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Mais uma edição concluída da Volta ao Algarve, após cinco etapas, o desfecho ditou que seria novamente o belga Remco Evenepoel a vencer a classificação geral, feito que já tinha alcançado em 2020. Em segundo lugar terminou o ciclista americano Brandon Mcnulty, a 1m17s, enquanto que em terceiro fechou o colombiano Daniel Martínez, a 1m21s.
A prova começou com a tripla vitória de Jakobsen em Lagos, já tinha vencido no mesmo local, em 2019 e 2020. O comboio de lançamento da equipa Quick-Step Alpha Vinyl parece estar num patamar diferente, tornando-se ainda mais forte com a adição de Remco Evenepoel, que coloca muitos corredores e equipas num sufoco. Houve várias quedas durante a etapa, com muitas equipas e líderes a irem parar ao chão. As equipas mais prejudicadas foram, sobretudo, as portuguesas. Para se ter a noção, melhor ciclista de uma equipa lusa, Vicente de Mateos, aparecia na 43.ª posição, a 28s de Jakobsen.
No segundo dia, etapa com chegada à Fóia, a história teria de ser escrita pelos líderes de cada fileira. A Ineos Grenadiers entrou na ascensão final na liderança do grupo principal, com Thomas e Ben Tulett ao serviço. O grupo ficou cada vez mais reduzido, mas sem ataques, apenas Frederico Figueiredo tentava mexer no quilómetro final.
Não teve grande margem, com os favoritos no seu encalce. Battistella arrancava, juntamente com os outros grandes nomes, Remco ficava um pouco fechado, enquanto Tobias Foss e Sergio Higuita sprintavam a grande ritmo, mas um desvio de trajetória do norueguês fez com que os dois fossem ao chão. David Gaudu foi quem saiu vitorioso, passando para a liderança da geral.
No dia seguinte, saía novo triunfo para Jakobsen, desta feita na chegada a Faro, onde terminava a etapa mais longa desta edição, com 211 quilómetros para percorrer. Tim Merlier, Coquard e Kristoff não demonstravam capacidade para superar o poderio do neerlandês. Mais uma vez, pareceu fácil!
A grande cajadada de Evenepoel estava reservada para o quarto dia de competição. O contrarrelógio de 32 quilómetros era o ideal para ele se pôr à prova. O belga pulverizou toda a concorrência, com um tempo canhão de 37m49s, a 51.089 km/h. Menos 58s que o bicampeão europeu Stefan Kung, que ficava em segundo. Ethan Hayter fecharia em terceiro, mas já a 1m06s. Depois disto, a classificação geral levava um arrombo, do segundo ao sexto classificado a diferença era superior a um minuto, enquanto que do sétimo ao décimo já era superior a dois.
Chegávamos ao dia de todas as decisões, com dupla passagem pelo alto do Malhão, com quatro candidatos principais: Remco, dois Ineos (Ethan e Martínez) e Brandon Mcnulty. A Ineos foi fazendo o que lhe competia, lançando vários ciclistas para a frente. Depois atacaram duas vezes por intermédio de Dani Martínez, na tentativa de mexer com a corrida e causar o caos, acabando mesmo por reduzir muito o grupo dos favoritos.
A Quick-Step foi trabalhando bem em prol do seu líder, reservando Vervaeke para a subida final. Após o término de serviço do seu principal escudeiro na montanha, Remco impunha o ritmo na parte final da etapa, surgindo o ataque de Mcnulty nas últimas centenas de metros, com resposta pronta de Dani Martínez e de Higuita. Foram mesmo os dois colombianos a discutir a vitória, mas Higuita queria mesmo muito a etapa e tinha uma melhor ponta final, e acabou mesmo por somar a sua primeira vitória ao serviço da Bora-Hansgrohe. Frederico Figueiredo foi o melhor português na última etapa, acabando na oitava posição.
Youngest Belgian rider in four decades to amass pro wins!
Photo: @GettySport pic.twitter.com/yHNZdZnLe8
— Quick-Step Alpha Vinyl Team (@qst_alphavinyl) February 21, 2022
Foto de capa: Volta ao Algarve
NOTAS FINAIS
Uma prova com a “cara chapada” de Remco Evenepoel, era o grande favorito e não defraudou as expetativas. Juntou-se, agora, a um leque considerável de ciclistas com duas vitórias na prova algarvia, são agora onze corredores a terem conseguido tal feito. Viu no seu compatriota Louis Vervaeke uma ajuda essencial para assumir as despesas nas alturas mais decisivas das etapas. O reforço belga, vindo da Alpecin-Fenix, fez o mesmo papel de João Almeida na edição de há dois anos atrás.
Mcnulty e Dani Martínez tiveram uma prova boa e consistente, claramente, vão ser peças cada vez mais importantes dentro da estrutura das suas equipas.
De realçar ainda a prestação de Vicente de Mateos, foi o melhor classificado de uma equipa portuguesa nesta edição, terminando no 19.º posto. Ricardo Vilela foi o melhor atleta português, no 22.º lugar, a 8m55s. Frederico Figueiredo correu de forma valente, estando muito bem nas etapas com final em subida, foi 17.º na Fóia, após um ataque no último quilómetro e oitavo no Malhão, caso não tivesse perdido tanto tempo após as quedas da primeira etapa (3m31s) e no contrarrelógio (5m45s) e poderíamos estar a falar de um resultado muito mais relevante.
João Matias conseguiu, finalmente, terminar uma Volta ao Algarve, e de que maneira! Conquistou a camisola da montanha, após ter sido o ciclista que mais pontos amealhou durante os cinco dias, com 15 pontos, mais três que Gaudu, e mais cinco que o belga Dries de Bondt.
Fabio Jakobsen venceu a camisola dos pontos, Remco levou também de vencida a classificação da juventude, enquanto que a formação Ineos Grenadiers foi a equipa mais regular e bem classificada no somatório de todas as etapas, conquistando a classificação por equipas.











