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Undertaker é a maior lenda da história do wrestling. Tem a melhor gimnick de sempre e a forma como esta foi protegida desde o início da sua carreira faz dele o lutador favorito de muitos fãs.
Mas Undertaker vai muito mais para além disso. A sua habilidade como wrestler é inigualável e já produziu alguns dos melhores combates da história desta indústria.
Muito do seu estatuto de lenda foi construído à volta da Wrestlemania e, quando finalmente sofreu a sua primeira derrota no evento, o choque provocado foi diferente de tudo o que já aconteceu na WWE. Aliás arrisco-me a dizer que nada irá ser tão chocante e ao mesmo tempo desolador quando Undertaker não conseguiu escapar do terceiro F-5 de Brock Lesnar.
Mas com uma carreira que dura há 35 anos, sem dúvida que há imensas coisas sobre o Undertaker que a WWE quer que todos nós nos esqueçamos. Vejamos então dez coisas que a WWE nos quer fazer esquecer sobre o Undertaker.
10.

Ele esteve na WCW – Aos olhos da WWE, esta gostaria que os seus fãs pensassem que as maiores estrelas da sua história foram criadas por eles e não por mais ninguém. Especialmente pela WCW, a sua maior rival.
No entanto, algumas da Superstars mais icónicas da história começaram a sua carreira na WCW, como Steve Austin, Triple H e Undertaker.
Na altura, a lutar sob o nome “Mean” Mark Callous, acabou por não causar impacto e até foi Jim Ross que convenceu Vince McMahon a dar-lhe uma oportunidade, depois da WCW não lhe ter renovado o contrato.
Aliás, como Good Ol’ JR revelou no seu livro Slobberknocker: My Life in Wrestling, um dos directores da WCW (Ole Anderson) achava que Undertaker: “nunca faria dinheiro na indústria.” Não admira que a empresa acabasse por falir.
Facto extra: Quando estava na WCW, Undertaker teve como managers Paul Heyman e Teddy Long.
9.

Planos iniciais para a sua personagem – Assim que foi contratado pela WWE, a empresa esteve um pouco incerta sobre o que fazer com Mark Calaway (o nome verdadeiro de Undertaker). Ele era simplesmente um grande homem de cabelo ruivo e houve dificuldades em escolher a personagem que este iria interpretar dentro do ringue.
A empresa acabou por decidir-se por um coveiro que trabalhava numa funerária, mas algumas das outras ideias sugeridas eram a de um viking ou a de uma galinha chamada Gobbledy Gooker. A sério.
Aliás, tanto Undertaker como a Gobbledy Gooker estrearam-se no mesmo evento – Survivor Series 1990 – só que o homem para vestir o fato de galinha esteve mesmo para ser o Deadman. Mas graças a Deus que isso não aconteceu, até porque a carreira da ave durou pouco tempo, enquanto a de Undertaker foi das melhores que qualquer lutador poderia desejar.
8.

Undertaker vs … Undertaker? – Avançando até ao ano de 1994, no Royal Rumble, o Undertaker “morreu” – foi esta a história que a WWE nos quis fazer acreditar. Entretanto, Ted DiBiase começou a trazer ao ringue um homem que se fazia passar pelo Undertaker: tinha a mesma entrada, a mesma roupa, os mesmos golpes. Só não tinha o apoio dos fãs, que o intitularam de “Underfaker”.
Deste modo, Paul Bearer trouxe de volta o verdadeiro ‘Taker para enfrentar o seu impostor no Summerslam e o que se seguiu foi um dos piores main-events da história do PPV.
Apesar de não ser culpa do Undertaker, este é de certeza um dos combates que a WWE não irá recordar quando, eventualmente, este entrar no Hall of Fame.
7.

Uma derrota humilhante – Passados cinco anos após a sua estreia, Undertaker já tinha o respeito da maioria dos fãs, tendo até conquistado o WWE Championship. No entanto, o ano de 1995 foi provavelmente o pior da história da WWE, tanto a nível de superstars, como a nível criativo e sobretudo a nível financeiro.
A meio do ano, teve lugar o PPV King of The Ring, que na altura era um torneio bastante prestigioso. Nesse ano, dois dos principais candidatos à vitória eram Undertaker e Shawn Michaels. No entanto, Vince McMahon queria construir uma estrela e então a vitória calhou a Mabel (que mais tarde seria Viscera e Big Daddy V).
Por muito desapontante que isso soe, ainda pior é saber que durante o evento Mabel derrotou, de forma limpa, o Undertaker. O último homem a fazer isso fora Hulk Hogan e a vitória de Mabel revelou-se inútil, uma vez que não foi criada uma estrela e este até foi despedido no final do ano.
Esta tem de ser das derrotas mais humilhantes na carreira de Undertaker e uma que certamente a WWE não quer recordar.
6.

Resposta negativa a Biker Taker – No final de 1999, Undertaker lesionou-se no peitoral e teve que ficar de fora durante sete meses. Fez o seu regresso no Judgement Day 2000, mas com mudanças drásticas no seu visual. Em vez de roupas e músicas sinistras, apareceu com uma camisa, uma bandana e a conduzir uma mota até ao ringue.
Para além da mudança drástica de personagem, outra coisa notável no seu regresso foi o peso em excesso. Enquanto recuperava da sua lesão, Undertaker ganhou mais de 25 quilos e como consequência tornou-se um pouco desajeitado no ringue e recebeu muito descontentamento por parte dos fãs.
Apesar de ter recuperado rapidamente a sua mística, durante uns meses, as pessoas ficavam cansadas de ver combates do Undertaker. E isso só pode ser considerado como um ponto baixo na sua carreira.
5.

Recusar perder para certas pessoas – Ao longo dos anos, tanto Undertaker como Vince McMahon ganharam imenso respeito um pelo outro. ‘Taker por agradecer pela a oportunidade que lhe fora concedida, e McMahon por apreciar a lealdade deste para com a sua empresa.
Assim (e como forma de recompensa), Vince coroou Undertaker como o “rei” do balneário, ficando encarregue de lidar com problemas entre os lutadores. E também lhe concedeu controlo criativo sobre a sua personagem, ou seja, se Undertaker não quisesse perder um certo combate, ninguém o poderia obrigar a fazer o contrário.
E daí resultaram várias situações desconfortáveis para adversários do Phenom, mais notavelmente com Kurt Anlge em 2001 e com Brock Lesnar em 2003. No caso de Angle, Undertaker sentiu que deveria derrotá-lo ao ponto de dominação total, não dando qualquer hipótese ao adversário. No caso de Lesnar, Undertaker aceitou perder, mas só após a interferência de alguém, para que a sua credibilidade não ficasse danificada.
Apesar de, na minha opinião, ele ter merecido ter um certo controlo sobre a sua personagem, estes dois casos comprovam o mau uso desse mesmo poder, sendo algo que com certeza todos querem que nos esqueçamos.
4.

Maus adversários na Wrestlemania – Uma das principais razões que suportam o estatuto de lenda do Deadman é a sua streak na Wrestlemania. A partir da vigésima edição do evento, destronar o Undertaker na sua “casa” tornou-se tão prestigiante como conquistar um título mundial, e ano após ano a ansiedade e incerteza à volta dos seus combates cresciam de forma exponencial, o que resultou em alguns momentos verdadeiramente memoráveis.
Com isto dito, alguns dos seus combates na fase inicial da streak foram, no mínimo, esquecíveis.
Na Wrestlemania 9, Undertaker venceu Giant Gonzales por desqualificação após este o atacar com clorofórmio; na Wrestlemania 15 derrotou Big Bossman num dos piores combates Hell in the Cell de sempre; e na Wrestlemania 19 venceu um combate Handicap contra Big Show e A-Train, após ser ajudado por Nathan Jones (também não me lembro quem era).
Apesar de ter sido detentor de uma das maiores séries invencíveis da história do wrestling, a WWE não quer relembrar que algumas dessas vitórias não foram propriamente incríveis.
3.

Planos iniciais para terminar com a streak – Como seria de esperar de uma pessoa que se estreou no wrestling em 1984, o Undertaker é old-school. E, segundo essa mentalidade, antes de se retirar, deve-se perder para alguém mais novo para que este possa beneficiar de qualquer feito que foi alcançado em ringue pelo veterano.
Com este pensamento em mente, e tendo em conta a sua invencibilidade na Wrestlemania, ‘Taker sempre ponderou quem seria o lutador certo para o derrotar pela primeira vez no evento.
Segundo vários sites internacionais e alguns lutadores, Randy Orton foi o primeiro a ser abordado pela ideia, mas recusou fazê-lo por respeito a Undertaker. Também foram ponderados os nomes de Kurt Angle, Mark Henry e até Wade Barret.
O que a WWE preferia esquecer é que, apesar de ter sido alguém credível como Lesnar a atingir esse feito, ele já era uma estrela tanto dentro como fora da empresa. Pouco beneficiou da vitória e até se pode dizer que danificou mais a carreira de Undertaker, do que beneficiou a dele.
2.

O seu recorde na Wrestlemania – Isto é algo mais difícil de esquecer porque aconteceu recentemente, mas de certeza que já não ouvimos a WWE a gritar a plenos pulmões o recorde actual de Undertaker no “Grandest Show of Them All”.
O que é compreensível, até porque 21-0 soa muito melhor do que 23-2, ou até 22-1. O que a WWE nos quer fazer esquecer é que demorou 23 anos para alguém derrotar Undertaker na Wrestlemania e nos últimos cinco isso aconteceu duas vezes. Não só é insultuoso para o Deadman, como acaba por representar os últimos anos da sua carreira: uma espiral descendente.
E este final de carreira tem sido realmente desprestigiante…
1.

A WWE estragou a sua retirada dos ringues – Na Wrestlemania 34, Undertaker enfrentou John Cena num combate que soube a pouco, tendo em conta o que poderia ter sido. No mesmo ano ainda enfrentou Rusev, Triple H, e Shawn Michaels e Triple H num combate Tag Team, em eventos nos quais só foi utilizado por ser uma atração para o público estrangeiro.
O mais triste em relação a tudo isto foi o declínio visível de Undertaker de combate para combate. É claro para todos que a sua reforma já deveria estar consumada há muito tempo. No entanto, e como tantas vezes acontece, a WWE falhou essa saída e continuou na estrada sem saber o que fazer com uma das maiores Superstars de todos os tempos. E fê-lo da pior maneira possível.
Segundo fontes de dentro da empresa, a WWE não tem planos nenhuns para Undertaker na Wrestlemania que se aproxima. Para mim, isto é o maior insulto que se poderia fazer ao lutador. Não só falham por completo a sua reforma, como o utilizam de forma cada vez pior ano após ano, e depois não sabem mais o que fazer com ele e deixam-no ir, sem dar qualquer tipo de explicação aos fãs.
E o sinal disto é o facto de Mark Callaway já estar a aceitar aparecer em convenções de wrestling sem qualquer ligação à WWE e estará prestes a lançar o seu próprio podcast. Compreendo totalmente o seu ponto de vista, ele tem que continuar com a sua vida e assim deveria ser após o seu último combate. Mas será que esse combate já aconteceu? Será que já se retirou? Será que o seu último combate não terá lugar na Wrestlemania mas sim na Arábia Saudita? Como é que chegámos a este ponto?
Provavelmente ninguém saberá responder. Só sabemos que podemos estar a testemunhar história, a história de como Undertaker teve a pior reforma de qualquer lutador da história do wrestling, tendo em conta a carreira que ficou por trás dele.
Apenas fica o desejo que tal não volte a acontecer.
Foto de Capa: WWE
Artigo revisto por: Rita Asseiceiro









