O esloveno Tadej Pogacar venceu no último sábado, o Giro da Lombardia, último monumento do ano no calendário velocipédico, com distinção. Esta foi a sua 30.ª vitória da carreira, o seu 13.º triunfo de 2021, contando com classificações gerais.

A “clássica das folhas caídas” é uma prova que qualquer ciclista ambiciona vencer, mas que nem todos têm pernas para fazer as diferenças necessárias. A extensão da prova também promove a dureza, sendo que este ano foram 239 quilómetros a percorrer entre Como e Bergamo.

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Uma clássica cheia de história, com a sua primeira edição em 1905. O italiano Fausto Coppi é o recordista da prova com cinco vitórias alcançadas.

A edição deste ano tinha mais uma vez um leque de luxo para atacar os primeiros lugares.

Os olhos estavam postos nas últimas dezenas de quilómetros, foi na última longa subida do dia que Vincenzo Nibali decidiu atacar, a 38 quilómetros do final. Remco Evenepoel, Steven Kruijswijk e Vlasov eram alguns nomes que cediam no pelotão. A Team DSM e a Ineos Grenadiers puxavam no grupo.

Na altura decisiva da corrida, na ascensão ao Passo di Ganda, Pogacar saía atrás de Nibali, e ficava, pouco tempo depois, isolado na frente. A vantagem do esloveno alargava, apesar de algumas equipas terem mais do que um elemento no grupo perseguidor.

Apenas um “ressuscitado” Fausto Masnada, que tinha descolado do segundo grupo, acabou por chegar a Pogacar, após uma descida brilhante. Chegou para ficar na roda, porque não quis colaborar com Pogacar, que acabaria por fazer todo o trabalho.

Atrás vinham Alaphilippe, David Gaudu, Roglic, Adam Yates, Michael Woods, Jonas Vingegaard, Valverde e Romain Bardet. Não houve colaboração no grupo de “vedetas”, e deram espaço para os dois da frente lutarem entre si pela vitória.

Masnada ainda tentou surpreender Pogacar a três quilómetros do fim, mas foi mesmo no sprint final, nas últimas centenas de metros, que o esloveno viria a superiorizar-se ao italiano. Tornou-se no primeiro corredor, após Fausto Coppi e Eddy Merckx, a ganhar dois monumentos e o Tour no mesmo ano.

“Estou sem palavras, é uma loucura estar aqui a celebrar este sucesso no final de uma temporada como esta”, disse o ciclista da Emirates.

“A corrida foi muito dura, mesmo antes de eu ter feito o meu ataque. Quando ataquei, tinha a certeza de que alguém viria comigo.

Na descida, o Masnada juntou-se a mim, eu sabia que ele iria ganhar tempo na parte técnica da descida de Passo di Ganda, pois ele conhece muito bem estas estradas, e eu sabia que ele não queria colaborar comigo quando me alcançasse. Mas eu ainda tinha as pernas e a explosão para vencê-lo no sprint final”, referiu Pogacar.

Um ano que o corredor de 23 anos da Emirates não irá esquecer certamente. Começou o ano a conquistar o UAE Tour, prova de extrema importância para os patrocinadores, e venceu a etapa com chegada a Jebel Hafeet.

Depois levou a geral do Tirreno Adriático e uma etapa, voltou a vencer na Volta ao País Basco, venceu a Liège-Bastogne-Liège, geral e etapa no Tour da Eslovénia, duas etapas em linha, contrarrelógio e geral do Tour e por fim a Lombardia.

Quanto à prestação portuguesa na clássica italiana, João Almeida terminou no 40.º posto, a 6m56s, enquanto Nelson Oliveira foi o melhor português, no 16.º lugar, a 2m25s, terminando num grupo de elite, com Nibali, Quintana, Vingegaard e Higuita.

João Almeida fecha o calendário de clássicas, não da maneira que desejaria, após ter estado muito bem três dias antes, na Milano-Torino, onde terminou no 3.º lugar, apenas atrás de Roglic e de Adam Yates. O caldense fecha mais uma grande temporada, com 2022 a ser ano de mudança, pois irá rumar à UAE Team Emirates.

Foto de capa: II Lombardia

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