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Uns verdadeiros e prestigiantes monumentos estão a chegar…!

Redação BnR · 4 min

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Estão aí as clássicas da Primavera e com elas chegam os incríveis Monumentos para todos apreciarmos da melhor forma como alguns dos melhores ciclistas do mundo preparam esta fase. A primeira chega já agora, com a 109.ª edição da italiana Milan-Sanremo. Com 291 quilómetros, é a maior clássica do calendário e uma nota importante sobre esta corrida, é que ela primeira vez a UCI utilizará um juiz de vídeo que acompanhará a prova de um camião repleto de monitores conectados a RAI (rede de TV italiana que transmitirá a prova). Esse juiz acompanhará a prova e analisará, em tempo real, todas as situações da prova, desde a má conduta até a mudanças de bicicleta suspeitas.

Esse ano, como já é costume, o tricampeão do mundo é o claro favorito. Peter Sagan vem forte e deve ter aprendido muito com a chegada do ano passado onde acabou por não conseguir corresponder às elevadas expetativas que havia sobre ele. Greg Van Avermaet não teve o inicio de ano que gostaria, mas tem trienado muito e tem nas clássicas os seus maiores desafios este ano. Outro ciclista que se mantém forte é o belga Philippe Gilbert, que será um dos capitães, juntamente com Alaphilippe, da Quick-Step-Floors, umas das melhores equipes nas clássicas. Entre os velocistas teremos a presença dos bem conhecidos Marcel Kittel (que faz a sua estreia na prova) e Elia Viviani. Para esses resta esperar que que consigam estar no grupo depois das montanhas com mais dificuldade do dia. Se ainda estiverem no pelotão depois disso, poderemos ter. Além destes nomes, outros que já ganharam aqui podem ser acrescentados à lista: Mark Cavendish (2009), Simon Gerrans (2012), Alexander Kristoff (2014), John Degenkolb (2015), Arnaud Démare (2016) e Michal Kwiatkowski (2017). Uma teórica lista com vários nomes interessantes para perceber que realmente poderá haver muito espetáculo no meio destas provas.

Na Clássica que se segue, como se o paralelo não bastasse para fazer sofrer os ciclistas, o Tour de Flandres junta-lhe as subidas, daquelas curtas e explosivas que tanto espetáculo dão. Depois de uma edição decidida num ataque de (muito) longe por Gilbert e numa queda de Sagan & Co., este ano os favoritos deverão ser os mesmos, com Peter Sagan em busca de aumentar o seu curto palmarés nos Monumentos e Greg van Avermaet a tentar finalmente conquistar aquela clássica que ele até diz ser a que mais lhe assenta.

Naesen tens os olhos postos no seu primeiro Monumento
Fonte: AG2R La Mondiale

No entanto, há outras figuras. Um claro destaque é Oliver Naesen, o Campeão Belga que deverá querer dar à camisola o mesmo uso que o seu predecessor, Gilbert. O ciclista da AG2R tem vindo a crescer nos últimos anos e em 2017 esteve na seleção feita por Sagan, mas que viria a ir ao chão, e este ano junta-se aos dois já mencionados no topo das apostas. Entre os outros, além do sempre candidato – mas que nunca realmente ganhou – Sep Vanmarcke, o prodígio Tiesj Benoot e as várias lanças da Sky (Kwiatkowski, Moscon, Stannard e Van Baarle) também são nomes a ter em conta.

Já no próximo mês de Abril, realizar-se-á a 116ª edição do Paris – Roubaix, o pináculo das provas de pavê, e que juntamente com o Tour de Flandres, outra prova com sectores em pavê, faz parte dos famosos “5 monumentos” do ciclismo. O inferno do norte, como é conhecido, é provavelmente o mais duro teste que os ciclistas têm que enfrentar neste tipo de terreno e que culmina assim várias semanas de clássicas de pavê. Se o tempo estiver chuvoso teremos uma corrida provavelmente caótica e com condimentos para se tornar épica.

O pavè do Inferno do Norte
Fonte: Paris-Roubaix

Para esta prova, pese embora a startlist não estar ainda completa, há vários nomes com provas dadas que estarão na disputa pela vitória. Para superar, o sempre forte bloco da Quick-Step Floors com Gilbert como cabeça de cartaz, nomes como Greg Van Avermaet (BMC Racing Team), vencedor em título, Sagan (Bora.Hansgrohe), Gianni Moscon (Team Sky), e os polivalentes Evald Boasson Hagen, Edward Theuns (Team Sunweb), Jasper Stuyven (Trek-Segafredo), terão que estar num nível muito alto se quiserem almejar uma vitória na chegada ao Velódromo em Roubaix, caso contrário, e como já aconteceu em anos anteriores, poderá haver surpresas no sempre imponente Inferno do Norte!

Finalmente, o último dos 4 Monumentos da Primavera – o quinto é o Il Lombardia em setembro – leva o pelotão às muitas colinas belgas com ida e volta a Bastogne desde Liège. Como para qualquer clássica das Ardenas nos dias de hoje, o principal favorito é sempre o mesmo: Alejandro Valverde. O murciano de 37 anos parece ter mesmo encontrado a fonte da eterna juventude e quer subir ao trono de Rei de Liège e igualar as 5 vitórias de Eddy Merckx nesta Clássica. Com um ciclista que parece melhor que os outros tanto a subir como a sprintar, parece difícil encontrar um ciclista capaz de lhe fazer frente sem se limitar ao rótulo de outsider e desses há muitos.

Os três primeiros de 2017 voltam a ser os grandes favoritos
Fonte: Liege-Bastogne-Liege

Nem há muito por onde inventar, visto que os dois homens com mais capacidade para fazer frente a Valverde são mesmo os que o acompanharam no pódio em 2017 na sua 4ª vitória. Daniel Martin deve ser o único capaz de lhe dar luta frente a frente nas colinas, onde consegue impressionantes acelerações e já sabe o que é ganhar esta prova, tendo em conta que fê-lo em 2013. Já o versátil Michal Kwiatkowski, que este ano já ganhou Volta ao Algarve e Tirreno-Adriático, é capaz de aguentar com os melhores a subir e tem uma potente ponta final, mas a sua grande arma é mesmo a tática e o seu instinto assassino, que já lhe valeu vitórias em todo o tipo de provas e terrenos.

 

Artigo de opinião de José Baptista, Nuno Raimundo e Tiago Ferreira

Foto de Capa: CyclingTips

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