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Tour de France 2018 – Etapa 9: Calculismo matou o espetáculo

José Baptista · 3 min

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A passagem pelo Tour de France 2018 pelo paralelo do norte de França era extremamente ansiada, com muitos setores de pavé a aguardarem os ciclistas e expectativa de diferenças de tempos entre os favoritos à vitória na Grande Volta gaulesa.

Não foi preciso esperar muito para se fazer sentir a primeira vítima. Quando uma fuga de dez elementos começava a ganhar espaço e desenhar um dia na frente, Richie Porte (BMC) viu-se envolvido numa queda e, tal como há um ano atrás, não consegue sequer terminar a primeira semana do Tour.

Pouco depois, começou a dureza a sério, com Romain Bardet (AG2R La Mondiale) a sofrer com os azares do paralelo e a ver-se forçado a uma recuperação. Nestes primeiros momentos foi a BORA-hansgrohe do campeão do Mundo Peter Sagan que foi controlando o pelotão e deixando a fuga a uma distância acessível.

Com o passar dos quilómetros, muitos foram os que tiveram problemas, entre as quedas, os furos e os mecânicos, com nomes como Fuglsang (Astana), Froome (Sky) ou (novamente e por mais que uma vez) Bardet, mas no pelotão parecia reinar uma pouco caraterística tranquilidade, sem ninguém a querer pegar na etapa e todos a conseguirem reentrar, com excepção de Tejay van Garderen (BMC).

Na parte final, Mikel Landa (Movistar) caíu e Rigoberto Uran (EF Education First) teve queda e avaria mecânica e ambos ficaram para trás. Já na luta pela etapa, já apanhada a fuga, isolou-se um trio com John Degenkolb (Trek-Segafredo), o camisola amarela Greg van Avermaet (BMC) e o campeão belga Yves Lampaert (Quick-Step).

No último setor de paralelo, mais um problema para Bardet, que ficaria outra vez para trás e acabaria alcançado pelo grupo onde seguia Landa. Num sprint a três, Degenkolb regressou às grandes vitórias, culminando um longo caminho desde um atropelamento que quase lhe terminou com a carreira.

Nos favoritos, Bob Jungels (Quick-Step) ainda foi buscar uns segundinhos, enquanto Landa e Bardet quase alcançaram o grupo e só Uran perdeu tempo em quantidade preocupante. De resto, foi uma etapa marcada pela falta de vontade de algumas equipas em quererem fazer e diferenças e ganhar tempo, em que o calculismo e o receio de que algo corresse mal se sobrepuseram à ambição.

Classificação da etapa

  1. John Degenkolb (Trek-Segafredo) 3h24m26s
  2. Greg van Avermaet (BMC) m.t.
  3. Yves Lampaert (Quick-Step) m.t.
  4. Philippe Gilbert (Quick-Step) +19s
  5. Peter Sagan (BORA-hansgrohe) m.t.

Líderes

  • Geral: Greg van Avermaet (BMC)
  • Pontos: Peter Sagan (BORA-hansgrohe)
  • Montanha: Toms Skujins (Trek-Segafredo)
  • Juventude: Soren Kragh Andersen (Sunweb)

A FIGURA

Fonte: AG2R La Mondiale

Romain Bardet – Tudo aconteceu à esperança dos homens da casa para conquistar o Tour. O homem da AG2R teve vários problemas entre furos e avarias e foi forçado a trocar de bicicleta diversas vezes. Apesar de tudo isso e, ainda para mais, do péssimo timing destes infortúnios soube sempre estar à altura dos acontecimentos e, num dia que podia ter acabado com todas as suas aspirações, acaba por limitar os danos a sete segundos cedidos.

O FORA-DE-JOGO

Fonte: Critérium du Dauphiné

Richie Porte – Mais um ano e mais uma vez o australiano volta a não conseguir estar na discussão do Tour. Se em 2016 se pode queixar do azar, já não pode usar a mesma desculpa em 2017 e 2018. Tem de melhorar a forma como lida com a pressão e como se coloca no pelotão se quer alguma vez disputar uma Grande Volta.

Foto de Capa: Le Tour de France

José Baptista

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