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Tour de Suisse: Os anos passam e “G” continua a exibir toda a sua classe

Miguel Monteiro · 8 min

Foto: INEOS Grenadiers

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INCERTEZA QUANTO AO VENCEDOR ATÉ AO ÚLTIMO DIA

Como já é habitual na Tour de Suisse, a definição do vencedor final desta prova de oito dias do World Tour prolongou-se até ao último dia de competição, que coroou o galês Geraint Thomas (INEOS Grenadiers).

Nesta prova que prima sempre pela grande variedade de etapas de média e alta montanha, as diferenças entre os candidatos à vitória na classificação geral fizeram-se sentir. À partida para o contrarrelógio final (da última etapa) da 85.ª edição do Tour de Suisse, à exceção dos três primeiros classificados (separados por menos de 20 segundos)- Sergio Higuita (BORA-hansgrohe), Geraint Thomas e Jakob Fuglsang (Israel-Premier Tech), respetivamente- todos os restantes aspirantes à vitória final já se encontravam a mais de um minuto da liderança, tendo sido afetados pelas temperaturas “antidesportivas” que se registaram por toda a Europa durante a semana, por quedas, por falta de capacidade nas etapas de alta montanha ou até pelo Covid-19.

O pódio definitivo da prova acabou por ser composto pelos três ciclistas mais consistentes, que demonstraram menos debilidades, tendo sido eles os mesmos que partiram para o contrarrelógio da última etapa nas três primeiras posições, apesar da ordem entre eles na classificação geral se ter alterado, tendo o melhor contrarrelogista, Thomas, assumido o primeiro lugar de Higuita, que foi capaz de fazer um notabilíssimo esforço contra ao cronómetro, ao ponto de ter conseguido que Fuglsang não conseguisse anular a diferença de 20 segundos que havia entre os dois à partida para a etapa final.

No top 10 final, constam também os nomes de: Neilson Powless (EF Education-EasyPost), o norte-americano da equipa de Jonathan Vaughters, que mostra ser uma boa aposta de futuro e de presente para provas de uma semana; Stefan Kung (Groupama-FDJ), o “homem da casa”, que surpreendeu tudo e todos com as sua recém-descoberta prodigiosa capacidade de trepador; Bob Jungels (AG2R Citroen Team), o luxemburguês já vencedor de um monumento, que aparenta estar em vias de regressar ao seu “velho nível” após ter sido submetido a um procedimento cirúrgico para solucionar uma endofibriose na artéria ilíaca; Felix Grosschartner (BORA-hansgrohe), o sempre confiável austríaco, natural de Wels; Daniel Martínez (INEOS Grenadiers), o colombiano de 26 anos que aspira a ser um adversário à altura dos eslovenos no Tour de France; Domenico Pozzovivo (Intermarché-Wanty-Gobert Matériaux), que a 5 meses de fazer 40 anos ainda tem disponibilidade física para ir de prova em prova, de top 10 em top 10; e Maximilian Schachmann (Bora-hansgrohe), o campeão nacional alemão de estrada, que ainda está à procura do seu primeiro triunfo da época, que pode vir a surgir brevemente.

STEPHEN WILLIAMS ESTREIA-SE A VENCER NO WORLD TOUR

O “tiro de partida” na Volta à Suíça não podia ter sido mais audível. A primeira etapa, disputada ao redor do município de Kusnacht, era destinada àqueles que são exímios em esforços curtos e intensos (a subir). Os que passaram com nota positiva foram exatamente 15 atletas, nos quais não estavam incluídos Daniel Martínez, Thibaut Pinot (Groupama-FDJ) e Gino Mader (Bahrain-Victorious). No final da etapa, o grupo de 15 disputou a vitória da primeira tirada num sprint em grupo reduzido, do qual emergiu vitorioso o britânico de 26 anos Stephen Williams (Bahrain-Victorious), batendo nomes como Maximilian Schachmann e Andreas Kron (Lotto Soudal).

O PELOTÃO ACORDOU DA SESTA TARDE DEMAIS E LEKNESSUND APROVOU

A segunda etapa era uma daquelas que poderia ser ganha de uma multiplicidade de formas, não esperava era o pelotão que uma dessas formas era um elemento da fuga do dia se distanciar dos restantes colegas de fuga na última ascensão da etapa e nunca mais ser visto até ao risco de meta. O talentosíssimo norueguês Andreas Leknessund (Team DSM), não contando ser apanhado pelo pelotão, como os restantes fugitivos, disse “Abschied” a pouco menos de 20 km para a meta e nunca mais lhe puseram os olhos em cima, tendo também obtido a sua primeira vitória no World Tour. Felicidade efetiva para Andreas Leknessund, felicidade artificial para Alberto Bettiol (EF Education-EasyPost), que julgou não haver mais corredores adiantados e ergueu os braços em vão ao vencer o sprint do pelotão.

RECORDAÇÕES DO PASSADO?! NÃO, DO PRESENTE!

O único verdadeiro sprint em pelotão compacto deste Tour de Suisse ocorreu na cidade de Grenchen e coincidiu com o ressurgimento de uma lenda da modalidade, Peter Sagan (TotalEnergies), que quando já se pensava estar mais perto da retirada de competição do que de voltar a triunfar no World Tour, apareceu inesperadamente para bater na linha de meta Bryan Coquard (Cofidis) e Alexander Kristoff (Intermarché-Wanty-Gobert Matériaux).

COMPANHEIROS DE EQUIPA NO PASSADO, RIVAIS NO PRESENTE

Brunnen foi palco de um embate entre dois ex-companheiros de equipa- Daryl Impey (Israel-Premier Tech) e Michael Matthews (Team BikeExchange-Jayco)- que terminou com uma vitória “tangencial” do primeiro sobre o segundo num sprint bem disputado.

VLASOV NO CONTROLO

A quinta etapa, só de olhar para o seu perfil, já “deixava água na boca”, e não desiludiu. Esta jornada, repleta de “sobe e desce”, “à la Tirreno-Adriatico”, aliada de um calor extremo, prometia deixar um dos favoritos fora da contenda e o desafortunado foi Remco Evenepoel (Quick-Step Alpha Vinyl Team), que não teve oportunidade de visualizar de perto a discussão da vitória entre Aleksandr Vlasov (BORA-hansgrohe), Jakob Fuglsang, Neilson Powless e Geraint Thomas, tendo-se Vlasov imposto aos restantes com autoridade.

PHOTO FINISH NO TOPO DA MONTANHA E THIBAUT “PICA O PONTO”

A sexta e a sétima etapas foram ambas vencidas por ciclistas integrantes da fuga do dia, tendo ambas terminado com um final em alto.

A primeira das duas acabou por discutida num sprint a cinco, com Nico Denz (Team DSM) a superiorizar-se milimetricamente a Clément Champoussin (AG2R Citroen Team), tendo havido necessidade de recorrer à tecnologia do photo finish (inacreditavelmente) para apurar o vencedor.

Já a segunda das duas ficou marcada pela vitória a solo da principal estrela gaulesa na Volta à Suíça, Thibaut Pinot.

REDENÇÃO DE REMCO EVENEPOEL

A última tirada da prova suíça era um contrarrelógio de 25.6 km não percorrido no território do país, mas na capital do Liechtenstein, Vaduz. Aí foi Remco Evenepoel quem saiu vitorioso, que após ficar arredado na quinta etapa  da disputa pela vitória final da competição, manteve-se em prova para lutar pelo contrarrelógio final, no qual se redimiu, percorrendo o percurso três segundos mais rapidamente que o vencedor da Volta à Suíça de 2022, Geraint Thomas, e 11 segundos mais velozmente que o suíço Stefan Kung.

DESTAQUE PELA POSITIVA

Geraint Thomas – É o destaque da semana pelo alto nível competitivo que exibiu durante toda a competição, tendo-se assumido claramente como o líder da INEOS na prova. Mostrou estar confortável a subir e estar no seu melhor, no que ao contrarrelógio diz respeito; e não se inibiu também de trabalhar também para os colegas de equipa, tendo tentado lançar Tom Pidcock para uma vitória ao sprint (embora, verdade seja dita, sem grande sucesso).

DESTAQUE PELA NEGATIVA

Covid-19 – Muitos países têm aliviado as restrições relativas à pandemia de Covid-19 e, ultimamente, por toda a Europa têm surgido novos surtos, algo a que o pelotão não tem sido indiferente. Não bastando já os abandonos de ciclistas resultado de outros fatores, juntaram-se ainda as infeções por Covid-19 e apenas pouco mais de metade do pelotão à partida para a Volta à Suíça finalizou a prova. Isto é particularmente grave, neste momento, para os ciclistas, já que estamos a menos de 15 dias do início da Volta à França e o surgimento de surtos nas equipas vai afetar a preparação de alguns ciclistas e condicionar os estágios e as escolhas dos ciclistas por parte dos diretores desportivos.

Foto de Capa: INEOS Grenadiers

Miguel Monteiro

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