Vamos ao resumo da última semana, com os ciclistas a encontrarem dificuldades logo a seguir ao dia de descanso. Uma etapa talhada para a fuga, em que muitas equipas procuraram estar na frente. Cerca de 20 ciclistas conseguiram ganhar destaque face ao pelotão, com nomes importantes como, Alaphilippe, Alberto Bettiol, Barguil, Carapaz e Neilson Powless. Quentin Pacher era outro dos fugitivos, e conseguiu fugir dos seus colegas de fuga numa das dificuldades do dia.
Atrás dele seguia Carapaz, Kamna, Alaphilippe e Reichenbach. O equatoriano Carapaz e o alemão Kamna deixavam para trás os outros dois elementos, mas depressa sobrou apenas Kamna na frente. O homem da Bora-Hansgrohe abriu uma grande vantagem, que lhe deu espaço suficiente para a vitória, que lhe tinha escapado na etapa 13, onde perdeu apenas para Daniel Martínez (EF Pro Cycling).
🏆 🇩🇪 @lennardkaemna finally!
🏆 🇩🇪 Cette fois c’est la bonne pour @lennardkaemna !#TDF2020 #TDFunited pic.twitter.com/KkP9agQ8iQ
— Tour de France™ (@LeTour) September 15, 2020
Os favoritos chegaram a 16m48s do primeiro lugar, sem grandes alterações na geral, apenas com a troca de lugares entre Tom Dumoulin e de Nairo Quintana, com o primeiro a subir ao nono lugar, enquanto que o segundo desceu para a décima posição.
Nesta etapa, o francês Pierre Rolland (B&B Hotels-Vital Concept) igualou o primeiro lugar de Benoît Cosnefroy na camisola da montanha, ambos com 36 pontos. Jérôme Cousin (Team Total Direct Energie) chegou fora do tempo limite, enquanto que David Gaudu (Groupama-FDJ) não concluiu a etapa.
ETAPA 17
Na etapa 17, mais uma chegada em alto, numa ligação de 170 quilómetros, entre Grenoble e Méribel- Col de la Loze. A fuga do dia envolveu corredores de qualidade com, Carapaz, Alaphilippe, Dan Martin, Lennard Kamna e Gorka Izaguirre. Na última subida do dia, com os seus rigorosos 21,4 quilómetros com uma pendente média de 7.7%, foi Carapaz quem se destacou. O ritmo da Bahrain-Mclaren era forte no grupo dos favoritos, e o tempo para Carapaz ia sendo encurtado. Alguns nomes importantes ficavam para trás, Landa, Urán e Dumoulin eram exemplos disso mesmo.
Miguel Ángel López decidia atacar, levando consigo o camisola amarela Roglic, Pogacar, Sepp Kuss e Richie Porte. Kuss impôs-se ao trabalho, mas o espaço abria para seguir a solo, López decidiu seguir atrás do estadunidense e ultrapassá-lo. Roglic estava atento à situação, acabou por desferir um ataque a Pogacar, e encostar ao colega Kuss.
No entanto, o colombiano já levava uma vantagem considerável e seguiu para a vitória de forma isolada. Roglic terminou em segundo lugar, a 15 segundos de “Superman López”, e em terceiro fechou Pogacar, já a 30 segundos. O homem da Jumbo-Visma abria mais o espaço para a o segundo lugar do ciclista da Emirates, passando a ser 57 segundos de diferença.
Big day for @SupermanlopezN. It was his dream to win a stage at @LeTour and now this dream came true! 👏👏👏#AstanaProTeam #TDF2020
📷 @GettySport pic.twitter.com/g4getqA5o8— Astana Pro Team (@AstanaTeam) September 16, 2020
Com esta etapa, López subia ao pódio da classificação geral, enquanto que Richie Porte subia da sexta para a quarta posição. A maior queda foi a de Rigoberto Urán, descendo do terceiro para o sexto lugar. O veterano da Movistar, Alejandro Valverde, subia para o décimo lugar da geral. Este dia ficou marcado também pela mudança do portador da camisola da montanha, sendo que Benoît Cosnefroy foi ultrapassado por três homens da geral: Pogacar, Roglic e López. Pogacar passava a liderar com 66 pontos.
Esta etapa foi marcada também pela desistência de Egan Bernal, que não alinhou à partida. Stefan Kung (Groupama-FDJ) também não saiu para a tirada. Mikel Nieve (Mitchelton-Scott) desistiu durante a etapa, e Jens Debusschere (B&B Hotels- Vital Concept) chegou fora do tempo limite. Uma nota curiosa, o facto do espanhol Mikel Nieve ter abandonado pela primeira vez uma Grande Volta, após 19 Grandes Voltas!
ETAPA 18
A etapa 18 marcava a última jornada de alta montanha. Muitos foram os nomes que saltaram para a fuga, com uma forte presença da Team INEOS Grenadiers. As montanhas foram selecionando o grupo da fuga, onde sobraram, Richard Carapaz, Michal Kwiatkowski, Pello Bilbao, Nicolas Edet e Marc Hirschi. O jovem da Team Sunweb, Hirschi, acabou por cair numa descida e ficou para trás. Edet também descolava pouco depois, devido às dificuldades impostas pela subida.
Os homens da Ineos Grenadiers atacaram Pello Bilbao, e seguiram isolados até à meta. Foi de forma confortável, com tempo para festejos e tudo, que fizeram a dobradinha para a sua equipa. O equatoriano decidiu que era justo ser Kwiatkowski a vencer, por todo o trabalho que o polaco teve ao longo da prova.
“I can’t compare it to any other victory. I have never experienced something like that before… It was super emotional. I had goosebumps all the way down the last climb. We knew how hard we had worked for it, especially over the last few days. It’s incomparable.”
– @Kwiato ❤️💙 pic.twitter.com/JtVjE8pz3H
— INEOS Grenadiers (@INEOSGrenadiers) September 17, 2020
No grupo dos favoritos, era o espanhol Mikel Landa que atacava, enquanto que Pello Bilbao aguardava mais à frente pelo seu líder. Tadej Pogacar e Enric Mas mexiam também, e acabaram mesmo por recolar ao ciclista da Bahrain. Wout Van Aert decidiu pegar no grupo, e ainda fez terceiro na etapa. Roglic e Pogacar chegaram logo a seguir, com o mesmo tempo. Na classificação geral, as diferenças foram mínimas. Landa e Enric Mas subiam duas posições, para quinto e sexto, respetivamente. Adam Yates e Urán seguiam o caminho inverso, caindo para sétimo e oitavo lugar.
Richard Carapaz assumia a liderança da camisola da montanha, após uma subida de seis posições, com 74 pontos. O equatoriano foi o ciclista mais mexido nesta última semana, querendo mostrar que a Ineos estava “viva”, após a desistência do seu líder Egan Bernal. André Greipel, o sprinter veterano alemão, acabou por não concluir a etapa.
ETAPA 19
A jornada seguinte seria uma boa oportunidade para Peter Sagan tentar recuperar a camisola verde. A etapa de 166,5 quilómetros era dura o suficiente para deixar os sprinters puros para trás. Rémi Cavagna (Deceuninck-QuickStep) foi o homem da fuga, com o pelotão a controlar sobre comando da Bora-Hansgrohe.
Já nas últimas dezenas de quilómetros, um grupo de sprinters e roladores saiu do pelotão: Peter Sagan, Sam Bennett, Niklas Arndt, Mezgec, Stuyven e Matteo Trentin, Oliver Naesen, Luke Rowe, Van Avermaet, Jack Bauer, Dries Devenyns e Soren Kragh Andersen. A camisola dos pontos estava em jogo, e isso estava à vista.
Era tanta a luta, que os sprinters ficaram a olhar uns para os outros, e deixaram Soren Kragh Andersen ir embora. O dinamarquês já tinha conquistado uma etapa, voltou a atacar para nova vitória. A vantagem foi crescendo, entrando no último quilómetro com mais de 50 segundos de diferença, em mais uma jornada de glória para a Team Sunweb.
What a day at @LeTour🤩
Relive our and @kraghsoren‘s incredible third #TDF2020 stage win this afternoon with our gallery!🥰
📸https://t.co/4bBVNNJqgn pic.twitter.com/sh7u8xhFNj
— Team Sunweb (@TeamSunweb) September 18, 2020
Em segundo lugar terminou o esloveno Luka Mezgec, e em terceiro fechou Jasper Stuyven. Sam Bennett terminou a 1m02s da frente, na oitava posição, seguindo-se Peter Sagan na nona posição. A missão do eslovaco fracassou, não conseguindo encurtar os pontos de diferença para o homem da Quick Step. O pelotão chegou a mais de sete minutos da frente, onde não houve mexidas, nem diferenças de tempo nos homens da geral.
Esta etapa ficou marcada pela desistência de Lukas Postlberger (Bora-Hansgrohe), e pelas desistências de Michael Gogl (NTT Pro Cycling) e Jonathan Castroviejo (Ineos Grenadiers) antes do começo da etapa.
ETAPA 20
Chegado o dia da etapa 20, com um contrarrelógio individual, com 36,2 quilómetros de extensão. Numa primeira fase, o terreno a ser bom para os puros roladores, enquanto que nos últimos quilómetros a dureza a impor-se, com a subida à La planche des belles filles. Um dia em que se esperavam as últimas diferenças entre os homens da geral, e que diferenças que foram feitas!
O primeiro tempo de referência foi o de Rémi Cavagna, retirando quase dois minutos ao melhor tempo anterior. O francês que teve o sexto melhor tempo final, apenas foi retirado da cadeira quente por intermédio de Wout Van Aert, que retirou 28 segundos. Com todos os homens importantes da geral na estrada, começava a acontecer algo inesperado por muitos. Pogacar passava no primeiro ponto intermédio, com um ganho de 13 segundos face a Roglic. No segundo ponto, já levava 36 segundos de vantagem para o camisola amarela, a diferença era cada vez mais encurtada.
Na subida final, Pogacar acabaria mesmo por ultrapassar Roglic, acabando por ganhar no final 1m56 ao seu compatriota. Uma recuperação formidável, quando era expectável que Roglic fosse conquistar o Tour, visto que é um dos melhores contrarrelogistas da atualidade. Pogacar acabou por vencer o contrarrelógio com o tempo de 55m55s, a uma média de 38.444 km/h.
An incredible TT saw 🇸🇮 @tamaupogi power his way into the Yellow Jersey 💛
🎬 Relive the emotion of that final kilometre!
Un mano à mano exceptionnel dans la Planche des Belles Filles ! Victoire de 🇸🇮 @TamauPogi qui s’empare du Maillot Jaune !#TDF2020 pic.twitter.com/mrYuM2b9aW
— Tour de France™ (@LeTour) September 19, 2020
Em segundo lugar ficou Tom Dumoulin, a 1m21s, com o ex-campeão do mundo a ficar boquiaberto com a prestação de Pogacar. Richie Porte (Trek-Segafredo) acabou na terceira posição, com o mesmo tempo de Dumoulin. Roglic teve de se contentar apenas com a quinta posição, a 1m56s.
Na geral houve muitas alterações. Para além da mudança no primeiro lugar, foram várias as subidas e descidas devido ao contrarrelógio. Richie Porte subiu à terceira posição, Landa e Enric Mas também subiram, para quarto e quinto lugar. López caiu do pódio, terceiro lugar, para a sexta posição. Dumoulin subiu de nono para sétimo. Adam Yates caiu da sétima posição para o nono lugar. Valverde saiu do top dez, entrando Damiano Caruso da Bahrain-McLaren.
Pogacar, com a subida a dar pontos de montanha, viu o seu nome a subir à primeira posição da camisola das bolinhas, ultrapassando Richard Carapaz, com 82 pontos. Ele que venceu três classificações: camisola amarela, montanha e camisola do melhor jovem.
O jovem esloveno torna-se o segundo mais jovem de sempre a vencer o Tour, com apenas 21 anos, supera mesmo a idade de Bernal, aquando da vitória do colombiano no ano transato.
ETAPA 21
Chegou o último dia do Tour, com a chegada final a Paris, nos Campos Elísios. Etapa de consagração para Pogacar, com uma extensão de 122 quilómetros. A fuga foi marcada por quatro elementos: Max Schachmann, Connor Swift, Greg Van Avermaet e Luc Périchon. A diferença para o pelotão foi sempre curtinha, sem permissão de grandes avanços para a fuga.
Na entrada para a reta final, Morkov (Deceuninck-Quick Step) seguia na frente, trazendo Sam Bennett. Stuyven lançou o sprint para Mads Pedersen, mas Bennett na direita impôs-se com a autoridade devida, e encerra o tour e a classificação dos pontos de forma fantástica. Nos dois anos anteriores tinha sido Sagan a vencer esta classificação.
🦅 An aerial view of 🇮🇪 @Sammmy_Be‘s sprint as he powered his way to victory on the 21st and final stage.
🦅 Vue aérienne de la victoire de 🇮🇪 @Sammmy_Be qui s’impose lors de cette dernière étape de ce #TDF2020 pic.twitter.com/mBTetr3SX7
— Tour de France™ (@LeTour) September 20, 2020
Acabou assim mais uma edição do Tour de França. Com claro destaque para Tadej Pogacar, que foi monstruoso no contrarrelógio, quando muitos já pensavam que estava arredado do primeiro lugar. Um grande pódio de Richie Porte, ele que perdeu o nascimento da sua segunda filha para estar no pódio final em Paris. O australiano voltou aos grandes palcos, depois de ter andado vários anos em busca da sua sorte, mas os infortúnios iam sempre aparecendo.
💛 Your #TDF2020 winner: 🇸🇮 @TamauPogi 💛
💛 Le vainqueur du #TDF2020 : 🇸🇮 @TamauPogi 💛#TDFunited pic.twitter.com/DnJ8GQTJXm
— Tour de France™ (@LeTour) September 20, 2020
Uma super grande volta de Wout Van Aert, onde conquistou duas etapas e carregou a equipa durante várias etapas. Marc Hirschi e Soren Kragh Andersen, colegas de equipa, andaram muito bem durante toda a prova, e conseguiram somar três etapas no total para a Sunweb. A camisola verde foi também destaque, com uma luta aguerrida, mas que cedo se percebeu que Bennett estava mais forte que Sagan nos sprints. A etapa em que o eslovaco foi penalizado contribuiu para as diferenças finais.
TOP DEZ DO TOUR DE FRANCE
1.º – Tadej Pogacar (UAE-Emirates) 87h:20m:05s
2.º – Primoz Roglic (Team Jumbo-Visma) +59s
3.º – Richie Porte (Trek-Segafredo) +3m30s
4.º – Mikel Landa (Bahrain-McLaren) +5m58s
5.º – Enric Mas (Movistar Team) +6m07s
6.º – Miguel Ángel López (Astana) +6m47s
7.º – Tom Dumoulin (Team Jumbo-Visma) +7m48s
8.º – Rigoberto Urán (EF Pro Cycling) +8m02s
9.º – Adam Yates (Mitchelton-Scott) +9m25s
10.º – Damiano Caruso (Bahrain-Mclaren) +14m03s
O único português:
55.º – Nélson Oliveira (Movistar) +3h01m41s
CAMISOLAS
Camisola dos pontos – Sam Bennett (Deceuninck-Quick Step) 380 pontos
Camisola da juventude – Tadej Pogacar (UAE Team Emirates) 87h:20m05s
Camisola da montanha – Tadej Pogacar (UAE Team Emirates) 82 pontos
Ciclista mais combativo do Tour – Marc Hirschi (Team Sunweb)
Classificação por equipas – Movistar Team 262h15m22s








