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Volta ao Algarve 2017 – Oh Malhão, Malhão…!

Nuno Raimundo · 6 min

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Cabeçalho modalidadesAcabou mais uma Volta ao Algarve e, desta vez, com a possibilidade de dizermos que foi finalmente possível acompanhar um pouco desta prova, em direto na Eurosport, e vermos o que de melhor os ciclistas internacionais e nacionais podem fazer em Portugal e, mais propriamente, no sul do país. Como de costume, o Malhão voltou a decidir e confirmar o vencedor desta prova.

Indo ao princípio, esta volta começou da melhor forma com um sprint entre um verdadeiro elenco de luxo, e onde Gaviria mostrou todo o seu potencial e venceu à frente de nomes como Greipel ou Bouhanni. Mais uma grande vitória para o jovem ciclista colombiano, que continua a demonstrar o seu imenso potencial e a conquistar vitórias importantes.

Na etapa seguinte, Daniel Martin (talvez o nome mais forte para a montanha na prova deste ano) e Roglic, dois dos mais fortes candidatos a vencerem a prova, disputaram a vitória na montanha ao sprint (vitória para o irlandês da Quick-Step) e, mesmo ainda faltando uma grande etapa de montanha, após o final da etapa era possível apontar Roglic como o mais forte candidato a vencer a Volta ao Algarve, visto que no contrarrelógio só deveria ser batido por alguns dos especialistas em contrarrelógio e, como provou a primeira etapa de montanha, não seria fácil batê-lo em tal vertente.

Daniel Martin mostrou ser o ciclista mais forte na montanha  Fonte: Volta ao Algarve
Daniel Martin mostrou ser o ciclista mais forte na montanha
Fonte: Volta ao Algarve

Amaro Antunes, Nocentini e Edgar Pinto (devia ter ficado mais tempo por cá, visto que neste momento poderia estar numa equipa com outras ambições, porque é um ciclista que tem imensa qualidade e já o provou várias vezes – ainda assim, é bom ver que percebeu isso, voltou a Portugal e está a recompor-se da melhor forma) a fazerem um excelente início de prova e a mostrarem que iriam ser os candidatos mais fortes a poder dar alegrias às equipas portuguesas, em termos de classificação geral.

A terceira etapa estava dedicada ao contrarrelógio. Cerca de 18 kms pela frente e um percurso que era o ideal para os verdadeiros especialistas. O espanhol Castroviejo e o alemão Tony Martin eram encarados como os favoritos a vencerem a etapa, principalmente por serem o campeão europeu e campeão mundial, respetivamente. O ciclista da Movistar superou o ciclista da Katusha e arrecadou a vitória da melhor forma possível, frente ao campeão do mundo da especialidade.

Como esperado, Primoz Roglic não se deixou bater por nenhum dos candidatos à vitória final, sendo que o polaco Kwiatkowski foi o único a chegar-se perto do esloveno e a poder tirar-lhe a vitória no final desta Volta ao Algarve 2017. Como também era expetável, Nélson Oliveira foi o único português a conseguir estar no top10 da etapa.

Um dos pontos altos desta edição deu-se na quarta etapa, na chegada a Tavira, onde alguns dos melhores sprinters do mundo tiveram a sua última oportunidade para brilhar em terras algarvias. Gaviria, o vencedor da primeira etapa, acabou por arrancar cedo demais e ficar fora da discussão da vitória, tal como Bouhanni, sendo que ambos foram passados por Degenkolb, que aproveitou um excelente trabalho de equipa para se chegar à frente. Ainda assim, quando não se esperava, André Greipel apareceu por detrás e, por meros milímetros, bateu o seu companheiro alemão e levou para casa uma vitória.

O Algarve foi palco de um dos melhores e mais equilibrados sprints deste ano  Fonte: Volta ao Algarve
O Algarve foi palco de um dos melhores e mais equilibrados sprints deste ano
Fonte: Volta ao Algarve

A Lotto Soudal conseguia aqui a sua primeira vitória desta prova (sendo que acabaram também por “levar para casa” a vitória na camisola da juventude, por meio do belga Tiesj Benoot). Dylan Groenewegen conseguiu um lugar no pódio da etapa, ficando logo atrás dos dois alemães, e Arnaud Démare recuperou muito bem nos últimos metros e quase conseguia chegar à vitória. Um dos elementos a que se notou a ausência foi Mark Cavendish. O britânico, tal como na primeira etapa, surpreendentemente “desistiu” novamente do sprint e acabou por não tentar algo em ambas as etapas.

Na última e decisiva etapa, a chegada ao Malhão, houve bastante espetáculo e muita emoção até final. Kwiat lutou até ao fim pela subida ao primeiro lugar da geral, mas Roglic esteva impenetrável e não deixou que isso acontecesse, defendendo muito bem o seu lugar e a sua vitória na geral. Tony Gallopin e LL Sanchez também “combateram” pelo último lugar do pódio, sendo que o francês segurou a vantagem que tinha e não deixou o ciclista da Astana (vencedores da geral por equipas) chegar ao “bronze”.

Em relação à etapa, com os dois maiores favoritos a controlarem-se um ao outro, Amaro Antunes (que ficou logo atrás do vencedor da classificação dos pontos, André Greipel), da W52-FC Porto, aproveitou da melhor forma a situação e, com cerca de 2 kms para o fim, atacou no grupo dos favoritos e não mais saiu da liderança. Um poderoso arranque e um grande controlo do resto das situações deram ao português a primeira vitória nesta Volta ao Algarve e única para os portugueses e para as equipas portuguesas.

Brilhante vitória para o português Amaro Antunes Fonte: Volta ao Algarve
Brilhante vitória para o português Amaro Antunes
Fonte: Volta ao Algarve

Excelente trabalho de um dos ciclistas portugueses mais talentosos da atualidade (o último ciclista de uma equipa portuguesa a vencer no Malhão tinha sido João Cabreira, no já distante ano de 2006), mas igualmente destaque para o segundo lugar na etapa de Vicente De Mateos, ciclista da Louletano, que antes desta prova tinha estado em grande evidência noutras corridas. Rinaldo Nocentini, do Sporting Tavira, também a mostrar-se muito bem e a conseguir o sexto lugar na etapa. Por fim, a fechar o top’10 da mesma, mais um ciclista de uma equipa portuguesa e novamente da Louletano, sendo que o atleta em questão é o espanhol David De La Fuente, ex-ciclista do Sporting Tavira.

Na classificação geral final, além do já referido pódio, destaque para o quinto lugar de Amaro Antunes (o melhor português e o melhor das equipas portuguesas), o nono lugar de Rinaldo Nocentini (com Joni a ganhar forma e Marque excelente no contrarrelógio mas nem tanto na montanha – ainda assim, conseguiu o 13.º lugar na geral –, o italiano mostrou estar em boa forma para fazer muito mais do que aquilo que fez na época passada pela sua equipa) e o décimo lugar do português Edgar Pinto, da LA/Metalusa.

O top20 ficou completo com mais alguns nomes, entre os quais mais três portugueses: Ricardo Vilela (17.º), da Manzana Team (que levou para casa o prémio da montanha através do ciclista colombiano Juan Osorio), Nélson Oliveira (18.º), da Movistar, e Tiago Machado (20.º), da Katusha. A melhor equipa portuguesa foi o Sporting Clube de Portugal / Tavira e o melhor jovem português foi Nuno Bico (recentemente adquirido pela Movistar).

Mais uma grande Volta ao Algarve que tivemos o prazer de assistir – e, finalmente, um pouco em direto… – e mais uma edição que teve um elenco digno das maiores corridas do mundo. A prova de 2017 terminou, mas voltará, certamente, no próximo ano, com muitos mais grandes nomes do ciclismo internacional e nacional. Por enquanto, continuem a acompanhar da melhor forma mais um ano de espetáculo no ciclismo. Até à próxima prova…!

Ao mesmo tempo da Algarvia, tínhamos Rui Costa a voltar a estar em destaque neste início de temporada  Fonte: lusofonia.news
Ao mesmo tempo da Algarvia, tínhamos Rui Costa a voltar a estar em destaque neste início de temporada
Fonte: lusofonia.news

PS: Ao mesmo tempo que decorria esta prova, tivemos a Volta a Omã e a Volta a Andaluzia. Duas excelentes provas também para quem acompanhou, ganhas respetivamente por Ben Hermans e Alejandro Valverde. De um lado, tivemos Rui Costa a lutar pela vitória até ao fim (um terceiro lugar e dois segundos lugares em etapas), ficando apenas a 22 segundos do vencedor e à frente de ciclistas como Fábio Aru (ficou em terceiro) ou Romain Bardet. Muito bom início de época para o português! Já na outra prova, por um segundo se ganha e por um segundo se perde, algo que foi bem evidente nesta corrida, onde Alberto Contador perdeu a corrida por apenas um segundo perante o seu companheiro espanhol. Thibaut Pinot, que também realizou uma excelente corrida, ficou com o terceiro lugar. Novamente, o mais curioso, foi verificar que os três lugares seguintes na classificação pertencem à equipa da…Sky! Poels, Rosa e Landa (com Nieve ainda em 13.º lugar) a marcarem mais uma vez uma posição para a equipa britânica e a mostrarem a imensa qualidade que existe na mesma.

Foto de capa: Volta ao Algarve

Artigo revisto por: Francisca Carvalho

Nuno Raimundo

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