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Jon Jones: Não é Rúben mas pode ser Maradona

João Pedro Chitas · 2 min

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O futebol deixou há muitos anos de ser a minha especialidade. Por isso, não esperem que eu arrisque abordar temas sensíveis como as composições tácticas de equipas oriundas da antiga Jugoslávia, jogo pelos flancos ou basculações. Venho, como já é hábito, falar de UFC e de uma das suas maiores figuras de sempre: Jon “Bones” Jones.

Imaginem alguém que está no auge da sua carreira. Sucesso, dinheiro e fama. Jon Jones personifica tudo isso, ou pelo menos personificou.

Estamos a falar de alguém que foi, deixou de ser, voltou a ser e a deixar de ser campeão da divisão Light Havyweight. Jones, que nunca perdeu um combate por decisão, knockout ou submissão (as suas duas derrotas foram obtidas por desclassificação. A primeira por um golpe ilegal frente a Matt Hamill e a segunda por ter falhado um teste anti doping após o segundo duelo com Cormier), está agora à beira do fim. Mas não se pense que Jones sai de cena como Ronda Rousey (vinda de duas derrotas brutais consecutivas) ou Dan Henderson (com uma carreira de décadas). Jones não sai porque foi inferior no ringue. Jones sai porque errou e agora a saída é feita pela porta pequena e pela luz dos holofotes do mediatismo e da ânsia pela queda abrupta.

O segundo duelo Jones vs Cormier
Fonte: bloodyelbow.com

Jones nunca foi Rúben. Ao contrário do antigo defesa central do Sporting, nunca houve dúvidas quanto ás capacidades do antigo campeão da divisão Light Havyweight. Mas Jones pode ser Maradona. À semelhança do antigo craque argentino, Jones conheceu a glória e as amarguras do mundo de excessos e ao que parece o doping também os une.
No dia 27 de Fevereiro, o antigo campeão conheceu a sua sentença. A California State Athletic Comission (CSAC) condenou-o a pagar uma multa de 250 mil dólares e retirou-lhe a licença que lhe permitia competir.

Jon Jones em tribunal
Fonte: MMA Fighting

Para um fã de UFC é um misto de sensações. Por um lado, perde-se um dos melhores lutadores de todos os tempos, longe, bem longe da sua fase decadente. Por outro, é uma questão de justiça. E se o doping de Maradona “só” poderia colocar em risco a verdade desportiva e a integridade das redes adversárias, no caso de Jones, pela natureza do desporto que pratica ou praticava, estamos a falar de muito mais do que isso. O diferencial físico reflete-se na potência de um golpe, sendo que isso é o suficiente para causar danos físicos num adversário.

Vamos ter saudades dos cotovelos de Jones, do seu jogo de striking surpreendente, das suas batalhas épicas com Gustafsson e Cormier. Mas eu prefiro um campeão verdadeiro. Cormier é isso, Cormier não é Maradona.

E vejam só como este artigo apresenta contradições, talvez Jones até possa ser Rúben. Jones também perdeu o seu rumo. Deixou levar-se pelo mundo das drogas, das festas e por uma ética desportiva duvidosa. Ele que depois da sua primeira suspensão afirmava estar de volta, são e uma pessoa e um desportista melhor.

Para já não há Jones. Para já, acabou a saga com Cormier. Mas a vida continua. O futebol também não acabou com Maradona.

Foto de Capa: MMA Fighting

João Pedro Chitas

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