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De todos os cinco nomes, este será aquele que, provavelmente, os menos atentos ao ciclismo pouco ou nada conhecerão. O mais recente prodígio dos sprints, com apenas 22 anos, já apresenta um palmarés interessante para um ciclista da sua idade – até acumulou algumas vitórias quando era júnior e sub-23 – e muitas mais vitórias virão. Em termos de Grandes Voltas, conquistou a sua primeira e única, até ao momento, grande vitória em etapa na Vuelta de 2015, sendo que no Giro deste ano também esteve perto de alcançar o primeiro lugar.
Ainda quando o australiano era um ciclista pouco conhecido, como alguns bem sabem, eu já acompanhava o seu percurso e algumas provas suas. Havia ali algo que “dizia” que, um dia, aquele iria ser um dos melhores sprinters do mundo. Felizmente, não me enganei e, apesar de ainda não o considerar da elite dos sprinters, está logo no patamar abaixo e pronto, a qualquer momento, para “subir um nível”, o tal que o deixará mais ao alcance dos veteranos e experientes corredores mais rápidos.
Este ano, por exemplo, venceu a Cyclassics Hamburg, uma prova de 1 dia com prestígio e reconhecimento, tendo batido, ao sprint, nomes como Degenkolb, Nizzolo, Kristoff ou Greipel. No início do ano, apresentou-se em grande forma, tendo começado a temporada a vencer 2 etapas no Santos Tour Down Under e feito, igualmente, uma boa prova no Tirreno Adriático (sendo que, numa das etapas, ficou em segundo, atrás de outra grande jovem promessa dos sprints, neste caso, o colombiano Fernando Gaviria, também com 22 anos).
É preciso considerar que o ciclista da Orica não é um puro sprinter, como, por exemplo, Marcel Kittel ou Mark Cavendish (curiosamente, em termos físicos, é similar ao britânico). É um ciclista que consegue sprintar ainda em rampas pouco inclinadas ou estar bem em média montanha.
Apesar de ser um ciclista explosivo nos metros finais, apresenta uma boa capacidade aerodinâmica. Estas (e outras) são caraterísticas que irão ser mais potenciadas ao longo do tempo e, apesar de complicado, poderemos ter aqui uma versão aproximada de um Peter Sagan, daqui a uns largos anos, quem sabe…
Para mim, será sempre aquele ciclista de quem eu falava que um dia iria ser grande, mas que ainda poucos conheciam, e hoje é considerado um futuro “rei dos sprints”. É verdade que já devo ter falhado mais do que acertado em termos de “previsões” assim. Mas não é menos verdade que, se é para acertar, que seja em grande! É exatamente isso que Caleb Ewan, um ciclista bastante humilde, tem conseguido: ser grande e intrometer-se entre os maiores!
4. Alejandro Valverde

De uma jovem promessa para um veterano e dos melhores ciclistas deste século. Talvez o ciclista mais completo da atualidade e, sem dúvida, o mais regular de todos, conseguindo estar presente nas 3 Grandes Voltas deste ano e, em todas, com resultados excelentes, quer na classificação geral, quer ao longo das mais variadas etapas. Além disso, esteve categórico na maioria das corridas no seu próprio país e até nas clássicas de Primavera se destacou (foi 1.º na La Flèche Wallonne, por exemplo).
Perto da centena de vitórias em toda a carreira, o murciano, aos 36 anos, continua a parecer ter 26 de idade. São raros os ciclistas, em toda a história, que, numa só época, tenham conseguido fazer pódio no Giro, 6.º no Tour e 12.º na Vuelta. Quanto mais um ciclista de 36 anos… é, de facto, incrível o que o espanhol conseguiu fazer durante toda a temporada, tendo ainda possibilidade de discutir o título de campeão do mundo já daqui a 2 semanas, no Qatar.
Já com 9 anos, “O Bala” conseguia a sua primeira vitória numa competição. A partir daí, foi puro crescimento de um dos melhores ciclistas que este desporto tem, atualmente. Diz-se que os próprios pais das outras crianças, aquando do início da carreira do espanhol, pediam para ele não comparecer em algumas provas para os seus filhos terem possibilidade de ganhar. Acho que isto diz bastante já da qualidade que ele tinha nos seus tempos de miúdo.
Estar aqui a referir todo o palmarés seria exaustivo quer para mim quer para todos os leitores, mas a verdade é que poucos ciclistas ganharam tanto como Valverde, até hoje. Ainda assim, em 2015, o homem da Movistar não era um ciclista que se sentisse verdadeiramente “completo”. Faltava-lhe algo… que era um pódio no Tour de France.
Num ano atípico para conseguir tal feito, tendo em conta a concorrência e a sua idade, o espanhol voltou a surpreender e a mostrar que um número não pode definir a quantidade de sonhos que podes alcançar. Conseguiu o tal pódio, continuou a vencer mais provas e será realmente uma pena quando este ciclista se retirar.
3. Peter Sagan

Se Sagan conseguisse disputar a classificação geral das Grandes Voltas, seria um dos ciclistas mais completos de sempre. Ainda assim, se excluirmos isso, o eslovaco consegue fazer de tudo e mais alguma coisa. Sprinta com os puros velocistas, trepa com os puros trepadores, tem poucos que o acompanhem, por agora, naquelas etapas de média montanha e com pequenas subidas no final, faz bons contrarrelógios e é um ciclista de excelência nas clássicas. Espetacular, sem dúvida.
A nova contratação da equipa Bora e ex-estrela da Tinkoff. É daqueles ciclistas que todas as equipas querem e gostam de ter. Tem imensa qualidade, sabe trabalhar quando é preciso, é bastante carismático, atrai muito público e ainda consegue divertir-se no desporto que pratica (quem não se lembra dos momentos em que ele faz o designado “cavalinho” no final da etapa ou então quando em etapas de alta montanha pede a um colega sprinter para fazer um “despique” com ele, entre outras situações…).
Este ano, além de tudo o que já conquistou, irá juntar uma última vitória a mais um excelente ano, neste caso, associada ao Ranking Individual Anual, à frente de nomes como Chris Froome ou Alejandro Valverde – que já venceu este “prémio” algumas vezes. Aos 26 anos, é dos ciclistas como melhor palmarés da atualidade e só tem tendência a engordar ainda mais este seu brilhante currículo. Ainda assim, faltam-lhe mais vitórias em etapas nas Grandes Voltas, sendo que compensa, de certa forma, isso com as camisolas verdes que ganha.
É realmente complicado não se apreciar um ciclista deste género. Tem ainda tanto para dar ao mundo do ciclismo e mais recordes para bater, sem qualquer dúvida. E, pelo que se viu este ano, acredito que poderemos vir a ter um Sagan ainda mais forte nos anos vindouros.
Até chegou ao facto de competir na parte de BTT dos Jogos Olímpicos, algo fora do normal para um ciclista de estrada. Não tivessem sido alguns azares, poderíamos ter tido o ainda atual campeão do mundo (veremos se consegue o bi-campeonato, no dia 16 de Outubro) a lutar por uma medalha nessa vertente. Simplesmente incrível!
2. Rui Costa

Tendo em conta a descrição que aparece no Bola na Rede sobre mim, não era difícil perceber os dois nomes que faltavam. Já lá vamos ao número 1, por agora ficamos com o número 1 português da atualidade e um dos dois melhores portugueses de sempre (é complicado para qualquer ciclista português conseguir superar um nome como o de Joaquim Agostinho, ainda assim, o nome de Rui Costa tem de ser o que se aproximará mais de perto desse grande nome).
Já foram muitas as alegrias que o ciclista de 29 anos nos deu. A maior delas (se não for unânime para as pessoas que seguem a sua carreira, anda lá perto): quando se tornou campeão do mundo de ciclismo de estrada! O ano de 2013, poder-se-á dizer, foi o auge, até ao momento, da carreira do ciclista português. Começou muito bem, com excelentes classificações na Volta ao Algarve e no Tour de Romandie, passando pela vitória na geral individual da Volta à Suíça (que depois venceria mais duas vezes seguidas, estando apenas a 1 vitória de igualar o recorde de 4 vitórias na geral da prova) e o primeiro lugar no CR individual dos campeonatos nacionais, chegando às incríveis duas vitórias em etapa na Volta à França e culminando tudo isto com boas prestações no Canadá e a mítica vitória nos campeonatos do mundo.
O futuro do português já é conhecido e passará pela TJ Sports, equipa que adquiriu a licença da Lampre Merida, ex-equipa do Rui, no World Tour. Continuará a ter, em princípio, o mesmo papel que tinha na equipa italiana, mas veremos se alguns objetivos não mudam, principalmente em termos de provas disputadas e o tipo de ambição que terá para certas corridas.
As suas qualidades são bem conhecidas pelos mais variados adeptos do ciclismo, sendo que a sua “visão de jogo” é um dos seus pontos mais fortes e os seus adversários sabem muito bem disso e têm estado mais atentos a esse aspeto. Além disto, apesar de não estar ao nível dos melhores na alta montanha, acredito que seja dos melhores da atualidade em provas de 1 semana e está a melhorar ainda mais, prova a prova, nas clássicas.
A sua situação com corridas de 3 semanas ainda tem de ser estudada da melhor forma. Este ano, para o Tour, o objetivo era claro: vencer etapas (para a prova francesa, acho que é o melhor para ele). Algo que, infelizmente, não foi conseguido, mas esteve lá perto. Sinceramente, gostava de vê-lo a tentar fazer um Giro ou uma Vuelta no seu topo de forma e a lutar pela geral.
O ciclista poveiro, dentro de poucos dias, chegará à marca das 3 décadas de existência. Daqui a 2 semanas, poderemos ter o português novamente na luta pelo campeonato do mundo. Seria incrível repetir as alegrias e a emoção aquando do seu enorme momento de glória após bater ao sprint um desolado Purito Rodriguez, que tudo tinha feito para vencer, mas que não esperava olhar para trás e ver aquele ciclista português a tirar-lhe a hipótese de ficar com um dos maiores títulos da sua carreira.
Foi inglório para o espanhol, é verdade, mas Rui Costa mereceu imenso aquele momento. Acredito que os portugueses que o estavam a acompanhar tenham festejado como se de um Europeu de Futebol se tratasse (algo que, felizmente, mais tarde, também festejámos) e quero acreditar que iremos ter mais alegrias parecidas da parte de Rui Costa!
1. Chris Froome

Digam o que disserem, estamos perante um fenómeno do ciclismo. Daqueles ciclistas em que ficamos a pensar como é que fazem ou conseguem fazer determinadas coisas. Na verdade, no topo da forma, provavelmente não existe nenhum ciclista que consiga fazer frente ao britânico. Posso dar-vos logo o exemplo deste ano, com o seu domínio, mais uma vez, no Tour de France (terceira vitória e acredito que não vai parar por aqui, principalmente com o armada que a Sky costuma levar), sendo que também esteve presente na Vuelta, mas já fora do seu pico de forma e, mesmo assim, deu luta a um incrível Nairo Quintana. O colombiano estava em grande forma, mas ainda teve de lidar com um Froome desejoso de vencer a prova espanhola. O britânico teve de se contentar com o segundo lugar e é verdade que não foi agora, mas um dia será.
Apesar de já ter 31 anos, ainda tem mais alguns anos ao mais alto nível – basta ver o exemplo de Valverde e o que referi acerca dele, neste artigo – e não me parece que o homem da Sky fique satisfeito sem conseguir ter na sua carreira uma vitória na geral individual de um Giro ou de uma Vuelta, para complementar com a história que vai criando todos os anos no Tour. Espero vê-lo a voltar a tentar ganhar uma destas provas.
O melhor ciclista em provas de 3 semanas, o ciclista mais completo dos que lutam pela geral individual, aquele que tem uma equipa dominadora ao seu lado e, mesmo assim, demonstra que a sua qualidade também faz a diferença. É um dos melhores na alta montanha e apresenta aquele estilo peculiar em que parece que está a passar mal, mas, pelo contrário, está a gerir o ritmo para depois “explodir” e passar todos os seus adversários. É, de facto, algo espetacular de se ver.
Consegue juntar a inteligência e a competência necessárias para gerir da melhor forma as etapas de média montanha e sabe estar protegido naquelas etapas mais caóticas ao sprint (não raras vezes, vemos Froome nos 20 primeiros lugares desse tipo de etapas, exatamente por querer e conseguir estar sempre bem colocado).
Além destas caraterísticas, é explosivo e brilhante nos contrarrelógios, dando luta aos mais especialistas dessa vertente. Sendo que, naqueles contrarrelógios mais longos em Grand Tour’s, dificilmente alguém vence o britânico, se ele estiver na melhor forma. E, até mesmo nos Jogos Olímpicos, quando existem ciclistas com melhores caraterísticas para o CR e com mais treino nessa especialidade, Chris Froome consegue intrometer-se entre eles.
Nos JO’s deste ano, o terceiro lugar foi excelente, apenas atrás de, nada mais, nada menos, do que Tom Dumoulin e o medalha de ouro Fabian Cancellara, dois dos 3 maiores especialistas da atualidade no CR (o terceiro é Tony Martin, que não esteve na melhor das formas nestes últimos jogos). O que demonstra a capacidade que o ciclista da Sky tem para fazer este tipo de provas. Tudo isto torna difícil para algum ciclista tentar batê-lo em provas de 3 semanas, principalmente quando o britânico está no topo da forma.
Só espero que Chris Froome continue a conquistar mais Tour’s, que consiga vencer um Giro ou uma Vuelta ainda na sua carreira, que possa continuar a mostrar que uma equipa é extremamente importante, principalmente num desporto como o ciclismo, mas que a qualidade individual continua a fazer a diferença em certas alturas. Que continue a ser um “Vroome Vroome” nos contrarrelógios e que, no futuro, possa prova, a todos aqueles que duvidam, que fez tudo isto sem ajuda de fatores extra, como certos indivíduos pensam. Não consigo acreditar que possa existir um “segundo caso Armstrong”, portanto, tenho confiança que a situação seja a seguinte: Chris Froome é mesmo um fenómeno do ciclismo mundial e será um dos melhores ciclistas de sempre!
Foto de capa: Volta à Catalunha









