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A 107.ª edição do Tour de France iniciou-se no dia 29 de agosto, na cidade de Nice. Após nove etapas, o líder da prova, no primeiro dia descanso, é o esloveno Primoz Roglic (Team Jumbo-Visma).
Começamos então o rescaldo da primeira semana. A primeira etapa teve partida e chegada em Nice, num trajeto de 156 quilómetros, numa chegada destinada para os sprinters. No final da etapa foi o norueguês Alexander Kristoff (UAE Team Emirates) a levantar os braços, o que até foi algo surpreendente ao sabermos os nomes da concorrência.
A etapa ficou marcada, acima de tudo, por inúmeras quedas, com vários ciclistas a sentirem o asfalto. Pavel Sivakov (Ineos), Caleb Ewan (Lotto-Soudal) e Miguel Ángel López (Astana) foram alguns dos corredores envolvidos em acidentes.
A equipa da Lotto Soudal foi das mais prejudicadas com as quedas, com a chegada fora do tempo limite de John Degenkolb e com a desistência da competição, devido a mazelas de queda, por parte de Philippe Gilbert. A Bahrain-Mclaren ficou privada de Rafael Valls, visto que o espanhol também caiu e fraturou o fémur, sendo levado para o hospital para cirurgia.
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— Tour de France™ (@LeTour) August 31, 2020
No segundo dia, foi a vez de um dos ciclistas mais acarinhados do Tour, falo de Julian Alaphilippe (Deceuninck-Quick Step), ter brilhado com a conquista da etapa e consequentemente a amarela. O francês atacou, numa das últimas dificuldades do dia, e levou consigo Marc Hirschi (Team Sunweb) e Adam Yates (Mitchelton-Scott). Alaphilippe foi o mais forte no final, batendo Hirschi ao sprint. No final, o ciclista da Deceuninck mostrou-se claramente emocionado, dedicando a vitória ao seu pai, que faleceu no mês de junho.
Alaphilippe passava assim para a liderança, com quatro segundos de diferença para Adam Yates, e com sete segundos para Hirschi.
Na terceira etapa, o australiano Caleb Ewan (Lotto Soudal) levou a vitória com um sprint fantástico. O Pocket Rockett fez um sprint que poucos se arriscavam a fazer, passando pelo “buraco da agulha”, pela direita, ultrapassando Sam Bennett sobre a linha de meta. Etapa com poucas mudanças na classificação geral, com a manutenção da amarela por parte de Alaphilippe. Nesta terceira etapa houve apenas uma desistência, do ciclista francês Anthony Perez, da equipa Cofidis.
A quarta etapa era sinónimo de primeira chegada em alto. Um grupo de 16 ciclistas chegou destacado ao topo, com os dois eslovenos a ficarem nos dois primeiros lugares da etapa, primeiro lugar para Roglic (Team Jumbo-Visma) e em segundo Pogacar (UAE Team Emirates). O trabalho da equipa Jumbo-Visma foi excecional, levando o seu líder à vitória. O francês Guillaume Martin (Cofidis) parecia bem encaminhado após um ataque no último quilómetro, mas Roglic acabou por responder a tempo.
O esloveno acabou por levar a melhor no sprint final, arrecadando mais uma vitória na sua carreira. Esta prestação fez lembrar um pouco as vitórias no Dauphiné, em que Roglic também bateu a concorrência ao sprint. Com esta vitória, o esloveno subia 12 posições na geral individual, passando para o terceiro lugar. Alaphilippe manteve a camisola amarela.
No dia seguinte, tivemos mais um nome da equipa Jumbo-Visma em destaque. O belga Wout Van Aert bateu toda a concorrência com um sprint exemplar, aproveitando o trabalho da equipa Sunweb, que tentava levar Cees Bol à vitória. Esta etapa, que ligou Gap a Privas, numa extensão de 183 quilómetros acabou por ser um pouco aborrecida para os espectadores, visto que não houve qualquer fuga.
Alaphilippe terminou no grupo principal e, supostamente, manteria a camisola amarela, não fosse ele ter apanhado um bidon dentro dos últimos 20 quilómetros, o que não é permitido. Nas regras da corrida, os ciclistas não podem receber abastecimento dentro dos últimos 20 quilómetros, seja comida ou bebida. O francês foi penalizado com 20 segundos, colocando Adam Yates como o novo camisola amarela do Tour, com três segundos de vantagem para Roglic, e sete segundos para Pogacar.
🎙🇬🇧 @AdamYates7
Not how he’d thought it happen, but the Bury-born @MitcheltonSCOTT rider is in Yellow.
“C’était une journée assez tranquille et c’était assez nerveux dans le final. Je n’imaginais pas avoir le Maillot Jaune de cette manière…”#TDF2020 pic.twitter.com/us0lXKERR9
— Tour de France™ (@LeTour) September 2, 2020
No sexto dia de competição, tivemos mais montanha, com uma chegada em alto no Monte Aigoual, com uma jornada de 191 quilómetros. Foi dia da fuga vingar, com a vitória do cazaque Alexey Lutsenko (Astana). Em segundo lugar terminou o espanhol Jesús Herrada ( Cofidis), e em terceiro lugar finalizou o belga Greg Van Avermaet (CCC Team) a 2m15s do primeiro. O grupo dos favoritos chegou a 2m53s, encabeçado por Bauke Mollema (Trek-Segafredo). Alaphilippe destacou-se e chegou um segundo à frente deste grupo. Na geral individual manteve-se tudo igual, com o britânico a manter a camisola amarela.
A etapa sete, com ligação entre Millau e Lavaur, com 168 quilómetros de trajeto, colocou os sprinters novamente à prova, mas não todos! Foi uma etapa com muitos cortes provocados pelo vento. A Bora-Hansgrohe estava empenhada a endurecer a corrida, o que acabou por colher os seus frutos, deixando Caleb Ewan, Giacomo Nizzolo, Kristoff, Sam Bennett e Cees Bol todos para trás.
Mais tarde, com o ritmo imposto pela equipa INEOS Grenadiers foi a vez de Mikel Landa (Bahrain-Mclaren) e Pogacar (UAE Team Emirates) perderem o contacto com o grupo principal. Já com muitos nomes de fora, foi o belga Wout Van Aert a sprintar para a segunda vitória no Tour, batendo Edvald Boasson Hagen (NTT Pro Cycling) e Bryan Coquard (Vital Concept).

Fonte: Team Jumbo-Visma
O ciclista de 25 anos está a ter um ano em grande, depois de já ter vencido as clássicas da Strade Bianche e Milan-Sanremo, uma etapa e classificação por pontos no Critérium du Dauphiné, o campeonato nacional belga de contrarrelógio, e agora duas etapas no Tour.
Foi a etapa perfeita para Peter Sagan recuperar a camisola verde. Adam Yates manteve-se de amarelo.
Ao oitavo dia foi novamente a fuga a brilhar. Uma etapa com muita montanha, já dentro dos Pirenéus, foi a oportunidade perfeita para 13 elementos, que viram a sua iniciativa chegar a bom porto. O pelotão deu uma margem confortável para os escapados do dia, e permitiu que a fuga chegasse. No final, o francês Nans Peters (AG2R La Mondiale) descartou Ilnur Zakarin (CCC) e acabou por obter uma margem suficiente para a vitória. Conquistou a sua segunda vitória da carreira, e que vitória!
Nos favoritos, a Jumbo-Visma trabalhava no grupo principal, até que Pogacar atacou, quebrando o grupo dos favoritos. No final o esloveno da equipa da Emirates ganhou 40 segundos aos restantes homens da geral. Alguns dos nomes sonantes perderam tempo, como: Buchmann, Chaves, Carapaz, Mollema, Enric Mas e Dumoulin. Pinot foi o grande derrotado do dia, perdendo quase 19 minutos para o líder. Adam Yates permanecia líder.

Fonte: UAE Team Emirates
Foi um dia também marcado pelas desistências de Diego Rosa (Arkéa Samsic), Lilian Calmejane (Team Total Direct Energie), Giacomo Nizzolo (NTT Pro Cycling) que conquistou o título de campeão europeu de estrada recentemente, e William Bonnet (Groupama-FDJ).
Na etapa nove, antes do dia de descanso, foi a vez de outro esloveno vencer no Tour. Tadej Pogacar tinha atacado no dia anterior, e queria fazer ainda mais estragos, tendo em vista a recuperação dos segundos perdidos na etapa dos cortes devido ao vento, acabou por atacar novamente, arrecadando uma vitória saborosa, batendo ao sprint o seu compatriota Roglic, o suíço Marc Hirschi e o colombiano Egan Bernal.
Os três líderes de equipa saíram do grupo dos favoritos e alcançaram Hirschi, quando faltavam dois quilómetros para o fim. Depois de ter andado escapado durante largos quilómetros, sendo o único resistente da fuga, o jovem suíço merecia mais do que conseguiu.
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🏆 Maillots distinctifs et classements après l’étape 9 🏆#TDF2020 #TDFunited pic.twitter.com/BxX9Ikcaf6
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Bauke Mollema, Guillaume Martin, Bardet, Porte, Urán e Quintana chegaram com 11 segundos de atraso para os homens da frente. O espanhol Alejandro Valverde, Carapaz, Adam Yates, Miguel Ángel López e Dumoulin perderam 54 segundos. Primoz Roglic passou para o primeiro lugar da geral individual, arrecadando a camisola amarela, com 21 segundos de vantagem para Egan Bernal. Em terceiro lugar encontra-se Guillaume Martin, a 28 segundos da liderança.
A etapa também ficou marcada pela desistência do italiano Fábio Aru (UAE Team Emirates), após ter andado por largos quilómetros sozinho. O belga Steff Cras (Lotto Soudal) também desistiu.
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— Tour de France™ (@LeTour) September 7, 2020
Nas restantes camisolas, o especial destaque vai para a competição pela camisola verde dos pontos, em que Sagan (Bora-Hansgrohe) e Sam Bennett (Deceuninck-Quick Step) têm tido uma luta aguerrida pelos sprints intermédios e nas chegadas finais. No entanto, o eslovaco Peter Sagan detém a camisola no primeiro dia de descanso, com 138 pontos, mais sete do que Bennett.
Na camisola da juventude, Egan Bernal lidera, com 23 segundos de vantagem para Pogacar. O duelo por esta camisola deverá ser entre estes dois.
Na camisola das bolinhas, da montanha, Benoít Cosnefroy (AG2R) tem levado destaque nas fugas e alcançado pontos suficientes para levar a camisola na primeira semana. O francês tem 36 pontos, para já, mais cinco que o seu colega de equipa Nans Peters, que está em segundo lugar nesta classificação.
Na classificação por equipas, depois da Trek-Segafredo ter liderado nas primeiras três etapas, e da EF Pro Cycling ter ocupado o primeiro lugar nas cinco etapas seguintes, foi a vez da Movistar ter chegado à liderança. Apesar de não terem nenhum nome capaz de lutar pela geral, a equipa espanhola pode tentar ganhar alguma coisa neste Tour através desta classificação.
TOP 10 da classificação geral após a primeira semana:
1.º lugar – Primoz Roglic (Team Jumbo-Visma) 38h40m01s
2.º lugar – Egan Bernal (INEOS Grenadiers) +21s
3.º lugar – Guillaume Martin (Cofidis) +28s
4.º lugar – Romain Bardet (AG2R La Mondiale) +30s
5.º lugar – Nairo Quintana (Team Arkéa Samsic) +32s
6.º lugar – Rigoberto Urán (EF Pro Cycling) m.t
7.º lugar – Tadej Pogacar (UAE- Team Emirates) +44s
8.º lugar – Adam Yates (Mitchelton-Scott) +1m02s
9.º lugar – Miguel Ángel López (Astana) +1m15s
10.º lugar – Mikel Landa (Bahrain-Mclaren) +1m42s











