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Falar de ciclismo geralmente é falar no Tour de France, não há como escapar. Para o espectador comum é a maior prova de ciclismo a nível internacional, e é verdade. No entanto, existem variadíssimas provas internacionais com reputação ao nível da Volta a França.
O meu texto vai no sentido de dar a conhecer algumas dessas provas, algumas desconhecidas do público que só segue o Tour de France e a nossa Volta a Portugal. Essas provas são conhecidas como os “Cinco Monumentos”.
Primeiro explicar o que são os cinco monumentos. Os cinco monumentos são cinco provas do calendário internacional, denominadas de “Clássicas” e por norma todas elas com grande grau de exigência e dificuldade. Só ciclistas com determinas especialidades é que conseguem vencê-las, tornando-se em autênticos heróis nacionais.

Fonte: Eddy Merckx
Actualmente, existem três ciclistas que venceram as cinco provas, e todos eles belgas. São eles Eddy Merckx, Roger De Vlaeminck e Rik Van Looy. Deles destaca-se Eddy Merkcx com um total de 19 vitórias, o que diz bem da dificuldade e da diversidade de cada prova apresenta.
Comecemos então pela primeira “Clássica” do ano, a Milan-San Remo é uma clássica disputada na altura da primavera, é uma prova centenária (primeira edição foi em 1907) que conta com uma quilometragem perto dos 300km, embora seja uma prova com um perfil pouco acidentado, são os sprinters que ultimamente tem levado a melhor nesta clássica,
Cavendish, Degenkolb, Ciolek, Kristoff, Zabbel, Cipollini, Pettachi, são alguns nomes que obtiveram vitórias nesta clássica mas é comum em algumas edições haver pequenos grupos e mesmo fugas a chegar ao fim e disputarem a vitória entre si, nestas situações nomes como Cancellara e Bettini vêem ao de cima. Mas o grande nome desta competição e com maior número de vitórias era o fantástico Eddy Merckx, que venceu nada mais nada menos que sete edições desta prova, sendo portanto o recordista, seguido do italiano Constante Girardengo, com seis, numa prova que completou este ano 108 edições.
Depois viramos agulhas para o empedrado, a prova é a Ronde Van Vlaanderen ou Tour de Flandres.
Para se ter uma noção exacta desta clássica, toda a Bélgica pára para assistir a esta prova, é a prova rainha daquele país e segunda maior prova de pavê.
Esta prova é para especialistas em pavê (estradas empedraras) e onde a dureza é a palavra de ordem, sinónimo dessa dureza são os míticos sectores de pavê, Kopenberg, Kwaremont,Kapelmuur,Paterberg,que fazem desta prova uma das mais espectaculares do ano.
Nesta prova centenária (primeira edição em 1913) 6 ciclistas dividem o recorde de vitórias, são eles Tom Boonen, Achiel Buysse, Fabien Cancellara, Eric Leman, Fiorenzo Magni e Johan Museeuw, todos eles com 3 vitórias na prova, os belgas naturalmente são quem domina esta prova com um total de 68 vitórias.

Fonte: Philip Gilbert
Continuando no pavê segue-se a prova rainha desta categoria, o Paris-Roubaix.
Iniciada em 1896 é das provas mais antigas do ciclismo e a mais mediática prova de um dia. Conhecida como o inferno do norte, a Paris-Roubaix é não só o expoente máximo das clássicas do norte como também é o culminar de semanas de provas em pavê.
Tem diversos sectores de pavê, onde a selecção dos ciclistas mais fortes é logo feita, terminando a corrida no Velódromo em Roubaix. Dos ciclistas mais badalados desta competição destacam-se dois belgas, Tom Boonen e Roger de Vlaeminck com 4 vitórias cada, sendo que Tom Boonen em 2012 tem das vitórias mais espectaculares da
competição, arrancando a solo a cerca de 50km da meta e conseguindo uma das vitórias mais bonitas da sua carreira. Mas a grande vitória nesta prova pertence a Dirk Demol que venceu a prova depois de ter estado 222km em fuga!
Existe em França uma associação chamada Les Amis de Paris-Roubaix, e é graças a eles que os sectores de pavê sobrevivem, dado que há adeptos que no final das corridas levam os paralelos para recordação, é esta mesma associação que volta a repor, ajudando assim a esta mítica prova a prosseguir com tanto entusiasmo e espectáculo, ano após ano.

Fonte: Paris-Roubaix
De França saltamos novamente para a Bélgica e para a rainha das clássicas acidentadas, a Liege-Bastogne-Liege.
Depois das clássicas do norte, chegam as “Clássicas Acidentadas”, ou clássicas da Primavera e a Liege-Bastogne-Liege é considera a principal Clássica deste tipo de terreno.
É uma das corridas que juntamente com a La Fleche Wallone e a Amstel Gold Race, formam as Clássicas das Ardenas e que decorrem no mês de Abril. A Liege também conhecida como a La Doyenne (a mais antiga), foi criada a primeira vez em 1892, sendo uma corrida para amadores, mas em 1894 já era disputada por ciclistas profissionais. O recordista de vitórias é o galardoado Eddy Merckx que conta com cinco vitórias no seu pecúlio.
Por fim temos a Il Lombardia ou Giro da Lombardia. O giro da Lombardia é o último monumento que é disputado, a
corrida realiza-se praticamente no final de época, é também considerada uma” Clássica Acidentada”. Il Lombardia não é o nome original da prova, este nome começou a ser usado em 2011, até então a prova chamava-se Milão-Milão.
A prova tem origem em 1905 e o jornal Gazzetta dello Sport que aorganizou. Fausto Coppi é o homem que conseguiu mais vitórias na prova, num total de 5 vitórias, outros nomes se destacam como Gaetano Belloni e Costante Girardengo, obtendo três vitórias.
É uma prova que não tem sempre o mesmo percurso, sendo dos monumentos os que já sofreu mais alterações, cidades como Milão, Como, Monza, Varese, Bergamo, Mendrisio e Lecco, já foram anfitriãs.
Uma curiosidade nesta prova, a maior margem de vitória foi registada em 1905, quando Giovanni Gerbi e Giovanni Rossignoli ficaram separados por 40 minutos e 11 segundos, Gerbi é também o ciclista mais novo a vencer esta clássica.
Existem outras provas de interesse para além dos 5 monumentos, provas conceituadas e que podem ser acompanhadas pelos adeptos, como são os casos da Vuelta a Espanha e do Giro de Itália, há também os Mundiais, onde o nosso ciclista português Rui Costa já conseguiu vencer.
São estas provas que mostram que há mais vida para além do Tour de França, e que fazem do ciclismo um espectáculo belo de seguir. É claramente um desporto a acompanhar!!
Foto de Capa: mondoramas.com
Artigo revisto por: Francisca Carvalho












