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Três semanas e mais de três mil quilómetros depois, a Vuelta a España chegou ao fim com o tradicional circuito em Madrid. Como já é hábito, foi uma prova marcada com muitas chegadas em alto e subidas de inclinações brutais, mas poucos dias atacados do início ao fim e escassas oportunidades para os sprinters.
Antes de analisarmos as classificações finais da última Grande Volta da temporada, olhemos para os números gerais da prova.
Vencedores de etapas

Fonte: Quick-Step Floors/Getty Images
3 – Elia Viviani (3, 10, 21)
2 – Rohan Dennis (1, 16), Ben King (4, 9), Alejandro Valverde (2, 8), Thibaut Pinot (15, 19)
1 – Simon Clarke (5), Tony Gallopin (6), Nacer Bouhanni (7), Alessandro De Marchi (11), Alexandre Genie (12), Oscar Rodriguez (13), Simon Yates (14), Michael Woods (17), Jelle Wallays (18), Enric Mas (20)
Líderes da Geral
Simon Yates (11 etapas)
Rudy Molard (4 etapas)
Michal Kwiatkowski (3 etapas)
Jesus Herrada (2 etapas)
Rohan Dennis (1 etapa)
Classificação Geral

Fonte: Quick-Step Floors/Getty Images
Numa primeira semana que foi um simples aperitivo para o que estava para vir, Simon Yates foi se mostrando mais calmo e calculista e acabaria por assumir a liderança à nona etapa. No entanto, as lições do Giro foram bem aprendidas e a Mitchelton soube ser contida e atacar apenas nos momentos certos, com Yates a matar a corrida com um ataque surpreendente à 19.ª jornada.
No entanto, a história da vitória de Yates é também a história da quebra da Movistar. Primeiro foi o colombiano Nairo Quintana a mostrar que não estavam com pernas para vencer a Vuelta. Depois, foi Valverde que perdeu o podium no penúltimo dia. O veterano espanhol bem deu luta a Yates e aguentou-se muito bem, mas a sucessão de montanhas de Andorra foi demais para ele acabou por cair a quinto. Se é uma verdadeira desilusão para a Movistar não conseguir sequer um podium, é, ainda assim, uma prestação de grande qualidade de Valverde que, aos 38 anos, continua a provar o seu valor.
A grande surpresa desta prova foi Enric Mas. O jovem espanhol da Quick-Step Floors confirmou o potencial que lhe era apontado e esteve sempre ao nível que a corrida lhe exigia. E, se a sua regularidade na montanha já era suficiente para o valorizar, esteve em grande na jornada final de montanha, vencendo a etapa e subindo ao segundo posto da Geral final. A fechar o podium ficou o colombiano Miguel Angel Lopez, que já havia finalizado o Giro no mesmo lugar. Também entre os primeiros, no quarto posto, ficou Steven Kruijswijk. Depois de um par de anos difíceis, o holandês está de regresso aos lugares cimeiros de Grandes Voltas e junta este excelente resultado ao quinto posto que já somara no Tour.
Classificações Secundárias

Fonte: Movistar Team
Tal como esperado, Alejandro Valverde e Peter Sagan foram os principais nomes na luta pela classificação dos Pontos. O espanhol rapidamente se viu no primeiro posto, mas o eslovaco andou por perto até ao fim. No final de contas, os dois triunfos de etapa do espanhol contra nenhum do campeão do mundo fizeram a diferença.
Luis Angel Mate assumiu a liderança da Montanha logo ao primeiro dia e manteve-a até bem perto do final. No entanto, na última semana, faltaram-lhe as forças para continuar a somar quilómetros escapado e acabaria por não conseguir defender a camisola. Seria Thomas De Gendt a sair por cima, vencendo por uma margem esclarecedora depois de uma fenomenal recolha de pontos na última incursão da Vuelta pelas montanhas.
Como não raras vezes acontece na Vuelta, foi o primeiro da Geral a levar para casa o Combinado. Ainda assim, os 11 pontos de Simon Yates não são um número assustador, mas a quebra de Valverde nos últimos dias deu-lhe tranquilidade.
Na classificação coletiva, a Movistar Team assaltou o primeiro lugar bem cedo e não mais o largou. A Bahrain Merida ainda deu luta durante boa parte da Vuelta, mas acabou por fraquejar nos últimos dias e ficar bem longe dos espanhóis.
O mais Combativo foi o holandês Bauke Mollema, um prémio bem merecido.
WNT Challenge by La Vuelta

Fonte: WNT Challenge by La Vuelta
Depois de vários anos como uma corrida de um dia em Madrid, a prova da Vuelta para o circuito feminino passou este ano a ter dois dias, mantendo o circuito madrileno, mas antecedendo-o com um contrarrelógio coletivo no dia anterior.
Naquele que era o último grande teste antes dos Mundiais da especialidade, a Team Sunweb mostrou estar em forma para tentar revalidar o título em Innsbruck e deu uma autêntica lição às adversárias no primeiro dia, com Leah Kirchmann a assumir a liderança da corrida.
Na segunda jornada, houve muitos ataques, com os muitos sprint bonificados a fazerem a corrida a animar. No final, um pequeno grupo chegou adiantado face ao pelotão, com a italiana Giorgia Bronzini a levar a melhor ao sprint. Na Geral, foi Ellen van Dijk quem deu a vitória final à Sunweb, à frente da colega de equipa Coryn Rivera.
Portugueses

Fonte: Movistar Team/Photo Gomez Sport
Nélson Oliveira foi o mais destacado dos participantes nacionais, com um quarto e um sétimo nos contrarrelógios da prova e várias excelentes exibições em prol dos seus líderes. Além disso, foi parte importante da conquista do título coletivo pela Movistar e subiu ao podium em Madrid.
José Mendes e Tiago Machado foram presenças assíduas em fugas ao longo das três semanas, mas sem resultados de relevo. Já José Gonçalves esteve mais apagado e não conseguiu fazer impacto na corrida, talvez acusando o cansaço de uma época que tem sido longa.
Na prova feminina, Maria Martins esteve em bom nível na segunda etapa, onde foi 25.ª, mas o mau contrarrelógioo coletivo da Sopela deixou-a bem para trás na Geral, onde Daniela Reis foi bem melhor, sendo 45.ª.
Foto de Capa: Mitchelton-Scott/Getty Images













