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Após o primeiro título europeu de futebol de seniores chegar finalmente ao nosso país, é altura de atualizarmos um pouco como está outra competição importante a ser realizada igualmente em solo francês. Refiro-me, pois, ao Tour de France.
Já se passaram 9 etapas e já temos Chris Froome, o favorito à partida para esta prova, como o camisola amarela da corrida, por agora. Como tem sido seu apanágio, existe uma altura nesta primeira metade da corrida em que o britânico gosta de marcar a diferença. Um facto é que poucos esperavam que ele o fizesse em descida e não em subida. Para quem não viu, já explicarei melhor.
O português Rui Costa confirmou, na estrada, que realmente o seu objetivo principal é vencer etapas e não a classificação geral individual. Já tentou integrar algumas fugas, mas só foi bem-sucedido numa e quase que vencia nessa primeira oportunidade. Esteve tão perto, mas um pequeno “deslize” para com um fenomenal contrarrelogista e seguro trepador foi “fatal” para as suas aspirações.
Por fim, em relação aos sprints, Mark Cavendish “renasceu” e já fez um “hattrick”, superando Bernard Hinault em termos de número de vitórias na Volta à França. Com 29 vitórias, o britânico está a “apenas” 5 vitórias de igualar o lendário Eddy Merck.
Fazendo um “apanhado geral” pelas etapas e começando pela primeira etapa, quando muitos esperavam logo a primeira vitória do alemão Marcel Kittel, eis que aparece um revigorado Cavendish a surpreender a concorrência e, aos 31 anos, finalmente a conseguir ter a mítica camisola amarela do Tour no seu corpo, pelo menos por um dia.
A segunda etapa apresentava algumas dificuldades para os puros sprinters, portanto, era de se esperar que fosse um “puncheur”, por exemplo, a vencer a etapa. Peter Sagan era um dos favoritos e não desiludiu. O campeão do mundo superou a forte concorrência de Julian Alaphilippe, mais um talentoso francês a vingar, Alejandro Valverde, Daniel Martin ou Michael Matthews.

Fonte: Tour
Terceira etapa, segunda com chegada prevista ao sprint. Kittel não conseguiu à primeira, esperava-se que conseguisse à segunda. Mas o “implacável” Cav quis demonstrar que a sua vitória na primeira etapa foi tudo menos um “acidente”. Sprintou ao seu estilo e voltou a bater toda a concorrência. Greipel e Coquard bem tentaram, mas não deu.
Mas Kittel não é de desistir e, curiosamente, num final onde menos se esperava que vencesse, a verdade é que o alemão demonstrou que deve continuar a ser considerado o “Rei dos Sprints”, da atualidade. Bryan Coquard, que deixou um aviso à concorrência e poderá ser um bom adversário pelo camisola verde até ao fim, e Peter Sagan ficaram nos lugares logo abaixo do ciclista da Etixx.
Nota para o facto de estes últimos dois sprints terem sido apenas decididos a partir do photofinish, algo que acaba por tornar um pouco mais interessantes este tipo de etapas, visto que existem poucas situações de interesse ao longo desde mesmo tipo de etapa (o Giro e a Vuelta, neste aspeto, quase que “goleiam” o Tour). Há que destacar, novamente, Coquard, que tem estado a continuar a comprovar o que já tinha referido acerca dele e é mesmo mais um ciclista para acrescentar, definitivamente, aos melhores sprinters da atualidade, com “o bónus” de ser um pouco como Sagan e conseguir mostrar-se noutro tipo de terrenos. Além disto, não foi ainda nesta etapa que Greipel também voltou a vencer (acelerou cedo demais, neste último sprint).
Chegamos à etapa 5 e a uma das melhores até agora nesta prova. Greg Van Avermaet a surpreender, de certa forma. Esteve muito bem e deixou para trás elementos mais capacitados na montanha do que ele. Só Thomas De Gendt o acompanhou quase até ao fim, mas o belga da BMC descolou do “compatriota” da Lotto e ficou a mais de 2 minutos dele. Os grandes favoritos chegaram a mais de 5 minutos e, assim, deram uma excelente vantagem na camisola amarela para Avermaet.

Fonte: Tour de France
Claro destaque para mais segundos de perda por parte de Alberto Contador, que tinha caído já por 2 vezes neste Tour de France e perdido algum tempo. Ele não estava bem, notava-se e viria a confirmar-se uns dias depois. Por fim, há que salientar os mais de 13 minutos perdidos por Rui Costa nesta etapa. O português veio admitir que não se sentiu nas melhores condições devido à meteorologia e iria, a partir daquele momento, finalmente conseguir procurar as vitórias que merece ter e que o povo português merece receber.
Antes dos Pirinéus, última oportunidade para os sprinters nesta primeira semana. Mark Cavendish confirma a excelente aposta que a Dimension Data fez na sua pessoa e é preciso destacar que o sprint foi feito lado a lado com Marcel Kittel, algo que valoriza ainda mais a vitória do britânico, visto que Kittel é considerado o melhor sprinter da atualidade.
Nota, igualmente, para Daniel McClay. O sprinter da Fortuna, um dos ciclistas que tinha apontado como um dos sprinters a ter em atenção para este Tour, tem aproveitado muito bem estas oportunidades e conseguiu finalmente chegar ao pódio nesta etapa. O jovem britânico de Leicester pode, numa das próximas etapas ao sprint, fazer como a equipa da sua cidade e surpreender tudo e todos com uma vitória.
As etapas 7, 8 e 9, nos Pirinéus, foram conquistadas, respetivamente, por Cummings, Froome e Dumoulin. O ciclista da Dimension Data voltou a mostrar que é um “mestre das fugas” e venceu, novamente, uma etapa em fuga numa prova deste género. Um verdadeiro “especialista” no que toca a este tipo de situações de corrida.
Depois, na etapa seguinte, tivemos espetáculo por parte de Chris “Vroom Vroom” Froome. Depois de algumas tentativas de ataques por parte de alguns dos favoritos, eis que o britânico aproveita uma ligeira “distração” de todos e ataca logo no início da última descida do dia. Ganhou uma vantagem de uns bons metros para o grupo logo atrás de si e não mais os perdeu. No fim de contas, conseguiu ficar com 13 segundos de avanço dos seus mais diretos perseguidores e vencer mais uma etapa no Tour de France!
Por fim, na nona etapa, mais uma fuga a ter sucesso. Depois das tentativas anteriores de Rui Costa em integrar uma fuga, finalmente entra na correta e tem a possibilidade de discutir a vitória num dia tão importante para Portugal e para os portugueses (que já tinham visto alguns momentos de glória no atletismo e esperavam que o ciclismo e o futebol repetissem os feitos).

Fonte: Tour de France
Numa altura em que o próprio Rui Costa e o francês Thibaut Pinot, numa clara representação do que iria ser a final do campeonato europeu de futebol, estavam lado a lado e a mostrar que eram aqueles que mais queria vencer a etapa, eis que surge, numa parte mais “plana”, Tom Dumoulin, o campeão de CR e especialista em rolar nestes terrenos. Conseguiu uma vantagem razoável (Rui, Pinot e os restantes deram-lhe espaço para tal) e, tal como fez noutras provas, depois foi “só” controlar na subida final a Andorra.
Rui Costa terminou em segundo, à frente de Majka, Navarro, Anacona e Pinot. O português não venceu a etapa, mas mostrou-se em boa forma para voltar a tentar nos próximos dias e dar a primeira vitória portuguesa no Tour de France deste ano. Nesta etapa, é preciso destacar o abandono de Alberto Contador, um dos favoritos a vencer esta prova. Quedas e perdas de tempo resultaram nisto. Provavelmente, iremos ter aqui o mais forte candidato a vencer a Vuelta deste ano.
Uma nota para a primeira desistência da corrida só ter acontecido à oitava etapa (por Michael Morkov), quando, geralmente, a primeira semana é “feita” de quedas, nervos e inseguranças, que acabam por levar a várias desistências. A verdade é que, felizmente, foram poucas as situações em que isso aconteceu e o ciclismo e o espetáculo beneficiaram com isso.
Na classificação geral individual, Chris Froome apresenta uma vantagem de 16 segundos para o segundo classificado (Adam Yates – o portador da camisola da juventude), 19 segundos para o terceiro (Daniel Martin), 23 segundos para Nairo Quintana e 37 segundos para Purito Rodriguez – um aparte: o ciclista espanhol anunciou que irá abandonar o ciclismo no final da época…mais um dos grandes a terminar a sua carreira no fim da temporada e realmente foi um ciclista que marcou bastante o ciclismo nos últimos anos (não fosse o Rui Costa ter tido uma incrível prestação e “visão de jogo” e o espanhol teria também uma camisola de campeão do mundo no seu palmarés) e merece terminar a sua carreira em grande, veremos se realmente ainda vence uma prova como os Jogos Olímpicos ou a Vuelta, se não vencer este Tour, claro.
Depois destes dias, nota-se que Froome e Quintana estão num nível diferente de todos os outros ciclistas, mas há que salientar as prestações de Daniel Martin (se mantiver a consistência até ao fim, será o mais sério candidato a ficar no pódio juntamente com Froome e Quintana), Joaquin “Purito” Rodriguez (último Tour e última oportunidade para fazer um grande resultado na prova mais importante do calendário de ciclismo), Romain Bardet (a maior esperança, tendo em conta as circunstâncias da corrida, para os franceses fazerem, pelo menos, pódio neste Tour) ou, ainda, o jovem Adam Yates, que já tem a camisola da juventude na sua posse e espero que continue com ela até ao fim, como previsto no último podcast. Todos estes ciclistas têm estado a um nível digno de ficarem no pódio final da Volta à França em bicicleta!
Por outro lado, além de Contador, que desistiu da prova, Barguil e Porte tiveram igualmente azar com quedas ou furos e Aru não se tem mostrado como o mesmo ciclista italiano que venceu a Vuelta e ficou em segundo no Giro, pelo menos até agora. Por fim, Thibaut Pinot também teve um mau dia e está fora, por agora, da luta pela classificação geral, restando-lhe tentar vencer etapas e, quiçá, a camisola da montanha.
Esperemos pelos próximos dias para averiguar como continuarão todas as classificações desta prova, sendo que todas ainda estão em aberto, como seria de esperar. De qualquer das formas, já temos alguns candidatos a destacarem-se e iremos vê-los em ação, sem dúvida, nas próximas etapas de montanha. Por fim, acredito que todos os portugueses desejem uma vitória do próprio Rui Costa e acredito que ainda iremos tê-la, é esperar e acreditar! Continue atento a mais espetáculo da melhor prova de ciclismo do mundo: o Tour de France…!











