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Tóquio 2020, Ciclismo #2: Roglic com exibição de ouro no contrarrelógio olímpico

André Filipe Antunes · 3 min

Ciclismo, Roglic Jogos olímpicos
Foto: Team Jumbo-Visma

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Um dia importante para o ciclismo e para Roglic, nos Jogos Olímpicos de Tóquio, com a realização da prova de contrarrelógio individual, num percurso de 44,2 quilómetros, no circuito internacional de Fuji.

A prova teve muita emoção até ao final, com uma intensa luta pelas medalhas. Para se ter uma melhor noção do que se passou, houve uma diferença mínima, de cinco segundos, entre o segundo classificado e o quinto.

O esloveno Primoz Roglic acabou por pulverizar os tempos dos adversários, sendo apenas batido no primeiro ponto intermédio, pelo italiano Filippo Ganna.

Nos quatro pontos seguintes, o corredor da Jumbo-Visma não deu hipóteses de recuperação para os seus adversários.

Roglic terminou a prova no primeiro posto, com direito a medalha de ouro, concluindo o trajeto em 55m04s, a uma média de 48.160 km/h. Ao longo do percurso, Roglic dobrou o português João Almeida e o dinamarquês Kasper Asgreen.

O holandês Tom Dumoulin fez recordar os seus momentos grandiosos do passado, com uma exibição à sua imagem.

Ficou a 1m01s do primeiro lugar, mas mostrou muita vontade e alguma emoção no final, arrebatando a medalha de prata. Não fosse um fantástico Roglic e talvez conseguisse obter um desfecho ainda mais espetacular.

Rohan Dennis conquistou bronze para a Austrália, ficando a 1m04s do esloveno. Curiosamente, o suíço Stefan Kung teve, praticamente, o mesmo tempo de Dennis, mas a medalha acabou por ser decidida nas décimas de segundo.

Seguiram-se Filippo Ganna (5.º), Wout Van Aert (6.º), Kasper Asgreen (7.º), Rigoberto Urán (8.º), Remco Evenepoel (9.º) e Patrick Bevin (10.º).

Foto de capa: Team Jumbo-Visma

João Almeida foi o melhor português, a 3m30s de Roglic, acabando a prova na 16.ª posição. Nélson Oliveira acabou no 21.º lugar, a 3m55s.

Os dois atletas lusos acabaram por sair penalizados no primeiro troço da prova, numa subida dura, mas foram recuperando lugares com o passar dos quilómetros.

“Acho que consegui gerir bem o esforço, mesmo tendo arriscado, tentando entrar bem desde o início. Consegui manter o nível ao longo de toda a prova, mas reconheço que, não tendo más sensações, não senti que, fisicamente, estivesse no meu máximo”, começou por dizer.

“Perante este lote de adversários e numa distância tão longa, tinha pensado num top 15. Acabei por ficar perto. Acima de tudo saio com a satisfação de já ser um atleta olímpico”, rematou.

“Estou grato por ter podido representar Portugal em mais uns Jogos Olímpicos, mas o resultado não foi aquele para que trabalhei. Depois de tanto trabalho e sacrifício, tanto tempo longe da família e dos amigos, queria ter dado outro resultado aos portugueses, mas não foi possível. Nas partes mais duras queria subir a potência para os valores que tinha idealizado, mas o corpo não respondeu. Não tive nenhuma quebra, mas não consegui aumentar o ritmo como pretendia e era necessário para ter outro resultado. Agora há que continuar a trabalhar e pensar em próximos objetivos”, disse o anadiense Nélson Oliveira.

O selecionador nacional, José Poeira, afirmou que os resultados ficaram aquém do esperado: “Pelo percurso, pelo trabalho feito pelos corredores e pela sua qualidade acreditávamos que o top 10 era possível. Mas não aconteceu e há que dar os parabéns a quem foi mais forte”, explicou o responsável técnico.

No total, foram 39 ciclistas a partir para a estrada, sendo que o espanhol Ion Izaguirre teve de abandonar durante o decorrer da prova, devido a problemas musculares.

No final, foi uma vitória algo surpreendente de Roglic, dada a vantagem que conquistou para os puros-contrarrelogistas.

Acabou por ser um contrarrelógio de grande emoção e de incerteza até ao fim.

A luta foi aguerrida, e as três medalhas acabam por ser poucas para tantos campeões. Stefan Kung deve estar desolado, pois não esteve no pódio por 4 décimos de segundo.

André Filipe Antunes

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