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Terminou hoje a 44.ª Volta ao Algarve em bicicleta, que coroou Michal Kwiatkowski (Team Sky) como vencedor da prova. A organização está de parabéns quer pela escolha do percurso, que teve um pouco de tudo, quer pelo pelotão que se apresentou com muitos nomes sonantes.
Os destaques da corrida vão inevitavelmente para o vencedor mas há outros nomes que se destacaram na prova algarvia.
Dylan Groenewegen (Team LottoNL-Jumbo) venceu duas etapas, etapas essas dedicadas ao sprinters beneficiando de grande ajuda da sua equipa nas chegadas a Lagos e Tavira com comboios organizados e que ajudaram a que o holandês batesse toda a concorrência.
Na sua terceira participação na prova algarvia Groenewegen consegue não só ter a sua primeira vitória na prova, como consegue fazê-lo por duas vezes mostrando que é um ciclista jovem e com margem de progressão e que certamente irá ser um dos grandes nomes da sua geração.

Fonte: Nuno Raimundo
No campo dos sprinters e em relação aos portugueses gostei de ver as prestações na primeira etapa de Luis Mendonça (Aviludo-Louletano) e João Matias (Vito-Feirense-Blackjack) que foram os melhores portugueses terminando no 10º e 13º lugar respectivamente fora do núcleo das melhores equipas portuguesas, o que mostra a qualidade dos nossos ciclistas mesmo em equipas de menor dimensão.
O contra-relógio que apresentava um perfil interessante, um pouco técnico e com alguma elevação, reforçou Geraint Thomas (Team Sky) como líder da prova ficando a ser o principal candidato à vitória com duas etapas para ainda por disputar,, além de Thomas a Team Sky colocava ainda Kwiatkowski na segunda posição na geral a 22 segundos do seu companheiro de equipa, podendo gerir a seu bel prazer essa vantagem na última etapa que iria decorrer no Malhão.

Fonte: Nuno Raimundo
Este contra-relógio veio também mostrar quem é o melhor contra-relogista português da actualidade, e que consegue ombrear com os melhores a nível mundial. Nélson Oliveira (Movistar Team) fez um belo contra-relógio com o 5º melhor tempo galgando lugares e ascendendo ao terceiro lugar na geral dando esperanças de conseguir alcançar no Algarve um excelente lugar.
Na etapa da chegada à Fóia a Sky mostrou o porquê de ser a melhor equipa nas chegadas ao alto e em etapas de alta montanha. Numa etapa em que a fuga chegou a ter 7 minutos de vantagem, e com o pelotão a forçar o ritmo na aproximação à Fóia a mesma seria alcançada ainda antes da subida, sendo que os últimos resistentes foram apanhados já na subida para a Fóia.
Numa ascensão com cerca de 15km a subida à Fóia deste ano foi feita pela vertente mais longa mas menos dura a nível de inclinação, querendo a organização com isto evitar que houvesse grandes diferenças de tempo logo no início da prova.
Anulada que estava a fuga a Sky começa a lançar as suas iscas, neste caso a isca era Vasil Kiryienka, que obrigou a que as outras equipas fossem obrigadas a mexer na corrida, isto na fase mais dura da subida, Kwiatkowski aproveito a deixa e arrancou para o que faltava da etapa, levando na roda Bauke Mollema (Trek-Segafredo), Geraint Thomas, Daniel Martin (UAE Team Emirates) e Jaime Rosón (Movistar Team), sendo o polaco o mais forte a vencer e Thomas a ficar com a geral à segunda etapa.
Dia perfeito para a Sky que levava a etapa para casa e conseguia à segunda etapa e antes do contra-relógio ficar na liderança da geral.
Chegávamos ao Malhão e a Sky estava em posição ideal para iniciar a dança.
Com a Thomas e Kwiatkowski nas duas primeiras posições teriam de ser as outras equipas a tentar mexer na etapa de maneira a ficarem em posição te atacarem a equipa britânica. Mas como disse anteriormente se há equipa que consegue gerir estes momentos em etapas com desnível grande é a Sky sem dúvida.
Logo nos quilómetros iniciais desenhou-se a fuga de 31 elementos que iria prevalecer até ao fim da etapa e foi aqui que a Sky trabalhou muito bem taticamente, lançando o polaco para a fuga ficando com duas cartadas muito fortes para a etapa. À medida que os quilómetros iam passando o tempo da fuga ia aumentando, e cada vez mais se percebia que o polaco seria o vencedor caso não houvesse mexidas no pelotão.
Mexidas ouve mas na frente da corrida, onde saltaram Lukas Postlberger (Bora-hansgrohe) que depois recebeu a companhia de Zdenek Stybar (Quick-Step Floors) fazendo companhia até à primeira subida ao Malhão, aqui o austríaco deixou Stybar dançar sozinho já que faltaram pernas para fazer a dura subida.
O grupo perseguidor, o de Kwiatkowski não deixou o homem da Quick-Step ganhar muito tempo e com uma entrada muito forte no início da subida final, surgiram ataques, com Cimolai o italiano da FDJ a ganhar alguma vantagem mas a dar o mote para que Kwiatkowski fizesse também o seu ataque levando consigo o português Ruben Guerreiro (Trek-Segafredo), Serge Pauwels (Dimension Data) e Stefan Kung (BMC Racing Team).
Mas o polaco numa subida de grande nível não só apanhou Stybar, como foi isolado subida fora até cortar a meta coroando-se assim como vencedor da 44.ª edição da Volta ao Algarve em Bicicleta destronando o seu companheiro de equipa Geraint Thomas da liderança da prova, numa jogada táctica brilhante por parte da Sky que tinha que apostar num dos dois líderes fazendo a meu ver a escolha certa em relação ao polaco sabendo assim como “dançar” no alto do Malhão.

Fonte: Nuno Raimundo
Quem fez também uma subida de grande nível foi o nosso português Rúben Guerreiro que mesmo não conseguindo seguir o polaco, fez uma subida de enormíssimo nível arrancando um excelente 2.º lugar perante uma forte concorrência. Mostra aquilo que venho dizendo sobre ele nos últimos meses, vai ser o nosso próximo Rui Costa, ainda que tenha que evoluir muito mais.
De resto a prova serviu para mostrar que o Algarve não são só praias, que o interior algarvio é muito belo e a organização escolheu bem o percurso de modo a promover bem esta região.
Ficou também provado que a prova ganha e muito com o facto de haver transmissão televisiva, sendo a cobertura feita para 120 países é uma mais valia na promoção tanto do nosso país, como do ciclismo que em Portugal carece de mais apoios deste género para promover uma modalidade que tem muitos adeptos no país.
Foto de Capa: Nuno Raimundo














