Publicidade

Volta à Suíça – Rui Costa no caminho da história?

Nuno Raimundo · 4 min

Volta à Suíça – Rui Costa no caminho da história?

Vê mais Bola na Rede no teu Discover Seguir no Google

Cabeçalho modalidades

Enquanto Froome, Contador e Porte lutam pela camisola amarela no Critérium du Dauphiné, o ciclismo continua a rolar por mais estradas afora e o próximo caminho é em terras suíças. A Volta à Suíça, tal como o Dauphiné, é uma das provas mais importantes do circuito mundial, fora as três Grandes Voltas.

Tal como a corrida em França (ainda mais, tendo em conta a lista de presenças), esta corrida na Suíça mostra um pequeno vislumbre do que poderemos vir a ter no Tour entre os mais variados candidatos. Provavelmente, os ciclistas mais mediáticos presentes nesta edição da Volta à Suíça lutarão, no Tour, por um possível pódio ou um top’5/10, mas não deixarão de dar o devido espetáculo nesta prova que antecede, então, a mítica Volta à França.

Antes, esta era mesmo a corrida de eleição para provas de uma semana. Perdeu um pouco deste seu prestígio mas continua a apresentar uma grande qualidade, quer em termos de perfis de etapas, quer em termos de inscritos para a corrida e das respetivas equipas presentes. Por exemplo, figuras como Scarponi, Siutsou, Atapuma, Dupont ou Dombrowski, que marcaram, juntamente com outros ciclistas, o Giro d’Itália deste ano, estão igualmente na lista para esta volta.

No meio disto tudo, um português poderá fazer história. Estou a falar, claro, do próprio Rui Costa! Depois de ter ganho três edições seguidas, no ano passado decidiu mudar um pouco a sua preparação para o Tour e fazer o Dauphiné. Pode discutir-se a decisão, mas a verdade é que os resultados apareceram e um pódio na prova francesa foi conseguido justamente. Neste ano, volta para tentar o “tetra campeonato” e ficar na história da prova como o ciclista que mais vezes venceu o Tour de Suisse (juntamente com outros três nomes importantes que marcaram um pouco o ciclismo e, principalmente, esta prova, com quatro conquistas cada um).

Froome Dauphiné pódio ciclismo
Após o pódio no Dauphiné de 2015, Rui Costa volta para triunfar por uma histórica 4.ª vez na Suíça
Fonte: roadcyclinguk.com

A edição deste ano apresenta maiores dificuldades do que as que esta prova tem apresentado habitualmente. Teremos três etapas dedicadas à alta montanha e, numa delas, iremos regressar ao mítico Rettenbachferner, pelo segundo ano consecutivo. Este local é conhecido por ser uma das subidas mais difíceis presentes em toda a Europa – no ano passado, Dumoulin perdeu aí a liderança, por exemplo.

Além disto, o habitual contrarrelógio mais longo, com cerca de 30 a 40 kms, foi “substituído” por um mais curto, de 16,8 kms (não esquecer a existência, também do prólogo, logo a abrir esta corrida, e que poderá meter Fabian Cancellara, por uma última vez, na liderança de uma prova disputada no seu país). Após o tal prólogo, teremos três etapas dedicadas aos “sprinters” e “puncheurs”, sendo que poderemos ter uma fuga a vingar num desses três dias. Acabadas essas “veleidades”, estará na altura de termos direito a puro espetáculo nas montanhas suíças.

Muito desse espetáculo será protagonizado, possivelmente, por “estrelas” como Tejay Van Garderen (esta edição tem o percurso ideal para as suas caraterísticas, sendo que o próprio ciclista até agradecia mais se os contrarrelógios fossem bem mais longos), Geraint Thomas (esteve muito perto de vencer a prova em 2015. Tentará dar bom seguimento a isso e ao facto de ter uma boa equipa consigo, o que voltou a dar alegrias à Sky), Simon Spilak (o último vencedor desta volta e mais outro que beneficiará de um percurso desta maneira), Ion Izaguirre (tem feito uma temporada bastante regular, com boas exibições em boas provas, e é um ciclista capaz de fazer excelentes CRs), Mathias Frank, Warren Barguil, Andrew Talansky, a grande dupla da LottoNL-Jumbo, Wilco Kerderman e Robert Gesink, Miguel Angel Lopez, que fez um excelente 7.º lugar em 2015 (isto para um ciclista com apenas 22 anos), Kanstantin Siutsou (vem de um excelente top’10 na Volta a Itália), Franck Schleck, Jean-Christophe Peraud, ou homens já também veteranos nisto tudo: Michele Scarponi, o mais fiel escudeiro de Vincenzo Nibali na sua conquista do Giro deste ano, e Samuel Sanchez (mais um ciclista a poder tirar benefícios da forma como as etapas foram traçadas).

Tejay Van Garderen Tour de France
O norte-americano Van Garderen tem fortes hipóteses de finalmente conquistar uma prova deste calibre no circuito mundial
Fonte: gearjunkie.com

Não poderia faltar nessa lista, certamente, o incrível Rui Costa. Tendo em conta as maiores dificuldades neste ano da prova, é complicado ver o português como o grande favorito a vencer, mesmo já o tendo feito por três excelentes vezes. A verdade é que o poveiro tem feito igualmente uma época muito regular, e o facto de poder fazer história poderá até “pesar” a favor do ciclista português. Na preparação para o Tour, uma histórica quarta vitória será, sem dúvida, um “boost” excelente para Rui Costa e para as suas próprias ambições.

Posto isto, desfrutem do excelente espetáculo que o ciclismo, nesta altura, terá para vos dar. O Critérium du Dauphine e o Tour de Suisse poderão servir de “aperitivo” para uma excelente caminhada desportiva diária, com o início do Euro 2016. Mas, antes desses jogos, não passem pelo estádio sem antes percorrer as estradas suíças de uma prova e, curiosamente, as francesas de outra. Os ingredientes são vários; o foco, para uns, está em vencer, mas para outros está em ganhar mais forma para a maior prova de ciclismo do ano e uma das maiores provas no desporto, também ela realizada em França: Le Tour de France!

Foto de Capa: comiteolimpicoportugal.pt

Artigo revisto por: Manuela Baptista Coelho

Nuno Raimundo

Redação Bola na Rede · ver artigos