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Paris-Roubaix: Um neerlandês voador realiza a ambição de um inglês sonhador

HISTÓRIA DA CORRIDA

A 119.ª edição do Paris-Roubaix coroou o neerlandês Dylan Van Baarle (INEOS Grenadiers), numa corrida que ficou marcada por uma elevada imprevisibilidade do início ao fim da prova, o que, como é já sabido, é apanágio do “Inferno do Norte”.

Sendo dia de Páscoa, ainda se chegou a pensar que o pelotão iria abordar os 100 km iniciais da prova a um ritmo moderado (até chegarem ao empedrado) e que os 60 km seguintes (coincidentes com os primeiros 11 setores de paralelo) seriam apenas uma preparação sem muita história para o primeiro setor de cinco estrelas da prova, o mítico Trouée d’Arenberg, que se encontra a sensivelmente uma centena de quilómetros do velódromo de Roubaix, mas alguns ciclistas  e os seus diretores desportivos tinham outras ideias.

O terceiro monumento do ano pouco aquecimento teve e aqueles que ainda se encontravam ligeiramente sonolentos rapidamente acordaram, pois, não estavam sequer 50 km do traçado percorridos, quando a INEOS tomou a iniciativa de apresentar toda a sua equipa na frente e aproveitou uma zona do percurso mais exposta (no que ao vento diz respeito) para provocar “bordures”. Esta ação coletiva da equipa britânica dividiu o pelotão a meio e apanhou logo aí a maioria dos grandes favoritos desprevenidos, tendo estes de utilizar gregários essenciais para uma fase mais tardia da prova já naquela parte inicial, para que fossem reposicionados no primeiro grupo. Entre os favoritos que ficaram para trás com a movimentação da INEOS, destacavam-se: Mathieu Van der Poel (Alpecin-Fenic), Wout Van Aert e Christophe Laporte (Jumbo-Visma), Mads Pedersen e Jasper Stuyven (Trek-Segafredo), Stefan Kung e Valentin Madouas (Groupama-FDJ) e Kasper Asgreen (Quick-Step Alpha Vinyl Team).

Os dois grandes grupos acabaram por ficar separados durante mais de 100 km de prova, até que, à entrada dos últimos 100 km da corrida, imediatamente antes da abordagem ao Trouée d’Arenberg, houve uma junção de grupos.

A partir daí, a corrida continuou a ser feita a um ritmo desenfreado, devido também à formação de uma fuga perigosa (antes da entrada nos últimos 20 setores de empedrado), movimentação que chegou a ter mais de dois minutos de avanço (sobre o grande grupo de perseguidores) e que incluía nomes como, por exemplo: Tom Devriendt (Intermarché-Wanty-Gobert Matériaux), Matej Mohoric (Bahrain Victorious), Laurent Pichon (Team Arkéa Samsic) e Davide Ballerini (Quick-Step Alpha Vinyl Team). Esta tentativa de resistência do grupo de escapados começou a ser verdadeiramente anulada através de uma aceleração forte da Jumbo a 60 km da meta (no setor de Orchies), que fraturou verdadeiramente o grupo de favoritos, que se começaram a atacar mutuamente daí em diante.

A uma distância de 30 km da linha de chegada, quando já só Devriendt sobrava da fuga constituída há cerca de 80 km, Yves Lampaert (Quick-Step Alpha Vinyl Team) decidiu “fazer a ponte” para a frente, levando consigo na roda Mohoric, que já tinha sido alcançado pelo grupo dos principais favoritos (devido a um problema mecânico), mas partia novamente para a ofensiva. A estes juntava-se também, mais tarde, Dylan Van Baarle (INEOS Grenadiers), que aproveitou a distância sólida que os outros três ciclistas já haviam estabelecido em relação aos seus mais diretos perseguidores para, a pouco mais de 19 km da meta, no quinto último setor de paralelo (Camphin-en-Pévèle), desferir o golpe final sobre os adversários, que nunca mais lhe puseram os olhos em cima. O neerlandês acabou por oferecer à INEOS, de Sir Dave Brailsford (visivelmente emocionado no velódromo), o primeiro monumento nas clássicas do Norte, já depois de vários ingleses não o terem conseguido (Ian Stannard, Bradley Wiggins, Geraint Thomas).

O pódio foi completado por Van Aert e por Kung, respetivamente, que chegaram a quase dois minutos do grande vencedor, com o mesmo tempo de Devriendt (quarto) e Mohoric (quinto).

Foto de Capa: INEOS Grenadiers

Artigo redigido por Miguel Monteiro

O Miguel é um estudante universitário natural do Porto, cuja paixão pelo desporto, fomentada na infância pelos cromos de Futebol que recebia e colava nas cadernetas, considera ser algo indescritível. Espetador assíduo de uma multiplicidade de desportos, tentou também a sua sorte em algumas modalidades, sem grande sucesso, tendo encontrado agora na análise desportiva uma oportunidade para cultivar o seu amor pelo desporto e para partilhar com os demais as suas opiniões, nomeadamente de Ciclismo, modalidade pela qual nutre um carinho especial.

O Miguel é um estudante universitário natural do Porto, cuja paixão pelo desporto, fomentada na infância pelos cromos de Futebol que recebia e colava nas cadernetas, considera ser algo indescritível. Espetador assíduo de uma multiplicidade de desportos, tentou também a sua sorte em algumas modalidades, sem grande sucesso, tendo encontrado agora na análise desportiva uma oportunidade para cultivar o seu amor pelo desporto e para partilhar com os demais as suas opiniões, nomeadamente de Ciclismo, modalidade pela qual nutre um carinho especial.

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