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O novo fenómeno no ciclismo: Mathieu Van der Poel

André Filipe Antunes · 4 min

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Mathieu Van der Poel é o homem do momento no mundo do ciclismo, depois da extraordinária vitória na Amstel Gold Race no passado domingo. O jovem de 24 anos, da Corendon-Circus, equipa Pro Continental belga, tem ganho destaque com os seus recentes sucessos.

Por ser o seu primeiro ano a correr em provas WorldTour acaba por ser mais notória a sua presença no pelotão para os amantes da modalidade. No entanto, quando falamos de Mathieu Van der Poel, não falamos de um nome qualquer!

Ele é “só” o campeão mundial de ciclocrosse, o campeão holandês de ciclismo de estrada e o vice campeão europeu de ciclismo de estrada!

Este ano, entrou logo a vencer no Tour of Antalya, na Turquia, no seu primeiro dia de corrida em 2019. Mais tarde, em Março, ganhou o Grand Prix de Denain, uma clássica francesa. Já dentro das clássicas do Norte, na Bélgica, alcançou um quarto lugar na Gent-Wevelgem na sua primeira prova WorldTour e passados três dias ganhou a Dwars door Vlaanderen. Após quatro dias, correu o Tour de Flandres, que é uma das clássicas mais importantes do ano, terminando na quarta posição. Já pela França, no Circuit Cycliste Sarthe, ganhou a primeira etapa ao sprint, terminando no top dez da competição.

Nas últimas duas provas que disputou, acabou por alcançar a vitória. Na Flèche Brabançonne conseguiu bater Julian Alaphilippe ao sprint e assim conquistar mais uma clássica belga. Na Amstel Gold Race, já em casa, no seu país, conquistou o seu principal objetivo do ano, em ciclismo de estrada.

A vitória na Amstel vai ficar nos melhores momentos do ano com toda a certeza. Depois de ter estado com mais de cinquenta segundos de atraso em relação ao grupo da frente quando já faltavam relativamente poucos quilómetros, o holandês nunca desistiu, foi quem liderou a perseguição, o seu grupo apareceu do nada e colou nos 400 metros finais, onde finalmente alcançou o duo da frente ( Alaphilippe e Fuglsang), depois ainda teve pernas para responder e ultrapassar os homens da frente com um sprint explosivo. Foi uma vitória para recordar, um verdadeiro hino ao ciclismo. Provavelmente esta terá sido a maior vitória da sua carreira até ao momento.

Van der Poel no final referiu que tentou sprintar de longe com o intuito de conseguir um lugar honroso ou até mesmo fazer um pódio, visto que se sentia ainda em boas condições. Com os líderes ainda uns bons metros à frente procurou surpreendê-los de longe. O vento pelas costas, na opinião do holandês foi um fator crucial na sua vitória, visto que ajudou na velocidade do seu sprint até à meta.

“Winning the Amstel Gold Race as a debutant? I have no words for it.” Disse Van der Poel no final, ele que ganhou a prova na sua estreia.

Van der Poel, vencedor da Amstel 2019, no pódio com Simon Clarke e Fuglsang
Fonte: Amstel Gold Race

O nome Van der Poel já tem muita história no mundo do ciclismo. O seu pai Adrie Van der Poel já tinha ganho a Amstel há 29 anos atrás. A chegada foi idêntica à do filho, com um grupo de dez homens na frente, a grande diferença foi que o pai apenas teve que anular uma desvantagem de oito segundos para os ciclistas da frente, enquanto que o filho teve 40-50 segundos atrás dos dois da frente. Caso para dizer tal pai, tal filho!

Um dado curioso encontra-se relacionado com os calções de Van der Poel. Ele que usava calções pretos, tem optado por usar calções brancos para haver uma melhor distinção entre ele e Bob Jungels (campeão luxemburguês), visto que ambos são campeões do seu país e as cores do equipamento acabam por ser semelhantes. Os calções têm dado sorte…

Com a época das clássicas a acabar e visto que a Corendon não recebeu mais nenhum convite de participação, Van der Poel deverá estar ausente nos próximos tempos no ciclismo de estrada. Nunca descorando a sua participação nos campeonatos do Mundo e da Europa.

Com estas prestações, as equipas mais importantes do pelotão começam a abordar o campeão holandês, mas, no entanto, Van der Poel ainda tem contrato até 2023 com a Corendon-Circus. Sendo uma equipa Pro Continental, já tem portas abertas a muitas provas importantes, para além disso, talvez o fator mais importante, tem a oportunidade de correr no ciclocrosse também. Numa equipa do principal escalão seria complicado, os calendários são mais preenchidos, os dias de corrida são superiores e a exigência é outra.

Assim, a equipa da Corendon-Circus apresenta-se como uma boa oportunidade de se manter tanto no ciclocrosse (modalidade onde começou) como no ciclismo de estrada.

No entanto, Patrick Lefevere, general manager da Deceuninck-Quick-Step, acredita que no futuro, Van der Poel irá precisar de uma equipa para o defender nas partes finais da corrida, visto que agora o corredor holandês corre sem pressão e como um outsider mas caso seja olhado como um favorito à vitória, em cada corrida, a história passará a ser outra.

Com seis vitórias já alcançadas, Van der Poel é o terceiro ciclista a aparecer no ranking individual anual! Apenas atrás de Julian Alaphilippe (1.º) e de Fuglsang (2.º). Esta classificação é atribuída através da soma dos pontos individuais de cada ciclista, nas provas que realiza. Para termos  a noção, o outro ciclista que aparece na classificação, sem ser de equipas WorldTour, aparece na 39.ª posição, Guillaume Martin (Wanty-Groupe-Gobert).

Van der Poel já estabeleceu o objetivo de correr os Jogos Olímpicos de 2020 no Japão, com a intenção de ganhar uma medalha para a Holanda. Estamos na presença de um nome forte do ciclismo atual e muito provavelmente este é apenas o início das muitas conquistas que aí vêm!

 

 

Foto de Capa: Dwars Door Vlaanderen 

André Filipe Antunes

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