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Saganator e Dumoulidor em grande destaque nos mundiais de ciclismo

Tiago Silva Ferreira · 5 min

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Cabeçalho modalidadesBergen recebeu este ano os mundiais de ciclismo e apresenta-se-nos com um circuito bastante apetecível, tanto nas provas em linha como nos contra relógios.

As provas começaram a 17 de Setembro com o contra-relógio colectivo de 42.5km e que ligam as cidades de  Ravnanger a Bergen, tendo a equipa da Sunweb se superiorizado perante as favoritas Sky, BMC e QuickStep e arrecadando o ouro após bela prestação colectiva, a completar o pódio ficaram a BMC e Sky  2º e 3º respectivamente. Ficou demonstrado que o líder da Sunweb Tom Dumoulin, estava mais que preparado para o contra-relógio individual uns dias mais tarde.

Vitoriosa Team Sunweb campeã mundial de contra-relógio por equipas  Fonte: Cyclingnwes
Vitoriosa Team Sunweb campeã mundial de contra-relógio por equipas
Fonte: Cyclingnwes

Na categoria de sub23 anos e começando na prova de esforço individual, havia alguns ciclistas apontados a vitória na prova, Callum Scotson, Kasper Asgreen, Brandon McNulty, Neilson Powless e Remi Cavagna foram todos batidos pelo jovem dinamarquês Mikkel Bjerg que fez um tempo estrondoso nos 37.2km do percurso, ficando o segundo classificado Brandon McNulty a 1.05m e a 1.16m de outra surpresa Corentin Ermenault que fechou o pódio. O melhor português nesta prova foi Ivo Oliveira que ficou à porta do top-20 fechando na 21ª posição.

Pódio do contra-relógio sub23 com o vencedor Mikkel Bjerg arrecadar à medalha de ouro  Fonte: Cyclingnews
Pódio do contra-relógio sub23 com o vencedor Mikkel Bjerg arrecadar à medalha de ouro
Fonte: Cyclingnews

Na prova de estrada a chuva marcou presença o que originou algumas quedas mas nem a chuva nem as quedas fizeram com que a prova deixasse de ser movimentada, com vários ataques e uma fuga, fuga essa onde esteve inserido o português José Fernandes mas que acabou por não ter êxito.

Em relação aos favoritos, o campeão em título Kristoffer Halvorsen acabou por desiludir estando fora da luta pela vitória, outros favoritos que também não estiveram na discussão da prova foram Pavel Sivakov, Bjorg Lambrecht, Aliaksandr Riabushenko.

Quem tentou a sua sorte  e com um ataque nos últimos 10km foi Lennard Kamna que só foi alcançado nos últimos metros pelo vencedor da prova o francês Benoit Cosnefroy, disputando o sprint  com o alemão e dando a vitória à seleção francesa, resta dizer que a fechar o pódio ficou o dinamarquês Michael Carbel Svendgaard.
Os portugueses presentes, tivemos José Fernandes inserido na fuga mas em relação à classificação final o melhor colocado foi Francisco Campos num modesto 67º lugar..

Francês Benoit Cosnefroy celebra à sua vitória nos mundias de estrada sub-23 Fonte: Cyclingnews
Francês Benoit Cosnefroy celebra à sua vitória nos mundias de estrada sub-23
Fonte: Cyclingnews

Virando agora agulhas para a prova de Elites, começando pelo contra-relógio individual, que com uma startlist bastante grande no que a favoritos diz respeito, deixava antever uma grande luta pela vitória final. Nomes como Froome, Dumoulin, Rohan Dennis, Zakarin, Roglic, Kelderman, Bodnar, Jungels, Kyrienka, Nelson Oliveira e mesmo o campeoníssimo Tony Martin colocavam grande indefinição sobre quem sairia de Bergen com o título mundial desta vertente.

E se a ordem de saída fosse irrelevante com o terreno seco, a chuva que caíu, ainda que pouca, veio complicar um pouco as contas aos ciclistas que ainda não tinham saído. Bodnar e Dennis sofreram quedas tirando-os do sonho das medalhas.
Quem andou muito bem e por pouco não consegui chegar às medalhas, foi o português Nelson Oliveira que  efectuou um excelente contra-relógio, terminando à porta das medalhas num 4º lugar e muito perto de fazer história.
Falando do pódio e começando por lugar mais baixo, Froome que veio de uma vitória na Vuelta conquistou um 3º lugar, dada a forma do britânico e perante a concorrência é um resultado esperado. No segundo lugar o esloveno Primoz Roglic também à fazer uma grande prova e que pese embora tenha ficado à frente de Froome e outros ciclistas, não conseguiu destronar o vencedor Tom Dumoulin que pulverizou a concorrência tirando 0.57 segundos a Roglic e 1.21m a Froome numa demonstração de força do holandês confirmando que é o melhor contra-relogista da actualidade.

Dumoulin pulveriza concorrência no contra-relógio individual Fonte: Cyclingnews
Dumoulin pulveriza concorrência no contra-relógio individual
Fonte: Cyclingnews

Mas a prova mais aguardada por todos estava reservada para o dia de hoje com a prova de estrada à culminar uma semana de emoções.

Dos grandes favoritos um nome sobressai de todos os outros, Peter Sagan, bicampeão mundial, o eslovaco perseguia em Bergen uma tripla inédita. Quando questionado se tinha feito o estudo do percurso, o eslovaco respondeu com a sua habitual desenvoltura que tinha muitas voltas para estudar o percurso, resposta típica do eslovaco que se mostra tão à vontade com as palavras como em cima da bicicleta.

Falando do percurso, são 276.5km divididos em 12 voltas, com a subida a Salmon Hills à ser a grande dificuldade e podendo assumir um papel preponderante no desenrolar da prova.

As seleções de Itália, França, Bélgica, Holanda, e Polónia, quer pela equipa que levavam, quer pelos seus favoritos, tinham clara obrigação de ir mexendo na corrida, por um lado, eliminavam a concorrência (Peter Sagan) por outro tentavam levar os seus melhores corredores em condições à última fase da corrida.

Uma corrida que foi muito atacada mas que não formou uma fuga definitiva, o pelotão sempre atento foi anulando aqui e ali as fugas mais perigosas, Rui Costa antigo campeão do mundo andou sempre bem colocado não perdendo de vista os melhores ciclistas.

A 10km do fim na última dificuldade do dia, acontecem muitos ataques mas há dois ciclistas que se destacam dos demais, Julien Alaphilippe e Gianni Moscon, os dois ciclistas jovens tomaram a dianteira do grupo de fugitivos conseguindo alargar a diferença nos quilômetros seguintes, tendo mesmo o francês conseguindo desembaraçar-se do italiano e partindo isolado para a meta. O que aconteceu a seguir não pode ser testemunhado porque a realização nos últimos quilômetros não mostrou mais imagens da prova filmando apenas os últimos metros criando um enorme suspense sobre a corrida.

E para espanto de todos, quando se pensava que seria o francês a aparecer nas câmaras, surge um pequeno grupo que se veio a formar na perseguição ao ciclista francês, grupo esse que levava entre outros, o ciclista da casa Kristoff, Van Avermaet, Matthwes, Trentin e claro Sagan.

Num grupo destes com chegada ao sprint a indefinição do vencedor era grande mas já se sabe que em grupos assim Sagan não costuma perdoar, e numa luta titânica com Kristoff, Sagan arranca  a vitória a ferros, conseguido à terceira vitória consecutiva, algo inédito na história em mundiais.

Sagan num sprint bastante disputado com Kristoff mas a vencer novamente o mundial  Fonte: Cyclingnews
Sagan num sprint bastante disputado com Kristoff mas a vencer novamente o mundial
Fonte: Cyclingnews

Quanto aos portugueses, Rui Costa, pese embora ter terminado no grupo dos favoritos, e ter também atacado,terminou na 19ª posição, Nelson Oliveira no 56º lugar, Tiago Machado e Vilela em 65º e 66º respectivamente, José Gonçalves 131º lugar e Ruben Guerreiro não terminou a prova.

Resumindo foram mundias muito bem organizados, a cidade de Bergen e a organização estão de parabéns, o público também esteve à altura formando uma moldura humana que veio mostrar a força do ciclismo no país escandinavo.
Cumpriram-se as expectativas no contra-relógio e na prova de estrada, Sagan e Dumoulin foram os mais fortes com maior ou menor dificuldade mostraram a sua supremacia. Para o ano em Innsbruck , à história poderá ser diferente já que o percurso será mais duro mas com Sagan nunca se sabe!

Foto de Capa: Visitbergen

Tiago Silva Ferreira

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