Se um campeão só o é caso vença o ex-campeão, Las Vegas foi palco da coroação de Joshua Van.
Joshua Van x Alexandre Pantoja
Após uma luta anti-climática e a narrativa de que Joshua Van era um “paper champion” , teríamos um reencontro para tirar a prova dos nove.
O duelo começou a favor do “Cannibal” Pantoja, que logo no início do primeiro round conseguiu uma queda e dominar Van por cerca de dois minutos, mas o campeão conseguiu reverter a posição, ficando por cima, conseguiu sair da guarda do brasileiro e voltou à luta em pé. No striking, Joshua Van assumiu o domínio, marchando em frente e marcando o passo da luta, mas foi quedado novamente perto do fim.
No retorno para o segundo assalto, talvez tenha começado a desgraça para Pantoja. Uma cabeçada involuntária do campeão abriu um corte perto do olho do brasileiro, que com certeza condicionou a sua visibilidade e pode ter tido mais efeitos além disso. O campeão também conseguiu controlar melhor as investidas de grappling, apenas deixando concretizar uma queda.
Já no terceiro round que se passou quase todo em pé, Joshua Van destacou-se novamente.
O quarto round, a meu ver, ficou para o Pantoja, visto que conseguiu ground control por tempo suficiente.
Mas o último assalto deu a vitória (na minha opinião) ao campeão, com um domínio com direito a knockdown.
No anúncio da decisão dos jurados, viu-se um “50-45” a favor de Joshua Van que para mim me parece descabido, numa decisão unânime a favor do atual campeão.
Eu daria o primeiro e o quarto round a Pantoja, sem dúvidas, e o segundo fica para debate, talvez o brasileiro pudesse ter feito um pouco mais.
Joshua Van tira o asterisco do seu currículo e ganha o respeito, como “verdadeiro campeão” de quem se recusava a dar-lho.
Arman Tsarukyan x Mauricío Ruffy
Havia o boato de que Mauricio Ruffy era o lutador da Fighting Nerds (academia brasileira de MMA) mais difícil de quedar. Essa afirmação perdeu muita força após o seu fraco desempenho no grappling frente ao francês Saint-Dennis.
E então surgia a questão: será que vai ser um atropelo do arménio, muito acima no wrestling?
Por incrível que pareça não, não houve um atropelo no grappling. Embora tenha conseguido quedar o brasileiro, Tsarukyan não conseguiu contê-lo e voltaram à luta em pé.
Houve, no entanto, uma vantagem no clinch, Arman conseguiu controlar o brasileiro na grade e ganhar as trocas de força.
E quando já estavam todos a prepararem-se para o fim do primeiro round, com apenas cinco segundos de sobra, Tsarukyan aplicou uma cotovelada no clinch que nocauteou Ruffy em pé, seguida de outra para o mandar ao chão.
Um nocaute e performance de gala, que lhe garantiram um dos bónus da noite e colocam-no cada vez mais a fazer pressão para uma nova chance ao ouro.
Gable Stevenson x Sean Sharaf
Este ano já nos trouxe algumas histórias de underdogs, e a do UFC 331 é uma excelente adição.
Gable Stevenson é um medalhista de ouro olímpico, que fez a tão esperada transição para o MMA, guiado pelo GOAT Jon Jones, e conseguiu sucesso inicial, somando cinco vitórias em cinco lutas, uma delas já no UFC.
O seu próximo adversário seria Sean Sharaf, peso pesado que estava 0-2 no UFC, e que partia para a luta com um dos maiores “azarados” nas bancas.
E o que se viu chocou toda a gente, com apenas 12 segundos de luta, o astro de 26 anos teve apenas a oportunidade de pontuar um leg kick antes de receber uma combinação de jab e cruzado de esquerda, que o nocauteou.
A arena foi ao delírio e mais um choque no mundo do MMA, Sean Sharaf virou conhecido mundialmente e o discípulo de Jon Jones terá que reunir os cacos e reerguer-se.

