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Roglic é o vencedor da La Vuelta 2019

André Filipe Antunes · 7 min

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Acabou por ser da Eslovénia, o vencedor desta edição da La Vuelta: Primoz Roglic tornou-se no primeiro ciclista esloveno a vencer uma Grande Volta. Após 23 dias (contando com os dias de descanso) e milhares de quilómetros, chega mesmo ao fim mais uma edição da maior prova de ciclismo realizada em Espanha. Roglic acabou por conquistar pela primeira vez uma vitória em Grandes Voltas.

A última semana chegava, tal como o vento! Na etapa 17, entre Aranda de Duero e Guadalajara aconteceu algo insólito. A Deceuninck- Quick-Step juntamente com a Sunweb procuraram criar um espaço interessante para os seus rivais e acabaram por conseguir. Uma fuga bastante numerosa acabou por escapar, com quase toda a equipa da Quick-Step, muitos elementos da Sunweb (incluindo Kelderman) e alguns ciclistas da Movistar (incluindo Quintana).

Com este cenário coube à equipa do líder, a Jumbo-Visma tomar conta das operações no pelotão, com a ajuda da Astana e da equipa da UAE Emirates. A verdade é que o grupo escapado acabou por conseguir obter êxito e o grupo dos favoritos chegou a 5m:29s da frente.

No final, Philippe Gilbert (Deceuninck) acabou por somar a segunda vitória nesta Vuelta, batendo ao sprint Sam Bennett (Bora-Hansgrohe) e o seu companheiro de equipa Rémi Cavagna.

Na geral individual, Roglic mantinha a liderança, agora com 2m:24s para o segundo lugar de Quintana! Ele que foi um dos beneficiados do dia, ganhando cinco minutos à restante concorrência e que o fez subir quatro posições na geral. Na terceira posição aparecia Valverde a 2m:48s. Com esta etapa, Kelderman, outro dos beneficiados do dia, subiu da oitava posição para o sexto lugar. James Knox subiu da 11ª posição para o oitavo lugar e Dylan Teuns subiu oito lugares, passando de 18º lugar para a 10ª posição.

Na 18ª etapa, a montanha aparecia mais uma vez, com a chegada a Becerril de la Sierra. Mais uma vez a fuga acabou por vingar, sendo que foi apenas um ciclista que resistiu no final ao grupo dos favoritos, Sergio Higuita. A fuga tinha bastante qualidade inserida, com nomes como: Omar Fraile, Meintjes, Tao Hart, Higuita, Wout Poels, Neilson Powless e Oscar Rodriguez.

Quando ainda faltavam largos quilómetros para o final da etapa, Miguel Ángel López decidiu atacar no grupo dos favoritos. O grupo ficou encurtado para menos de dez unidades, com os números a favorecerem a equipa da Movistar.

Com mais de 40 kms para o final, Higuita viu-se isolado na frente da corrida. Do grupo perseguidor descaíram os elementos da Astana e da Jumbo-Visma para ajudar os seus líderes. Omar Fraile ajudou como pôde o seu líder Ángel López, mas sem grande sucesso, visto que acabou por ser alcançado pelos seus rivais. Powless ajudou e muito o seu colega e líder Roglic na penúltima subida.

Miguel Ángel López não estava contente com a situação e voltou a atacar, desta vez apenas foi seguido por Valverde, Roglic e Majka. Quintana e Pogacar a mostrarem fragilidades e acabaram por ficar para trás.

Lá na frente Higuita agarrou-se muito bem e com todas as suas forças acabou por dar uma vitória merecida à EF Education First. Roglic, Valverde e Majka acabaram por sprintar para o pódio da etapa, com vitória moral para Roglic, acabando todos a 15 segundos do vencedor. López cedeu dois segundos. Quintana e Pogacar perderam 1m:01s para os adversários diretos.

Na geral, Valverde ultrapassava o seu colega Nairo Quintana, subindo de terceiro para segundo. López trocava de lugar com Pogacar, subindo da quinta posição para o quarto lugar.

Na 19ª etapa, estava guardado um dos momentos mais polémicos desta Vuelta. Quando ainda faltavam cerca de 65 kms para o final da tirada, houve uma queda em que ficaram envolvidos vários homens da geral, incluindo Miguel Angel López e o camisola vermelha. Tony Martin ficou bastante combalido com a queda e acabou por abandonar a prova.

A Movistar não esperou e impôs um ritmo forte no pelotão. Muitos ciclistas demonstravam o desagrado com a situação e após uns valentes quilómetros, a equipa espanhola acabou por abrandar e permitir a integração dos homens da geral no grupo principal. Os comissários de corrida foram mais levianos nesta situação e permitiram a ajuda dos carros de apoio.

Na parte final da corrida, foi equipa da Bora que se colocou ao trabalho, querendo levar Sam Bennett a nova vitória de etapa. Rémi Cavagna que vinha integrado na fuga do dia, procurou isolar-se na frente a 20 kms do fim e via a sua distância sendo cada vez mais encurtada. O trabalho lá atrás era forte, mas o francês da Quick-Step não baixou os braços e pedalou forte até às colinas finais em Toledo, acabando por celebrar nova vitória da equipa belga e alcançando o maior triunfo da sua carreira. O pelotão chegou a cinco segundos, com Sam Bennett e Zdenek Stybar a acabarem no pódio.

Na geral individual, tudo se manteve na mesma. No final do dia, um dos temas de discussão foi certamente a atitude da Movistar. Para alguns foi falta de fair-play, para outros é um acontecimento que faz parte das corridas, visto que as quedas acontecem regularmente.

Cavagna conquistou o triunfo mais importante da sua carreira
Fonte: Deceuninck-Quick-Step

Chegava a etapa das decisões e do tudo ou nada! Na véspera do dia de celebração chegava a responsabilidade de dar tudo na estrada e de jogar todas as cartas.

Na fuga do dia tivemos a presença do melhor representante português nesta Vuelta, Ruben Guerreiro. Ele que teve a companhia na fuga do dia de: Nicolas Edet, Sergio Samitier, Damien Howson e Tao Hart.

A Astana trabalhava insistentemente lá atrás e preparava terreno para López atacar. Foi isso que aconteceu a cerca de 40 kms para o fim, mas sempre com os rivais a seguirem na sua roda.

Tadej Pogacar lançou-se para a frente e foi em busca da fuga do dia, alcançando rapidamente Ruben Guerreiro e Hart. O esloveno ia subida acima a ganhar tempo precioso para a geral, lá atrás era a Movistar quem ia trabalhando.

O jovem esloveno de 20 anos apenas, ganhava uma vantagem de 1m:40s e estava a colocar em risco as posições de López e de Quintana na geral. A Astana e a Movistar não conseguiram anular o espaço e os dois colombianos estavam num dia não! Ambos cederam tempo, Quintana perdeu 1m:56s para Pogacar e López 2m:12s. Com isto Pogacar subiu de quinto lugar para a terceira posição na geral individual.

Roglic perdeu 1m:41s para Pogacar e nove segundos para Valverde e Majka, mas manteve o seu primeiro posto da geral!

Valverde terminou no segundo lugar da etapa, mantendo a sua segunda posição na geral. Pogacar fecha o pódio final, seguido de Quintana e López, na quarta e na quinta posição respetivamente.

No último dia de competição, com a tradicional chegada a Madrid, tivemos uma chegada ao sprint. Na consagração de Roglic, foi o holandês Fabio Jakobsen a terminar em grande a Vuelta, com uma vitória! Foi o quinto triunfo da Deceuninck-Quick-Step nesta edição da Vuelta.

No final num sprint lançado, Jakobsen bateu Sam Bennett e Sajnok Szymon. Sem qualquer atrito nesta etapa, a geral manteve-se na mesma.

Top 10 final da Vuelta:

Roglic acabou com a camisola vermelha no final
Fonte: Jumbo-Visma

1º – Primoz Roglic (Jumbo-Visma) 83h:07m:14s

2º – Valverde (Movistar) +2m:33s

3º – Tadej Pogacar (Emirates) +2m:55s

4º – Quintana (Movistar) +3m:46s

5º – M.A. López (Astana) +4m:48s

6º – Rafa Majka (Bora-Hansgrohe) +7m:33s

7º – Kelderman (Team Sunweb) +10m:04s

8º – Carl Fredrik Hagen (Lotto Soudal) +12m:54s

9º – Marc Soler (Movistar) +22m:27s

10º – Mikel Nieve (Mitchelton-Scott) +22m:34s

Geral dos portugueses:

17º – Ruben Guerreiro (Katusha) +42m:05s

46º – Nélson Oliveira (Movistar) +2h:21m:16s

105º – Ricardo Vilela (Burgos-BH) +4h:04m:41s

153º – Nuno Bico (Burgos-BH) +5h:56m:19s

Camisolas:

Camisola Vermelha – Primoz Roglic (Jumbo-Visma) 83h:07m:14s

Camisola dos pontos (verde) – Roglic (Jumbo-Visma) 155pts

Camisola da Juventude – Pogacar (Emirates) 83h:10m:09s

Camisola da montanha – Geoffrey Bouchard (AG2R La Mondiale) 76pts

Classificação por equipas – Movistar 248h:26m:24s

Destaques finais desta edição da Vuelta:

A primeira vitória de Roglic numa Grande Volta

Cinco vitórias da Deceuninck-Quick-Step nesta Vuelta

Pogacar aos 20 anos ganha três etapas e acaba em 3º lugar da Geral.

As duas vitórias de Philippe Gilbert

O segundo lugar da geral individual de Valverde, a caminho dos 40 anos ainda está na luta pelas classificações gerais.

O top 10 de Fredrik Hagen, sendo que ninguém o apontava no início da Vuelta para andar juntamente com os favoritos.

Boa prestação de Ruben Guerreiro, estando presente em várias fugas e alcançando alguns top dez.

Quintana e López mais uma vez voltam a vacilar e não conseguem fechar no pódio.

Foto de Capa: Jumbo-Visma

Revisto por: Jorge Neves

André Filipe Antunes

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