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OS FAVORITOS:
Chris Froome

Fonte: Skysports
O britânico estará à procura do seu 4.º título, mas a verdade é que esta deve ser o ano em que menos se tem visto um Froome similar ao que se espera ver na Volta a França, realizando uma época um pouco dececionante, principalmente para qualquer fã seu e até mesmo do ciclismo no geral. Mas a verdade é que se existe algum “mestre”, na atualidade”, em termos de estar bem no Tour, esse mesmo ciclista é o britânico. Veremos de que forma ele tentará dar a volta a esta primeira metade de época, sem nunca esquecer que a sua equipa Sky é incrivelmente forte, sendo possível afirmar que o quarto ou até mesmo o quinto elemento da hierarquia poderiam lutar por uma Grande Volta e só isso diz muito da qualidade da mesma…
Foto de Capa: Sky Sports
Richie Porte

Fonte: Richie Porte
Richie Porte, poder-se-á dizer, tem tido um impacto, neste ano, bastante diferente do de Froome. Conseguiu pelo menos uma vitória em todas as corridas em que participou neste ano e chega a este Tour como o grande candidato a fazer frente ao domínio de Froome e da Sky. Se conseguir superar um pouco do azar que tem tido irá disputar até ao fim a vitória. De qualquer das formas, não será nada fácil superar o campeão em título e a sua armada. Por fim, ainda assim, é preciso salientar que, aos 32 anos, ainda não disputou, até ao fim, uma vitória numa Grande Volta e isso poderá ser o fator decisivo (aliado à BMC não ter uma equipa tão forte quanto a Sky) numa corrida que se prevê bastante equilibrada.
Num nível logo após estes dois ciclistas, temos 4 nomes que sabem o que é vencer uma prova de 3 semanas: Nairo Quintana, Alejandro Valverde, Alberto Contador e Fábio Aru.
Os dois primeiros trabalharão um com o outro na equipa da Movistar, sendo que Quintana, apesar de ter falhado a conquista do Giro, parte como líder da equipa e mesmo tendo em conta o desgaste é de conhecimento geral que o ciclista colombiano costuma recuperar bem. Se será suficiente para chegar ao lugar cimeiro da classificação geral? Complicado, mas nunca se sabe. Já Valverde é dos ciclistas em melhor forma e volta a chegar ao Tour como um dos melhores do ano. A idade não parece passar por ele e esta parceria com Quintana até lhe poderá ser benéfica, porque lhe irá dar um pouco mais de liberdade e, quem sabe, poderá tentar mais um pódio numa Grande Volta.

Fonte: Cycling News
Longe vão os tempos áureos de Contador, mas nunca se pode descartar o espanhol deste tipo de provas. Continua a ser dos melhores ciclistas em 3 semanas e provavelmente este é mesmo o último ano em que o ciclista da Trek terá possibilidades de lutar, na sua carreira, pela vitória no Tour. Já em relação a Aru é possível dizer que tem vindo a subir de forma e se continuar assim poderá ser mais um forte nome a lutar pelo pódio, visto que pela vitória será mais difícil. Tem na sua equipa Astana alguns bons nomes, principalmente o de Fuglsang, que ganhou de forma algo surpreendente o Critérium du Dauphiné e aparece neste Tour com vontade de mostrar que tem o que é preciso para se bater com os melhores, sendo que isto poderá funcionar também a favor de Aru.
Outros nomes, além destes, que poderão lutar pela vitória, pódio ou top’5 são: Romain Bardet (o vice-campeão em 2016, a par de Pinot, continua a ser a grande esperança atual dos franceses para a conquista da camisola amarela, mas será muito complicado poder corresponder às expetativas dos seus adeptos…ainda assim, os poucos quilómetros de contrarrelógio poderão ser importantes para um possível novo desfecho do francês no pódio); Daniel Martin (a segunda parte do parágrafo do Bardet também se pode aplicar ao irlandês, exceto que irá, em princípio, estar mais a lutar pelo top’5); Esteban Chaves (outro dos colombianos em destaque, outro dos ciclistas que poderá beneficiar da menor quilometragem contra o tempo, sendo que a excelente qualidade que costuma apresentar nas montanhas poderá ser importante para um desfecho no top’5).
Ion Izaguirre (um dos melhores nas provas de 1 semana – um ciclista cada vez mais completo – e irá aqui querer demonstrar que consegue catapultar essa qualidade para as 3 semanas, sendo que poderá ser uma das boas surpresas na classificação geral, podendo chegar a um top’5 ou, quem sabe, a algo mais); Thibaut Pinot (é difícil deixar um ciclista destes de fora da luta pela geral, mesmo sabendo do desgaste acumulado no Giro e que muito provavelmente irá estar mais a lutar por etapas e por uma possível entrada no top’10 da prova); Simon Yates (irá coliderar a equipa da Orica, juntamente com Chaves, sendo que até poder-se-á dar a possibilidade de juntar um top’10 à camisola da juventude para este ciclista que vem cada vez mais demonstrando resultados consistentes);

Fonte: BBC
Rigoberto Uran, Louis Meintjes, Rafal Majka ou Primoz Roglic (entre outros…) serão outros nomes na luta por uma entrada no top’10 desta mítica prova.
Na luta pela camisola verde, Peter Sagan parece ser cada vez mais difícil de derrotar, mesmo com todas as dificuldades que a organização tenta encontrar para que isso não seja quase uma “formalidade” todos os anos. Mais uma vez, tentaram dificultar um pouco a vida ao campeão do mundo, mas será muito difícil não vermos o recorde de Erik Zabel igualado nesta edição com a sexta camisola dos pontos para Sagan. Ainda assim, a existência de mais etapas para os sprinters puros poderá dificultar-lhe a tarefa se um ciclista como Marcel Kittel estiver ao seu nível de topo. Também não é de descartar desta luta um ciclista como Michael Matthews, que consegue igualmente estar presente nos mesmos terrenos que Sagan e ganhar pontos em várias situações, tal como o eslovaco.
Na luta pela camisola da montanha, tanto poderemos ter os melhores homens da classificação geral a lutar pela mesma, como ciclistas que, a meio da corrida, podem ter tido algum tipo de azar e ficar fora da luta pela geral, como certos ciclistas de equipas que não têm um líder designado ou que pareça suficientemente forte para contestar o poderio dos melhores. Nomes como Darwin Atapuma, Pierre Rolland, Rafal Majka, Warren Barguil, entre outros, poderão estar na luta pela “camisola às bolas”.
Na luta pela camisola da juventude, acredito que seja uma luta renhida a 4 entre Simon Yates, Louis Meintjes, Emanuel Buchmann e Pierre Latour. Se os dois primeiros já são bastante conhecidos nestas “andanças” e será bastante provável que a camisola fique com um deles, os outros dois nomes têm provado que merecem ser considerados mais vezes para este tipo de situações, sendo que Buchamnn, inclusive, bateu Meintjes e Yates pela luta desta camisola no mais recente Critérium du Dauphiné.

Fonte: Lusoamericano
Em relação aos portugueses presentes em prova, só iremos ter Tiago Machado, da Katusha, após a infeliz notícia de que André Cardoso acusou doping depois de um controlo feito fora dos tempos de corrida do português. Para Tiago, esta poderá ser uma boa prova para se destacar em fugas, principalmente pelo facto de a Katusha não ter um líder designado.
Portanto, provavelmente não iremos ter uma Volta a França com batalhas épicas como já tivemos noutros anos, mas os poucos quilómetros de contrarrelógio, aliados a algumas etapas muito imprevisíveis e às diferentes formas e capacidades dos variados líderes aqui presentes, ainda assim, são de se esperar mais 3 boas semanas de ciclismo ao máximo nível, sendo que a Eurosport irá transmitir, pela primeira vez, desde o quilómetro 0! Não percam e “Vive Le Tour”!
O PERCURSO
Tal como acontece em várias edições na Volta a França, o arranque da prova será feito fora do país, mais em concreto em Düsseldorf na Alemanha, onde teremos o primeiro contra-relógio da prova, com uma extensão de 14km.
Fazendo uma análise ao percurso deste ano, constata-se a reduzida quilometragem neste tipo de esforço, tendo no total apenas 37km,o que não é muito normal no Tour de France, este é um detalhe a ter em conta, porque vai fazer com que os atletas que supostamente tem boas prestações nesta categoria e subam bem, tenham de estar no seu melhor nível nas etapas de montanha. Poderá ser este factor uma ajuda aos franceses Badret e Pinot? Que tem lacunas ao nível do contra-relógio mas que conseguem normalmente acompanhar os melhores na montanha? Até mesmo Pierre Rolland um puro trepador poderá almejar o pódio. A verdade é que este perfil de percurso favorece mais os ciclistas vocacionados para as montanhas e menos para os contra-relógios.
Falando agora de etapas de alta montanha, este Tour conta com etapas de pura montanha, e pelos perfis parecem ser etapas que nos vão proporcionar um belo espectáculo, quer pelas características específicas das subidas quer pelas belas paisagens que nos vão proporcionar. Teremos chegadas a terminar em descidas, outras em alto, e a primeira chegada ao alto que os ciclistas terão que enfrentar, acontece à quinta etapa e será na chegada a La Planche des Belles Filles, um habituê no Tour, e que servirá para vermos quem está com fibra de campeão. Uma subida que continua a aparecer no mapa do Tour e conta com uma extensão de praticamente 6km a 8.5% de inclinação média.
Na 8ª etapa, chegada a Rousses, que tem uma contagem de 1ª categoria a 23km da meta, na ascensão a Monteé de la Combe a ser a grande atração desta etapa, será esta contagem suficiente para fazer diferenças? Finda a subida os ciclistas tem 10km praticamente sem dificuldades, o que fará com que os ciclistas que ficarem para trás não tenham grande margem de recuperação.
Logo de seguida teremos uma das etapas rainhas deste Tour, a chegada a Chambery, que marca também a primeira incursão nos Alpes.
Uma etapa com nada menos que 3 contagens especiais de montanha e que ao invés de culminar num final ao alto, termina a descer. A última contagem especial, a subida ao Mont du Chat, se for atacada como na edição deste ano do Dauphiné trará com certeza espectáculo aos fãs do ciclismo.
Passando para os Pirinéus, chega-nos a etapa de Peyragudes, que pela sequência de montanhas na metade final da etapa, fará com que o pelotão chegue desfragmentado. Aqui os candidatos terão que estar no seu melhor, sobe pena de poderem aqui perder muito tempo para o líder.

Fonte: Tour de France
A etapa de Foix, terá obrigatoriamente que estar na agenda de quem queira ver espetáculo na estrada, com uma extensão de 101km e 3 contagens de primeira categoria, será uma etapa verdadeiramente explosiva e com condimentos para que seja das melhores etapas deste Tour, os ciclistas sem grandes margens de recuperação não se podem dar ao luxo de deixar ir embora fugitivos que tenham interesse na geral, porque a extensão da etapa não permite que haja recuperações.
Na segunda incursão nos Alpes, a chegada a Serre Chevalier, poderá ser o inicio do fim para alguns favoritos, isto porque com 2 contagens de categoria especial o Col de la Croix Fer e o fantástico Col du Galibier podem fazer mais uma vez diferenças significativas, e quem não estiver bem aqui poderá perder o comboio da geral.
A última oportunidade para quem estiver com atrasos na geral será a chegada ao Col D´Isoard, esta subida por norma é feita como uma subida de passagem e este ano será uma chegada, sendo uma agradável novidade para este percurso.
A nível de alta montanha estas serão as etapas deste ano e onde sairá o vencedor do Tour deste, os Pirinéus poderão ser palco das decisões na geral e/ou acontecer algumas diferenças importantes mas atenção que nos Alpes é que sairá a decisão final e consequentemente sair daqui o vencedor deste Tour
Sobre a geral há no entanto o contra-relógio em Marselha, que terá 22km e que poderá também definir alguns lugares da geral.
Sobre as etapas planas, onde teremos os melhores sprinters do mundo,não há muito a destacar, mas incluiria na minha lista de melhores chegadas a mítica chegada a Paris, claro, a chegada a Liége logo na segunda etapa, e também a 3ª etapa já em solo francês a chegada a Longwy, que com um final com uma certa inclinação será chegada para um puncher.
Resumindo, é um percurso que peca talvez pela falta de quilómetros no contra-relógio mas que ganha claramente nas etapas de alta montanha, e a novidade da etapa de Foix, com uma quilometragem reduzida mas com muita dureza é um aspecto bastante positivo.
Sendo que serão os ciclistas que vão fazer as etapas duras ou não,cabe a eles estarem a altura do espectáculo, pois na cabeças dos fãs da modalidade está marcado o Tour do ano passado que não trouxe grande espectáculo.
Artigo de opinião de Nuno Raimundo e Tiago Silva Ferreira












