Publicidade

Sonho do Olimpo #6: Sérgio Paulinho fez história nos Olímpicos de Atenas

André Filipe Antunes · 6 min

Vê mais Bola na Rede no teu Discover Seguir no Google

Hoje, no “Sonho do Olimpo”, temos a oportunidade de recordar um feito histórico para o ciclismo português, alcançado nos Jogos Olímpicos de Atenas, em 2004.

É praticamente impossível olharmos para os Jogos Olímpicos e não associarmos a competição à Grécia, país inaugurador deste evento, em 1896. Em 2004, curiosamente, foi apenas a segunda vez que o país recebeu o privilégio de receber os Jogos, 108 anos depois da primeira edição.

Foto de capa: Efapel

O REGRESSO A CASA

O ano de 2004 marcou o regresso dos Jogos Olímpicos “a casa”. Os gregos tinham ficado aborrecidos por não terem realizado os Jogos de 1996, data comemorativa dos 100 anos, desde as primeiras Olimpíadas. O Comité Olímpico Internacional (COI) atribuiu aos Estados Unidos da América, em Atlanta, a honra, mas não foi uma edição de boas memórias. Atenas teve de esperar quase uma década, pois os Jogos Olímpicos seguintes já estavam entregues à cidade de Sydney, Austrália.

Houve muitas candidaturas à organização das Olímpiadas de 2004, com Buenos Aires (Argentina), Cidade do Cabo (África do Sul), Estocolmo (Suécia), Istambul (Turquia), Lille (França), Rio de Janeiro (Brasil, Sampetersburgo (Rússia) e Sevilha (Espanha) a serem concorrentes à cidade de Atenas. Havia relutância por parte do COI, em prometer a organização a Atenas, pois parecia que a cidade não dava garantias de estar à altura dos acontecimentos.

Foi com uma grande alegria que o povo grego recebeu a notícia do COI, aquando do anúncio de que teriam a cidade anfitriã da mais prestigiada competição a nível mundial. Estiveram representados 201 países, tornando-se a edição com mais nações a participar de sempre, com quase 11 mil atletas em ação. Os Jogos de Atenas tiveram uma particularidade interessante, pois pela primeira vez na história, as Olimpíadas puderam ser acompanhadas em direto através dos meios digitais. Pela primeira vez, também, a tocha olímpica passou por todos os continentes, percorrendo todas as cidades-sede de versões anteriores.

Os Jogos decorreram na normalidade, após um período duvidoso, relacionado com a capacidade da Grécia de realizar a prova, sobretudo, devido ao atraso nas obras. A competição conseguiu demarcar-se e reavivar a história da Grécia Antiga, com as provas no estádio da cidade histórica de Olímpia, na cidade de Maratona, no estádio Panathinaiko (palco central dos primeiros Jogos da era moderna de 1896) e no famoso e moderno estádio Olímpico para receber as cerimónias importantes.

Pela negativa, acabaram por surgir alguns casos de doping sobretudo, em países de leste, com: Rússia, Bielorússia, Ucrânia e Hungria a sobressaírem. Os E.U.A também tiveram atletas a acusar positivo. Os resultados foram assim alterados mais tarde, dando a vitória ao segundo classificado.

HISTÓRIA ESCRITA EM ATENAS

No ciclismo, a prova de fundo da elite masculina é sempre complicada, com muitos nomes e nações a quererem o desejado ouro. Mais difícil fica quando existem nações com o dobro dos nossos atletas em prova. Em 2004, a seleção nacional, comandada pelo selecionador José Poeira, contava com quatro ciclistas: Cândido Barbosa, Sérgio Paulinho, Nuno Ribeiro e Gonçalo Amorim. Na lista de pré-convocados estavam também José Azevedo e Pedro Lopes, mas só podiam ser escolhidos 4. Apenas o “foguete da Rebordosa” Cândido Barbosa já tinha participado por uma ocasião nos JO, em Atlanta, oito anos antes.

Para 2004, o líder da equipa das quinas seria mesmo o sprinter Cândido, com ambições elevadas para lutar por um lugar entre os melhores. A corrida levou a imprevistos, com o italiano Paolo Bettini a atacar, seguido por Sérgio Paulinho. O ciclista alemão Ullrich e o cazaque Vinokourov tentavam colar aos dois da frente, mas acabavam por ficar para trás. O ciclista oeirense viu-se numa posição favorável, estando em jogo uma oportunidade para chegar às medalhas, e não quis desperdiçar, acabando por assumir a maioria da “despesa” a puxar na frente, com o italiano na roda.

O trabalho do português acabou por surtir efeito, com o duo a chegar com vantagem suficiente para discutirem a vitória entre si. O italiano arrancou já dentro dos últimos 300 metros, com Sérgio a tentar responder, mas depressa percebeu que já não tinha mais forças e acabou por ceder e aceitar um fantástico segundo lugar. Em terceiro lugar terminava o belga Axel Merckx, a oito segundos do vencedor Bettini.

Acabou por fazer-se história em Atenas, com direito a subida ao pódio final, com prata para Paulinho. O corredor luso acabou por perder apenas para um dos melhores classicómanos da altura, ficando a um segundo de vencer. Bettini vencia a prova de estrada, 12 anos depois da última vitória italiana, por intermédio de Fabio Casartelli.

Nuno Ribeiro acabou na 27.ª posição, enquanto Cândido Barbosa e Gonçalo Amorim não terminaram a prova. Após quatro dias do seu segundo lugar, Paulinho ainda realizou a prova de contrarrelógio individual, onde acabou no 24.º posto. Em primeiro lugar terminou o ciclista dos E.U.A, Tyler Hamilton, seguido pelo russo Viatcheslav Ekimov, e pelo seu compatriota Bobby Julich.

(Re)veja aqui o resumo da Prova.

Depois deste sucesso, Paulinho, não voltou a representar Portugal em edições dos JO, mas continuou a ter presença assídua em Campeonatos do Mundo. Acaba por ser difícil, arranjar um resultado tão prestigiante quanto um segundo lugar olímpico, mas Paulinho também coleciona duas vitórias em Grandes Voltas, uma na Vuelta de 2006 e outra no Tour de França de 2010.

Sérgio Paulinho, curiosamente, este ano, recebeu o prémio prestígio na Volta ao Algarve, como forma de homenagem à sua brilhante carreira e contribuição para o ciclismo nacional. O ciclista de 41 anos terminará a sua longa carreira no final do ano. O corredor, natural de Oeiras, confessou que era para ter abandonado a modalidade, pelo menos de forma competitiva, em 2020, mas que pretende sair de outra forma, já sem as restrições impostas pela pandemia.

A MODALIDADE: CICLISMO

O ciclismo português tem vindo a crescer muito ao longo dos últimos anos, com a conquista desta medalha a ser o princípio de uma grande geração que estava por vir. Depois disso, já tivemos mais um momento notável e de sublinhar, com a conquista do Campeonato do Mundo de Estrada em 2013, em Florença, Itália, por parte de Rui Costa.

A participação portuguesa, em 2004, não ficou marcada só pelo ciclismo, pois a Equipa Portugal conseguiu almejar, no total, 3 medalhas, duas no atletismo por Francis Obikwelu e Rui Silva, prata e bronze, respetivamente, e outra no ciclismo, lá está, por Sérgio Paulinho. O país mais medalhado desta edição, acabou por ser os Estados Unidos da América, totalizando 101 medalhas, distribuídas pelas diferentes modalidades, com Michael Phelps (nadador) a sobressair com oito medalhas.

A Equipa Portugal já conta com um conjunto de grande qualidade, 62 atletas, para representar as cores nacionais em Tóquio, nas diversas modalidades. O ciclismo não é exceção e, apesar de ser muito difícil, os ciclistas lusos já demonstraram que conseguem chegar ao topo.

Ainda não existem convocados para representar a seleção de ciclismo para os Jogos Olímpicos, em Tóquio. Mas é certo que a escolha deve resumir-se aos seguintes corredores: Rui Costa, João Almeida e Nélson Oliveira. Portugal tem duas vagas para a prova de estrada e para o contrarrelógio, mas deverá levar apenas dois corredores.

Nas outras vertentes do ciclismo, Maria Martins fez história, ao ser a primeira corredora feminina a apurar-se para uma prova olímpica de ciclismo de pista, enquanto no cross country olímpico (XCO), Raquel Queirós conseguiu uma vaga histórica para Portugal, sendo esta a primeira de sempre para uma atleta feminina.

André Filipe Antunes

Redação Bola na Rede · ver artigos

Continua a ler

as mais recentes

Newsletter Bola na Rede

Estamos a preparar a newsletter do Bola na Rede. Deixa o teu email e és dos primeiros a recebê-la. Sem spam.

Feito. Ficas na lista e avisamos-te quando arrancar.