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Volta a Portugal 2017 – Todos contra uma equipa?

Nuno Raimundo · 6 min

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A “Grandíssima” está de volta à estrada e, desta vez, a comemorar os seus já longos e espetaculares 90 anos. Ainda assim, a organização optou por deixar de fora uma chegada em alto à “rainha” do costume: a Torre. Entre 04 e 15 de Agosto, iremos ter mais uma edição desta prova, sendo que, nesta edição, contamos com um início em Lisboa e fim em Viseu, ambas as etapas a terem uma corrida contra o tempo a iniciar e terminar esta Volta.

Depois de 3 anos a terminar a prova, Lisboa irá assistir à partida, com um prólogo de 5,4 quilómetros junto ao Rio Tejo. Um CR totalmente plano e que se espera que não faça grandes diferenças entre os favoritos. No dia seguinte, na primeira etapa, o rumo é para Vila Franca de Xira, sendo que o pelotão irá cumprir cerca de 203 quilómetros até Setúbal e passarão pela bela – e desnivelada – Serra da Arrábida. Subidas curtas, num final “acidentado”, e bastante duras que poderão deixar alguns puros sprinters para trás.

Com a ausência de um final em subida à Torre, a Senhora da Graça terá mais protagonismo nesta prova  Fonte: tempocaminhado.blogspot.pt
Com a ausência de um final em subida à Torre, a Senhora da Graça terá mais protagonismo nesta prova
Fonte: tempocaminhado.blogspot.pt

A segunda etapa une Reguengos de Monsaraz a Castelo Branco, marcando o regresso do tão ansiado Alentejo, depois de 8 anos de ausência da prova. Os ciclistas irão encontrar algumas subidas, sendo uma de 3.ª categoria, mas o final parece ser acessível para todos e deverá terminar, mais uma vez, ao sprint. Além disso, o calor poderá ser um fator decisivo neste dia.

A terceira etapa irá passar pela região de Trás-os-Montes e o Alto Douro, ligando Figueira de Castelo Rodrigo a Bragança, com a travessia pela Serra de Bornes (subida de 2.ª categoria) a ser um dos principais obstáculos para os corredores. Depois iremos ter um circuito pelos lados de Bragança, sendo que, mais uma vez, é esperada uma decisão ao sprint.

Finalmente, ao quinto dia, 8 de Agosto, teremos o primeiro grande teste para os favoritos a vencer esta Volta a Portugal com a mítica subida à Senhora da Graça, na quarta etapa da prova. Com a ausência de uma chegada final à Torre, este será o ponto mais alto da prova. Serão mais de 150 quilómetros desde Macedo dos Cavaleiros até chegar a esta incrível subida, com cerca de 8 quilómetros de subida e promessa de muito espetáculo.

Foto de Capa: Volta a Portugal

Na etapa seguinte, a quinta etapa, mais um teste exigente para os ciclistas, com novo final em alto. Quase 180 quilómetros desde Boticas até chegarem ao Minho, com uma passagem pelas excelentes paisagens do Parque Nacional da Peneda-Gerês. Também irão passar pelo centro de Viana do Castelo e terminarão com uma subida de praticamente 4 km’s e onde qualquer “pedalada em falso” irá fazer a diferença.

Antes do dia de descanso, iremos ter a sexta etapa com 182,7 quilómetros entre Braga e Fafe com a manutenção do famoso Salto da Pedra Sentada, troço do Rali de Portugal e passagem bastante exigente para todos os ciclistas, tal como se viu no ano passado. A inovação igualmente aparece com a inclusão de uma contagem de montanha de primeira categoria no Monte de Viso (que não aparecia na prova desde 2008), a cerca de 50 quilómetros da meta e com rampas com inclinação bastante acentuada. Antes do final, nova subida com uma quarta categoria em Golães e que poderá fazer a diferença para quem já vier desgastado das subidas anteriores. Sem dúvida, tem tudo para ser uma das melhores etapas da prova.

Daniel Mestre será um dos principais nomes a ter em conta para as etapas ao sprint  Fonte: cyclingandthoughts.blogspot.pt
Daniel Mestre será um dos principais nomes a ter em conta para as etapas ao sprint
Fonte: cyclingandthoughts.blogspot.pt

Após o dia de descanso, a corrida volta em Lousada, rumando a Santo Tirso, com mais um final a subir. Nesta sétima etapa, irão passar por várias localidades bem conhecidas de alguns dos ciclistas, o que poderá ser importante para o espetáculo dentro e fora da corrida. Nestes quase 162 quilómetros, teremos, então, a ascensão final com pouco mais de 7 quilómetros e num local em que, novamente, se poderão fazer diferenças importantes entre os homens da geral.

A oitava etapa irá dar um pouco de descanso às pernas dos ciclistas favoritos a vencerem a prova, pelo menos comparado com as etapas anteriores, tendo uma ligação com quase 160 quilómetros entre Gondomar e Oliveira de Azeméis, com o final a ter uma longa reta até à meta – ainda que apresente um pouco de inclinação. Ainda assim, iremos ter 3 subidas categorizadas ao longo da etapa, com também metas volantes pelo caminho. A tal pequena inclinação no final poderá levar a que alguns homens da geral tentem intrometer-se pela vitória frente aos designados sprinters.

A penúltima e nona etapa desta 79.ª edição irá ter aquela que é considerada a etapa rainha desta Volta a Portugal, mesmo com a ausência de um final na mítica Torre, ponto mais alto de Portugal Continental. Estes 184,1 quilómetros entre a Lousã e a Guarda irão ser muito exigentes para todos os ciclistas, principalmente pelas 6 contagens de montanha que irão apanhar. A subida à Torre irá ocorrer, mas sensivelmente a meio da etapa e com a única subida de categoria especial desta prova a pertencer-lhe.

A colocação da Torre nesta fase até poderá levar a algumas jogadas táticas bastante interessantes por parte de várias equipas, principalmente na colocação de homens na fuga e da possível ocorrência de ataques no grupo dos favoritos muito antes do final da meta. Os últimos quilómetros irão ter subidas com pouca inclinação, mas que poderão ser decisivas para o desfecho desta Volta, principalmente pelo desgaste acumulado nas montanhas anteriores da etapa.

Por fim, teremos a 15 de Agosto a última e décima etapa desta prova e que esperamos que esteja ainda tudo em aberto para o espetáculo ser maior e melhor para todos. Iremos ter um contrarrelógio final com pouco mais de 20 quilómetros e percorrido pelas ruas de Viseu. Será um esforço individual relativamente plano, mas mais curto do que em anos recentes e que poderá ser de ajuda para alguns ciclistas que não se dão tão bem com este tipo de corrida contra o tempo. A zona mais técnica no final será de igual importância para quem irá tentar vencer a etapa e, possivelmente, a Volta a Portugal 2017.

Em termos de favoritos, será interessante perceber como é que a W52-FC Porto irá controlar todos os ciclistas que têm, principalmente os 4 ou 5 que poderiam disputar esta Volta a Portugal. A equipa apresenta 3 ex-vencedores da Volta (o favorito Gustavo Veloso, o vencedor “surpresa” do ano passado de seu nome Rui Vinhas e, também, Ricardo Mestre) e ainda conta com nomes como o espanhol Raul Alarcon e o português Amaro Antunes, que tem feito uma boa época. Veremos como as outras equipas tentarão fazer frente à já considerada “Sky portuguesa”.

A equipa que poderá dar mais luta será mesmo a do Sporting-Tavira, mesmo sem poderem contar com Joni Brandão, após problemas de saúde. As presenças do bem conhecido italiano Rinaldo Nocentini, de Alejandro Marque (ex-vencedor da Volta) e do excelente trepador português Frederico Figueiredo poderão ser essenciais para uma boa tática por parte da equipa para tentar conseguir uma vitória que não se prevê nada fácil e onde uma presença no pódio já será vista como algo bastante positivo, principalmente após a má notícia de que não poderiam contar com Joni.

Poderemos ter um ciclista como Nocentini a levantar os braços frente à “armada” da W52-FC Porto? Fonte: bicitv.it
Poderemos ter um ciclista como Nocentini a levantar os braços frente à “armada” da W52-FC Porto?
Fonte: bicitv.it

Após estas duas equipas, não existem assim muito mais favoritos, mas nomes como Sérgio Paulinho (Efapel), Edgar Pinto (LA Alumínios-Metalusa), Vicente Garcia de Mateos (Louletano-Hospital de Loulé) ou João Benta (Rádio Popular-Boavista) poderão intrometer-se nesta luta.

Do lado do pelotão internacional, cada vez com menos qualidade em comparação com outros anos, alguns nomes poderão destacar-se, tais como: Ian Bibby (JLT Condor), Zakkari Dempster (Israel Cycling Academy – única equipa Pro Continental), Beñat Txoperena (Euskadi Basque Country-Murias), Patrick Schelling (Team Vorarlberg), David Rebellin (Kuwait-Cartucho.es) ou Damien Gaudin ­(Equipe Cycliste Armée de Terre).

Tudo pronto para mais um começo da Volta a Portugal 2017! Que comece a festa, que as bicicletas voltem às estradas e que a “Grandíssima” seja bem dignificada através de um excelente espetáculo, nas estradas e fora delas.

 

Nuno Raimundo

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