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A Magia de Bray Wyatt

Afonso Viana Santos · 3 min

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23 de Julho de 2018. Os Deleters of Worlds (Matt Hardy e Bray Wyatt) perdem um combate pelos Raw Tag Team Championhsips contra a B-Team (equipa de Curtis Axel e de o irmão de Wyatt, Bo Dallas). Após o combate, Hardy teve de fazer uma folga para recuperar de lesões, enquanto que Wyatt tinha de repensar qual o passo seguinte da sua carreira.

Esta foi uma altura complicada para o antigo líder da Wyatt Family. A sua personagem, apesar de ter sido bastante elogiada, ficara aquém das expectativas. Mesmo um reinado como WWE Champion já chegara tarde demais e foi rapidamente esquecido por todos.

Wyatt tinha assim o objectivo de, pela segunda vez na sua carreira, criar uma personagem interessante e convincente; uma que lhe pudesse proporcionar para o topo da WWE, um lugar onde merecia ter estado.

Foi a 22 de Abril de 2019 que o novo personagem de Bray Wyatt viu finalmente a luz do dia, 9 meses após o seu último combate televisionado. E as reacções iniciais não foram consensuais.

Por um lado, houve fãs que apreciaram a nova aparência de Bray e todo o cenário da Firefly Fun House; por outro lado, vários fãs, incluindo eu, acharam que Wyatt se tinha afastado da personagem demoníaca e dominadora que podia ser. Mas, felizmente, estávamos enganados.

Depressa se percebeu que, por detrás do jovial Bray Wyatt, havia algo muito mais sinistro e pronto para aterrorizar a WWE. E assim foi, quando The Fiend atacou Finn Bálor num episódio do Raw, vencendo-o mais tarde no Summerslam de forma convincente.

Só a sua entrada fora suficiente para criar tópicos de discussão, não só devido à sua (incrível) música, como também à sua lanterna, que era feita a partir da cabeça da antiga personagem de Wyatt, o “Eater of Worlds”. Só este momento já capta muita da magia de Wyatt: mesmo antes do combate iniciar, The Fiend já garantira que ele iria ser um dos destaques da noite. Mas o seu brilhantismo vai para além disso.

A “Firefly Fun House” rapidamente se tornou numa das principais razões para assistir ao Monday Night Raw. Desse modo, Wyatt tornou-se num dos lutadores mais importantes da WWE, uma vez que fazia os fãs não quererem perder nenhum programa no qual este estivesse presente.

Foto de capa: WWE

Depois, a WWE fez das suas e precipitou-se com The Fiend. O combate atroz no Hell in a Cell e a derrota perante Goldberg irritaram muitos, senão mesmo todos os fãs, e ameaçaram a continuidade do personagem.

Mas aqui se viu, mais uma vez, o génio de Wyatt. Este soube recuperar na Wrestlemania, quando enfrentou John Cena num Firefly Fun House Match.

É verdade que se tratou mais de uma produção cinematográfica do que de um combate, mas o que quer que tenha sido, penso ser impossível negar o seu sucesso. Representou a capacidade brilhante que o wrestling tem em contar histórias, algo que é muitas vezes negligenciado e inatingível em combates no ringue.

Fonte: WWE

A mais recente fase da história de Bray Wyatt tem-no visto alternar entre diferentes personagens. Durante a actual rivalidade com Braun Strowman, enfrentou-o como o apresentador da “Firefly Fun House”; depois, numa Swamp Fight no Extreme Rules, retornou à sua antiga gmmick de “Eater of Worlds e finalmente, no Summerslam, The Fiend irá encará-lo pelo Universal Championship.

The Fiend é um personagem especial que necessita de ser “protegido”. É diferente de tudo o que existe ou, talvez, já existiu no mundo do wrestling e isso tem de ser recompensado, uma vez que foi Wyatt quem criou esta gimmick.

Não é por acaso que The Fiend é (provavelmente) o lutador mais popular da WWE e, se a empresa não cometer erros no seu booking, existe todo o potencial para que este tenha uma carreira semelhante à de Undertaker.

Espero que o potencial de Bray Wyatt seja finalmente recompensado com os títulos que merece, não só por ser um grande lutador dentro de ringue, mas, mais importante do que isso, por interpretar o melhor e mais enigmático personagem de wrestling no mundo.

Artigo revisto por Joana Mendes

Afonso Viana Santos

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