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Volta a Espanha 2026: Pogacar parte como rei, mas a corrida promete batalha até Granada

Pedro Filipe · 3 min

La Vuelta

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A 81.ª edição da Volta a Espanha arranca este sábado, em Monte Carlo, e apresenta-se como a última grande volta da temporada 2026.

A 81.ª edição da La Vuelta, como é conhecida a Volta a Espanha, arranca este sábado, em Monte Carlo, e apresenta-se como a última grande volta da temporada. Ao longo de 21 etapas e mais de 3.200 quilómetros, o pelotão partirá do Principado do Mónaco para terminar em Granada, numa edição que muitos consideram uma das mais duras da história recente da prova.

Pogacar é o homem a bater

Depois de conquistar (mais uma vez) o Tour de France com autoridade, Tadej Pogacar surge como o grande favorito à vitória final. O esloveno da UAE Team Emirates procura conquistar pela primeira vez a Vuelta e completar a coleção das três Grandes Voltas, algo alcançado por apenas um restrito grupo de ciclistas ao longo da história. A ausência de Jonas Vingegaard, camisola roja da edição anterior, e de Remco Evenepoel reforça ainda mais o estatuto de favorito do campeão do Tour.

Contudo, a vitória está longe de ser garantida. O desgaste acumulado do Tour poderá pesar na terceira semana e há vários corredores capazes de aproveitar qualquer quebra do esloveno.

Entre os principais candidatos encontram-se Primož Roglič, vencedor de quatro Vueltas, Richard Carapaz, Oscar Onley, Felix Gall e Enric Mas e o nosso João Almeida.

Roglič continua a ser uma referência nesta corrida em Espanha, enquanto Carapaz e Almeida apresentam características ideais para um percurso rico em alta montanha.

Um percurso para trepadores

A organização desenhou uma corrida claramente favorável aos homens da geral. O percurso inclui sete chegadas em alto, duas etapas de contrarrelógio individual e mais de 58 mil metros de desnível acumulado, um valor recorde na história recente da competição.

A primeira semana poderá começar a fazer diferenças logo nas etapas de montanha dos Pirenéus e de Andorra. A quarta etapa, curta, mas explosiva, promete revelar cedo quem chegou à Vuelta em melhores condições.

Entre os dias decisivos destacam-se:

  • Etapa 9 – Alto de Aitana, primeira grande chegada em altitude;
  • Etapa 12 – Calar Alto, longa subida capaz de criar diferenças importantes;
  • Etapa 14 – Sierra de la Pandera, conhecida como o “Angliru do Sul” devido às suas rampas brutais;
  • Etapa 18 – Contrarrelógio de Jerez, 32 quilómetros onde os especialistas poderão recuperar tempo;
  • Etapa 20 – Collado del Alguacil, considerada a etapa rainha, com mais de 5.000 metros de acumulado e potencial para decidir definitivamente a classificação geral.

O calor do sul de Espanha será outro fator decisivo, podendo aumentar ainda mais o desgaste dos candidatos à camisola vermelha.

Os portugueses em prova

Portugal chega à Vuelta com representação de qualidade e com legítimas ambições.

João Almeida (UAE Team Emirates): O corredor das Caldas da Rainha é, sem dúvida, a principal esperança portuguesa. Depois de mais uma época consistente ao mais alto nível, Almeida apresenta-se como um dos candidatos ao pódio final. A sua regularidade na montanha e capacidade no contrarrelógio encaixam perfeitamente no perfil desta edição. No entanto, terá de conciliar as suas ambições pessoais com a liderança natural de Pogačar dentro da UAE.

Ivo Oliveira (UAE Team Emirates): O portuense deverá desempenhar um papel fundamental no apoio à equipa dos Emirados. Forte rolador e cada vez mais consistente na montanha, será uma peça importante nas etapas de transição e no controlo da corrida.

O que esperar?

Tudo aponta para uma corrida centrada em Tadej Pogačar. O esloveno chega com o melhor palmarés, a melhor equipa e o melhor momento de forma. Ainda assim, a dureza extrema do percurso, o calor andaluz e o desgaste acumulado de uma temporada longa poderão abrir espaço para surpresas.

Para Portugal, as atenções estarão inevitavelmente concentradas em João Almeida. Um lugar no pódio é um objetivo perfeitamente realista e, caso surja alguma oportunidade estratégica dentro da UAE, até a luta pela camisola vermelha poderá deixar de ser uma simples utopia.

A partir de sábado, começa mais uma batalha de três semanas. E se a história recente nos ensinou alguma coisa, é que a Vuelta raramente deixa de surpreender.

Pedro Filipe

Redação Bola na Rede · ver artigos