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O inevitável Froome

José Baptista · 3 min

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Cabeçalho modalidadesA semana final do Tour 2017 começou com uma etapa plana, mas que quebrou a monotonia a que a nos estávamos a habituar neste tipo de tirada. Com ventos fortes e algumas subidas na parte inicial, a Team Sunweb atacou forte a corrida desde o início e conseguiu deixar Marcel Kittel para trás, colocando Michael Matthews em posição para se aproximar bastante da camisola verde. O australiano não desperdiçou o trabalho da sua equipa e venceu o sprint intermédio e a etapa para recuperar 50 pontos ao alemão.

Também a geral sofreu mexidas. Com ventos acima de 30Km/h, os quilómetros finais viram o pelotão cortar-se em vários grupos, com Daniel Martin, Louis Mentjes e Alberto Contador a perderem terreno. Romain Bardet também quase foi apanhado pelas bordures, mas um excelente trabalho do seu colega de equipa Oliver Naesen foi quanto bastou para evitar esse destino.

Quarta e quinta deram-nos as últimas etapas de montanha desta edição do Tour e a história do fraquejar de Fabio Aru. Após vencer a primeira chegada em alto e vestir de amarelo, o campeão italiano não esteve ao mesmo nível na última semana e foi o maior derrotado da dupla jornada alpina, para a qual entrou em segundo e saiu em quinto.

A quebra de Fabio Aru foi a grande história da visita do Tour aos Alpes Fonte: Le Tour de France
A quebra de Fabio Aru foi a grande história da visita do Tour aos Alpes
Fonte: Le Tour de France

A etapa 17 foi ganha por Primoz Roglic, o único resistente da fuga do dia. Um antigo saltador de esqui, Roglic entrou tardiamente no ciclismo, mas em força. O ano passado já havia ganho uma etapa no Giro d’Italia e entre as 6 vitórias que leva este ano conta-se a da geral da “nossa” Volta ao Algarve. Se, com um final em descida, as diferenças não foram grandes na geral, o acontecimento do dia foi o abandono de Kittel após queda, deixando a camisola verde praticamente assegurada por Matthews.

Já na etapa 18, apenas a terceira chegada em alto neste Tour, o Col d’Izoard presenteou os adeptos com mais animação, mas sem diferenças de mais entre os três mais fortes deste Tour, Froome, Uran e Bardet. Warren Barguil atacou cedo na subida e foi alcançando, um a um, os ciclistas em fuga para vencer a sua segunda etapa e sentenciar a camisola da montanha.

Seguiu-se um dia de cariz plano com uma fuga a disputar a vitória e o pelotão a chegar a mais de doze minutos. Edvald Boasson Hagen que já tinha feito dois segundos e outros tantos terceiros ao sprint não quis esperar pela meta e atacou para chegar isolado e vencer pela terceira vez uma etapa no Tour, seis anos após as duas de 2011.

Depois, veio o contrarrelógio, para definir o que faltava da geral final. Chris Froome confirmou o seu favoritismo e, sendo terceiro na etapa, selou o seu quarto triunfo no Tour de France. Romain Bardet teve um péssimo dia e, num final dramático, segurou o podium apenas por 1 segundo face a Mikel Landa. Também por um mero segundo, o polaco Maciej Bondar da BORA – hansgrohe foi o vencedor do dia, batendo o compatriota Michal Kwiatkowski.

Finalmente, o pelotão chegou a Paris e, no sprint que tradicionalmente encerra o Tour, Dylan Groenewegen foi o mais rápido e venceu a sua primeira etapa em grandes voltas, ele que já tinha sido um dos mais regulares nos anteriores sprints deste Tour.

A vitória de Chris Froome foi, mais uma vez, inevitável, e leva para casa a camisola amarela. Rigoberto Uran e Romain Bardet acompanharam-no no podium final.

Os colegas de quarto Michael Mathews e Warren Barguil deram à Sunweb quatro etapas e as classificações dos pontos e da montanha Fonte: Team Sunweb
Os colegas de quarto Michael Mathews e Warren Barguil deram à Sunweb quatro etapas e as classificações dos pontos e da montanha
Fonte: Team Sunweb

Michael Matthews venceu a camisola verde dos pontos e o colega de equipa e de quarto Warren Barguil venceu a camisola às bolinhas vermelhas de melhor trepador. À imagem do que o irmão gémeo fez em 2016, Simon Yates bateu Louis Mentjes pela camisola branca da juventude.

Na classificação por equipas, a Sky, que foi a grande obreira do triunfo do seu líder e fez também um quarto à geral por Landa, foi a grande vencedora, com 7 minutos e 14 segundos de vantagem sobre a AG2R La Mondale e bem mais de uma hora sobre todas as outras.

E, como o Tour não é Tour sem mais um uma polémica, a atribuição do prémio de Super Combativo a Warren Barguil foi recebida com grande contestação. Thomas De Gendt, que andou mais de 1000Km em fuga, ganhou o voto popular, mas o júri deu a vitória a Barguil. Pessoalmente, achou que foi um prémio bem entregue, Barguil andou dias e dias em fuga e, quando na parte final passou a contar também para a geral, não deixou de atacar no grupo dos favoritos.

Foto de Capa: Team Sky

José Baptista

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