Vincenzo Nibali: O «Tubarão» do pelotão

OS MOMENTOS MENOS BONS

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Vincenzo Nibali é uma grande figura do desporto e como tal, tem alguns momentos controversos associados à sua personalidade. Um destes ocorreu na Vuelta de 2015, quando foi visto a agarrar-se ao carro da equipa para reentrar no pelotão, depois de ter sido apanhado num corte por causa de uma queda a 30 quilómetros da meta. Foi desclassificado da corrida, após essa etapa.

Na edição de 2015 do Tour, Nibali venceu a etapa 19, depois de um ataque a 58 km do fim num momento em que Chris Froome, camisola amarela, teve um problema mecânico. O “Tubarão” estava a mais de 8 minutos do britânico, mas ainda assim uma boa parte do público e a própria equipa da Sky deixou críticas ao siciliano por não ter aguardado pela reentrada do líder da geral no pelotão antes de se lançar ao ataque, algo visto por muitos adeptos e atletas como uma regra não escrita da modalidade.

Froome afirmou que o ataque pareceu motivado pela avaria da sua bicicleta, uma vez que Nibali teve uma subida inteira para atacar. O britânico admitiu que o seu maior problema com a iniciativa foi que esta última pudesse servir de motivação para o ataque de rivais mais diretos.

“Quando a corrida está a decorrer, existem problemas, como quando o Contador caiu no outro dia. Antes de julgar, temos de pensar e refletir”, foi esta a defesa de Nibali que condenou ainda as palavras que o líder do Tour lhe dirigiu, logo após o fim da etapa.

No Giro de 2017, o “Tubarão de Messina” estava a lutar pela vitória final frente a Tom Dumoulin e a Nairo Quintana. Após a etapa 17, o ciclista neerlandês, que liderava a geral, condenou os dois rivais por estarem demasiado agarrados à sua roda, comprometendo o próprio lugar no pódio. Dumoulin admitiu que gostava de ver os dois rivais a perder o pódio.

Nibali respondeu. Falou de uma atitude arrogante do ciclista dos Países Baixos e frisou que também Dumoulin podia acabar fora do pódio. O italiano acabou a corrida em terceiro e o neerlandês ganhou, por isso, ninguém teve de sair do pódio.

Em 2018, Vincenzo Nibali apontou uma nova vitória no Tour como principal objetivo. Esta oportunidade não teve um final feliz. Na etapa 12, com chegada ao Alpe d’Huez, o siciliano foi derrubado pela alça da câmera de um fã, já durante a subida final. Acabou por chegar em sétimo a apenas 13 segundos do vencedor da etapa, Geraint Thomas. Com nada mais, nada menos que uma vértebra partida, abandonando a prova no dia seguinte.

Vincenzo Nibali ganhou pela última vez a 3 de junho deste ano na RSM Wealer Ronde, corrida neerlandesa.

“O sucesso vem de diferentes formas. É algo que é construído, mas também algo que pode ser uma surpresa. É constituído por muitos aspetos”, disse Nibali numa entrevista à Roleurs.

Vincenzo Nibali teve uma carreira sensacional. Um ciclista com um feitio por vezes complicado, mas que tinha um talento enorme e uma paixão pelo ciclismo que era igualmente grande. O seu pai destaca o impacto que o “Tubarão de Messina” teve em elevar a popularidade do ciclismo em Itália, particularmente na Sicília. O seu irmão, Antonio Nibali, continua no pelotão e vai permanecer na Astana, a última formação representada pelo “Tubarão de Messina”.

Filipe Pereira
Filipe Pereira
Licenciado em Ciências da Comunicação na Faculdade de Letras da Universidade do Porto, o Filipe é apaixonado por política e desporto. Completamente cativado por ciclismo e wrestling, não perde a hipótese de acompanhar outras modalidades e de conhecer as histórias menos convencionais. Escreve com acordo ortográfico.

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