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Os 4 “wonderkids” que prometem explodir em 2023 | Ciclismo

Ricardo Rebelo · 8 min

Foto: Tour d'Avenir

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Novembro de 2022. Por esta data, já se trabalha na preparação para a próxima época naquilo que é a gíria do ciclismo internacional. Atletas, dirigentes, equipas… O calendário profissional arranca em janeiro e nada é deixado ao acaso nesta fase preliminar do planeamento da época.

Contudo, faz sentido elaborar um rescaldo a vários pontos de interesse que ocorreram nas estradas um pouco por todo o mundo, atentando, desta vez, a uma norma muito comum no ciclismo: encontrar aqueles jovens que chegaram, viram, venceram (ou estiveram perto) e, acima de tudo, demonstraram a sua qualidade.

Entre vencedores e derrotados, exibições fulminantes e resultados positivos em palcos menores, cinco foram os nomes que, numa geração apostada em brilhar prematuramente, se destacaram dos demais. O critério é reconhecer estes nomes pelo estatuto de “wonderkids”, conquistado, claro está, com resultados e exibições.

Serão descurados atletas acima dos 23 anos de idade ou que já tenham realizado uma temporada de encher o olho recentemente, como é o exemplo de Juan Ayuso (UAE Team Emirates) ou Biniam Girmay (Intermaché-Wanty), “youngsters” consolidados no World Tour depois de um ou mais resultados importantes na principal divisão do ciclismo mundial.

A restrita lista incorpora talentos dos mais variados ofícios, não tendo uma ordem específica e não limitando a análise a alguma divisão ou calendário realizado em específico. Vamos conhecê-los?

Foto de Capa: Tour d’Avenir

ARNAUD DE LIE | LOTTO-SOUDAL

Mesmo para os mais desatentos, o nome Arnaud De Lie terá sido difícil de escapar depois da série de exibições estonteantes protagonizada pelo futuro do sprint belga. O jovem de apenas 20 anos bem tentou “carregar” a histórica equipa da Lotto-Soudal às costas, naquilo que foi a luta pela manutenção na principal divisão do ciclismo mundial face ao novo sistema de relegações/promoções implementado pela UCI.

A realidade é que esta estrutura denominar-se-á Lotto-Dstny em 2023, não obtendo a licença de equipa World Tour depois de ter ficado entre os projetos relegados. Esse facto, contudo, pode não ter uma influência gritante nas aspirações a curto prazo da nova “rising star” do sprint mundial.

Ofuscado por Caleb Ewan e a realizar o percurso natural de um rookie, Arnaud De Lie atuou em palcos menores, mas nem por isso deixou de brilhar: nove vitórias na época e inúmeros lugares entre os 10 melhores, essencialmente, dentro do calendário belga e francês de categorias abaixo do World Tour.

Apesar do grau de dificuldade discutível das provas que venceu, convém referir que bateu de frente com adversários de topo mundial em algumas ocasiões, exibindo um sprint que se caracteriza pela capacidade para finalizar com ataques de longa duração, adaptação a diferentes tipos de piso e potência necessária para encarar finais com alguma inclinação.

Acima de qualquer resultado, referenciar também a presença carismática, lutadora e resiliente com que se foi mostrando em 2022. Para o novo ano, espera-se um grau de responsabilidade maior para uma das estrelas do ciclismo belga que começam a gatinhar na elite do ciclismo mundial.

CIAN UIJTDEBROEKS | BORA-HANSGROHE

E por falar em talentos belgas, continuamos com mais um jovem de quem se espera muito. Com menos destaque na estrada que o seu compatriota do sprint, mas com muitas expectativas entre o público belga, surge mais um “canibal” para dar espetáculo entre os voltistas do pelotão internacional.

De seu nome Cian Uijtdebroeks, do qual podemos já ajudar com a pronunciação, surge a ideia de que a bélgica tem mais um nome a caminho para se juntar a Remco Evenepoel e Wout van Aert no topo do ciclismo mundial. Quanto ao seu perfil, estamos a falar do vencedor mais novo da história do Tour L´Avenir, que para se ter uma ideia, já coroou nomes como Tobias Foss, Tadej Pogacar, Egan Bernal, David Gaudu, Marc Soler ou Miguel Ángel López, entre outros.

O ciclista de apenas 19 anos contou apenas com uma tímida presença na Amstel Gold Race, encontrando-se em grande nas montanhas francesas destinadas às “next big things” do pelotão, e com alguns resultados interessantes no contrarrelógio individual, aumentando as certezas de que teremos em mãos um corredor bastante completo.

Capaz de desenvolver andamentos constantes em terrenos de grande inclinação, falamos de um escalador elegante, que apresentou mais capacidade que os seus rivais, faltando um grande teste frente a adversários de outra estaleca. Seja como for, 2023 será certamente o ano em que o diamante belga terá hipóteses de despontar, fazendo jus ou não ao estatuto de maior promessa do pelotão júnior/sub23 atual.

Destaque para outros nomes equipáveis em termos de esperança para o futuro, mas que talvez não tenham o famoso “hype” protagonizado pelos media e fervorosos adeptos belgas: Romain Grégoire (Groupama-FDJ), Johannes Staune-Mittet (Jumbo-Visma) ou Michel Hessmann (Jumbo-Visma), nomes que certamente passarão por diferentes fases de evolução, mas que ainda assim têm capacidade para se impor na elite a médio/longo prazo.

OLAV KOOIJ | JUMBO-VISMA

E a única coisa melhor que um sprinter de tenra idade a despontar… são dois sprinters de tenra idade a despontar. Se Arnaud de Lie deu nas vistas em 2022, Olav Kooij não foi diferente, inclusive com mais vitórias, em provas de maior nomeada e com o mesmo grau de expectativas para 2023.

O velocista de 21 anos já prometia em 2021, chegando a 2022 com o estatuto de jovem promessa a seguir. Passada a temporada e o neerlandês entrou na “off-season” a contar 12 vitórias na bagagem, inclusive camisolas amarelas e camisolas verdes, símbolos de vitórias em classificações gerais e classificações por pontos.

Apesar das curtas carreiras, se Arnaud de Lie é potência bruta, Olav Kooij será velocidade de ponta. Obviamente que são inúmeras as qualidades a serem trabalhadas para tornar um sprint eficiente, e para estes dois, a questão da colocação será chave mediante o aumento de dificuldade consoante a valia dos adversários que vão encontrar nas principais provas do ciclismo mundial. Contudo, importa analisar que não existe um dominador nos sprints, assim como, na atualidade, é cada vez mais raro ver verdadeiros comboios de lançamento, o que possibilita a nomes como de Lie e Kooij a abertura para se intrometerem com os grandes, não num futuro muito distante.

Os resultados, esses, vão aparecendo para o prodígio da Jumbo-Visma. Denota-se a capacidade de disputar etapas sem grande ajuda da equipa (que poderá ser uma constante) e a já referida velocidade anormal que consegue imprimir quando está em excelente forma física. Apesar de estar inserido no coletivo onde Wout van Aert é um dos líderes, 2023 reserva a Kooij a possibilidade de encarar uma grande volta e começar a sua luta para se impor no topo do ciclismo mundial.

MATHIAS VACEK | GAZPROM-RUSVELO/TREK-SEGAFREDO

Com quase toda a certeza o nome menos conhecido e com menores expectativas deste quarteto que poderá ser fantástico. Mathias Vacek é um jovem checo de quem se espera muito dadas as suas valias… um pouco por todo o tipo de terrenos. O jovem ligado à Trek-Segafredo, ainda assim, é uma das poucas promessas da geração de 2002 que se pode gabar de já ter triunfado ao nível World Tour.

Aconteceu logo na primeira prova do ano, ainda ao serviço da Gazprom-RusVelo. Numa etapa impressionante em termos de esforço, em pleno UAE Tour, Mathias Vacek foi o melhor num grupo de escapados e foi quem mais sorriu no final da sexta etapa da competição realizada no médio oriente.

A questão aqui é que o corredor checo venceu ao sprint, e se formos analisar o seu perfil, constatámos que se trata de um corredor bastante completo. Para além da capacidade em finalizar em grupos restritos, a nova promessa da Trek-Segafredo terminou o famoso Tour D´Lavenir na sexta posição, taco a taco com alguns dos melhores escaladores da sua geração. A juntar a isso, realizou diversos contrarrelógios entre os 10 melhores, sendo o campeão checo da especialidade na categoria sub23. A compilação de resultados fantásticos não chega ao fim, pois esteve muito perto de se tornar campeão mundial de sub23 (segundo lugar), exaltando aquela que será, por ventura, a sua melhor capacidade: corridas de um dia.

Em suma, falamos do talento mais completo em termos de adaptação que a época de 2022 deu a conhecer nas categorias mais jovens. Depois de passar de estagiário para membro da equipa norte-americana, terminou uma clássica italiana no meio de vários corredores de alta qualidade. A par de Kooij, de Lie e Uijtdebroeks, Vacek é outro talento de quem se espera que venha a ter várias oportunidades a nível World Tour, já em 2023.

 

Referir ainda, nomes como o próprio vencedor do campeonato do mundo sub23, Yevgeniy Fedorov, ou até Søren Wærenskjold, Erik Fetter, Lenny Martinez e Loe Van Belle, como atletas que, com qualidade semelhante aos que constam neste lista, assim como aqueles mencionados pela prestação no Tour L´Avenir, poderão não ter em 2023 o seu ano de afirmação, dada a equipa onde se encontram ou o espaço que ainda terão de ganhar nas suas respetivas estruturas/obter uma transferência.

Ricardo Rebelo

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